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Repórteres Sem Fronteiras

37 líderes "predadores da imprensa". Lista incluiu pela primeira vez duas mulheres e um europeu

05 jul, 2021 - 08:58 • Carla Caixinha com agências

O Presidente Brasil é um dos quatro políticos latino-americanos deste ranking, onde constam os chamados predadores históricos: sete constam desta lista há 20 anos.

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A lista de predadores da liberdade de imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras (RSF) inclui 37 chefes de Estado e de Governo, dos quais cerca de metade são apresentados pela primeira vez, cinco anos após a listagem anterior.

São líderes mundiais que impõem repressão massiva através da censura, prisão arbitrária de jornalistas e incitamento à violência contra estes profissionais.

Segundo a organização, os predadores têm a idade média de 66 anos, são principalmente da região da Ásia-Pacífico, onde estão 13 dos 37 tiranos identificados.

“Agora são 37 os chefes de Estado ou Governo que aparecem na galeria de predadores da liberdade de imprensa da RSF e ninguém pode dizer se esta lista é exaustiva”, lamenta o secretário-geral da organização. “Cada predador tem a sua maneira especial. Alguns fazem com que reine o terror, com ordens irracionais e paranoicas; outros implementam estratégias muito estruturadas com base em leis que destroem a liberdade. O desafio é fazer com que hoje esses predadores paguem o preço mais alto possível por essa repressão. Não deixemos que sua maneira de agir se torne 'o novo normal’”, sublinhou Christophe Deloire.

Este ano, a lista incluiu pela primeira um europeu - o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán- e vez duas mulheres: Carrie Lam, chefe do executivo da região administrativa especial de hong kong da república popular da china desde 2017, e Sheika Hasina, que governa o Bangladesh desde 2009.

Desde que Orbán regressou ao poder, em 2010, tem minado de forma reiterada “o pluralismo e a independência dos meios de comunicação social”, criticou a RSF.

A ONG acusa o primeiro-ministro húngaro de transformar o serviço público de rádio e televisão num “órgão de propaganda" e de ter reduzido os meios de comunicação privados ao silêncio, graças a manobras político-económicas e à compra dos meios de comunicação por alguns oligarcas ligados ao seu partido, Fidesz.”

O Presidente Brasil é um dos quatro políticos latino-americanos classificados como “predadores”, juntamente com os presidentes de Cuba, Miguel Díaz-Canel, Nicarágua, Daniel Ortega, e Venezuela, Nicolás Maduro.

Os principais alvos dos ataques de Jair Bolsonaro são mulheres jornalistas, analistas políticas e a rede Globo, a que chamou “televisão funerária”, porque noticia as mortes causadas pela Covid-19 no Brasil.

A organização critica o presidente pela “retórica belicista e desbocada”, que é amplificada por pessoas da sua cúpula e por “uma base organizada”, uma vez que a partir das redes sociais os seus apoiantes propagam ataques com o objetivo de “desacreditar a imprensa, apresentada como um inimigo do Estado”.

Nesta lista surgem ainda o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, e Recep Tayip Erdogan, da Turquia.

Mas também existem os chamados predadores históricos. Sete constam desta lista há 20 anos.

O Presidente sírio, Bashar Al-Assad, e o líder da revolução iraniana, Ali Khamenei, já faziam parte da primeira lista. Assim como, Vladimir Putin, da Rússia, e Alexander Lukashenko, de Belarus.

Três deles são de África: Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, 79 anos, reina sobre a Guiné Equatorial desde 1979; Isaias Afwerki, da Eritreia, é o último colocado no ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2021, está no poder desde 1993; Paul Kagame no Ruanda.

Para cada um dos predadores, a RSF elaborou uma ficha, revelando seus “métodos de predação” e “os alvos preferidos”. Também são apresentados trechos de discursos ou entrevistas com “predadores” justificando a repressão.

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  • João Rodrigues
    06 jul, 2021 Beja 09:23
    Escrito com os pés este artigo. Belarus? Isso é algo de comer? Presidente Brasil? Esse joga aonde? Depois de numa leitura na diagonal ter encontrado estas duas maravilhas, desisto de ler mais. A escreverem assim não admira que sejam predados.

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