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“O maior desastre natural em Timor-Leste”. Cheias já causaram 11 mortos

04 abr, 2021 - 10:25 • Marta Grosso , Pedro Mesquita , Lusa

O balanço das vítimas provocadas pelo mau tempo em Díli já aumentou. À Renascença, o antigo primeiro-ministro Mari Alkatiri diz que o número de desalojados ultrapassa os três mil.

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“O maior desastre natural em Timor-Leste”. Cheias já causaram 11 mortos

Aumentou para 11 o número de vítimas mortais em Timor-Leste, decorrente das chuvas torrenciais que há três dias atingem o país e que originaram grandes cheias e inundações, com derrocada de casas e deslizamento de terras.

A capital, Díli, é das zonas mais atingidas. É aí que o balanço mais atualizado – ainda que provisório – da Proteção Civil timorense. As autoridades estão a planear a resposta de emergência.

Contactado pela Renascença, o antigo primeiro-ministro e líder da Fretilin Mari Alkatiri classifica a situação como “o maior desastre natural em Timor-Leste dos últimos 50 anos”.

“Só em Díli, neste momento, há mais de três mil desalojados, pessoas que ficaram sem nada”, avança, apelando ao envio imediato de ajuda.

“Precisa imediatamente, hoje mesmo, de apoios básicos de alimentação”, diz. As pessoas “estão a ser realojadas em pavilhões, mas precisam imediatamente de condições básicas. Alimentação, fundamentalmente”, reforça.

As cheias estão a afetar o país inteiro. “Praticamente todo o país viveu esse temporal e os estragos estão a ser contabilizados”, diz ainda Mari Alkatiri.



Ângela Carrascalão, professora na Universidade de Timor-Leste, confirma que “a situação é muito grave” e, à Renascença, admite que, “pela primeira vez na vida”, sente “que o homem é mesmo impotente”.

“Não sei o que é que o Governo poderá fazer para minorar o sofrimento destas populações. Sei que vai ser muito difícil”, prevê.

Governo entre as cheias e a pandemia

Segundo a agência Lusa, responsáveis do Governo e de várias estruturas de emergência já se reuniram, neste domingo, no Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC) para analisar os danos causados pelas cheias, que arrastaram casas, destruíram estradas e várias outras estruturas.

Entre as prioridades definidas nessa reunião alargada liderada pelo CIGC está o apoio à evacuação das zonas mais afetadas e ao realojamento de centenas de famílias afetadas pelas inundações em vários pontos da cidade.

Participantes no encontro explicaram à Lusa que as prioridades passam também pelo apoio humanitário de emergência a todas as vítimas e pelas operações de limpeza e recuperação de infraestruturas danificadas.

A tragédia ocorre durante a pandemia de Covid-19, que atinge agora o país de modo intenso. Por isso, o encontro deliberou ainda que se mantenham os esforços de combate ao vírus, procurando separar ao máximo as famílias.

Note-se que as inundações afetaram várias estruturas usadas no combate à doença, como o Centro de Isolamento de Vera Cruz, onde estão três doentes considerados moderados e um doente grave, e que tiveram que ser realojados no Hospital de Lahane.

Registaram-se ainda inundações no Laboratório Nacional e no centro de isolamento de Tasi Tolu, bem como no Serviço Autónomo de Medicamentos e Equipamentos de Saúde (SAMES), a farmácia central timorense.

No caso das pessoas infetadas que estão em Tasi Tolu, as autoridades estão a tentar identificar outros locais onde possam ser alojadas.

Por outro lado, as autoridades estão a delinear as intervenções urgentes em termos de obras públicas, nomeadamente “reconstrução das vias rodoviárias mais afetadas e essenciais, limpeza das ribeiras.

“Vão ser ainda feitos preparativos para mais inundações porque a chuva pode durar mais alguns dias”, disse à Lusa um dos participantes no encontro.

“Foram também tomadas medidas de imediato para que já amanhã haja máquinas a limpar e a reconstruir e a ajuda a ser distribuída em larga escala”, referiu a fonte.

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