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Covid-19

Vacina de Oxford com "resposta imunitária robusta" em maiores de 55 anos

26 out, 2020 - 08:03 • Marta Grosso

A informação vem no "Financial Times", numa altura em que aumentam as vozes que preveem uma vacina no final do ano. Em Londres, um grande hospital prepara-se para receber primeiros lotes já para a semana.

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A vacina desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca em colaboração com a Universidade de Oxford está a obter "uma resposta imunitária robusta" em pessoas com mais de 55 anos, avança o jornal “Financial Times” nesta segunda-feira.

A vacina produz anticorpos neutralizantes, que bloqueiam partículas estranhas e linfócitos T, um tipo de glóbulo branco que destrói as células infetadas, refere o artigo, publicado três dias depois de a farmacêutica ter retomado os testes.

Os testes desta vacina recomeçaram no Reino Unido, no Brasil, na África do Sul e no Japão. Só nos Estados Unidos, os testes envolvem 30 mil pessoas.

Esta vacina é baseada numa versão modificada do adenovírus de chimpanzés. O seu objetivo ao entrar no organismo humano é evitar a replicação do vírus, impedindo os sintomas da Covid-19 e reduzindo o número de mortes causadas pela doença.

Vacina até final do ano?

Aumentam as esperanças sobre a aprovação de uma vacina contra o novo coronavírus até o final do ano, podendo os profissionais de saúde receber sua dose no início de 2021.

No domingo, o especialista norte-americano em doenças infeciosas Anthony Fauci afirmou que, até o final de novembro ou início de dezembro, se deverá saber se uma vacina é segura e eficaz.

A afirmação surgiu em entrevista à BBC. “Saberemos se uma vacina é segura e eficaz até o final de novembro, início de dezembro”, afirmou no programa de Andrew Marr, depois de questionado sobre a veracidade das afirmações de Donald Trump, num debate televisivo, durante o qual afirmou que, embora não fosse garantido, a vacina contra a Covid-19 deveria chegar até o final do ano.

“A questão é: depois de ter uma vacina segura e eficaz, ou mais de uma, como enviá-la às pessoas que precisam dela o mais rápido possível? A quantidade de doses disponíveis em dezembro certamente não será suficiente para vacinar todo o mundo”, sentenciou.

“Teremos de esperar vários meses”, mas “os profissionais de saúde, provavelmente, terão acesso prioritário a qualquer vacina, bem como as pessoas consideradas de maior risco”, antecipou ainda.

Segundo Fauci, as vacinas poderão começar a ser distribuídas no final deste ano, início de janeiro, fevereiro, março do ano que vem”, sublinhando que não devemos esperar “um impacto significativo na dinâmica do surto logo “no segundo ou terceiro trimestre” do ano.

Mas há outras vozes a manifestarem convicção de que uma vacina esteja pronta nos próximos meses. Na Irlanda, o vice-primeiro-ministro, que também é médico, manifestou na rádio o seu otimismo.

“Estou cada vez mais otimista, assim como o governo, de que veremos uma vacina aprovada nos próximos meses e que, no primeiro semestre ou primeiro trimestre do próximo ano, será possível começar a vacinar aqueles que estão em maior risco”, disse Leo Varadkar, à rádio RTE, no domingo.

Vacina em Londres em novembro?

Nesta segunda-feira, o “The Sun” avança que os funcionários de um grande hospital de Londres deverão receber os primeiros lotes da “vacina de Oxford” a partir da semana de 2 de novembro.

A vacina ainda está em testes, mas foi pedido aos profissionais que estivessem preparados para receber os primeiros lotes.

O “The Sun” avança ainda que estão a ser preparadas medidas extras de segurança contra protestos antivacinas e para proteger os lotes de vacinas.

A notícia surge depois de o serviço nacional de saúde (NHS) britânico ter lançado um relatório, segundo o qual o país se estará a preparar para começar a imunizar os profissionais de saúde com uma vacina dentro de semanas.

Segundo o “Mail on Sunday”, o diretor executivo de um grupo hospitalar de Midlands, Glen Burley já terá avisado os profissionais do NHS sobre o início de um programa de vacinas contra a Covid-19 para o início de dezembro.

“As últimas informações indicam que uma vacina contra o novo coronavírus deverá estar disponível este ano, estando a equipa do NHS na população prioritária para vacinar antes do Natal”, refere a mensagem de Burley, enviada no início deste mês, segundo o jornal.

Mas, outras fontes contactadas pelo “Guardian” consideram as afirmações de Burley prematuras e muito ambiciosas.

“Não há qualquer indicação [sobre quando a vacina vai chegar], qualquer data, apenas frustração”, afirma um alto funcionário do NHS.

O principal conselheiro científico do Governo britânico, Sir Patrick Vallance, disse, por seu lado, aos parlamentares e colegas que a vacina não estaria disponível no Reino Unido até à Primavera.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 1,1 milhões de mortos e quase 42,7 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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  • António J G Costa
    26 out, 2020 Cacém 12:18
    É preciso ter Esperança. Medicamentos anti-vírus irão entrar em cena, muito em breve e muito mais eficientes que as vacinas.

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