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UE aprova sanções à Rússia após envenenamento de Navalny

12 out, 2020 - 20:35 • Lusa

“Todos os Estados-membros aceitaram as sanções, ninguém se mostrou relutante”, garante chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell. Cabe agora ao Conselho Europeu implementar as sanções, com base numa lista que será fornecida pela França e Alemanha.

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Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) aprovaram esta segunda-feira, no Luxemburgo, um pacote de sanções contra Moscovo, após o envenenamento do opositor russo, Alexei Navalny, com um agente nervoso do grupo Novichok.

“Implementámos a proposta feita pela França e a Alemanha de impor sanções àqueles que estão ligados à tentativa de homicídio [de Navalny]”, referiu o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, à saída de uma reunião, no Luxemburgo, do conjunto dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

“Todos os Estados-membros aceitaram as sanções, ninguém se mostrou relutante”, sublinhou Borrell.

O anúncio surge após a França e a Alemanha terem, na quarta-feira passada, acusado Moscovo de estar por trás do envenenamento do opositor russo, Aleksej Navalny.

O ministro dos negócios estrangeiros francês, Jean-Yves Le Drian, e o seu homólogo alemão, Heiko Maas, tinham publicado na altura um comunicado conjunto em que referiam que “a França e a Alemanha pediram múltiplas vezes à Rússia para esclarecer as circunstâncias do crime assim como aqueles que a perpetraram”, mas “nenhuma explicação credível” lhes foi fornecida.

“Neste contexto, não há outra explicação plausível para o envenenamento do Sr. Navalny a não ser o envolvimento e a responsabilidade da Rússia”, referia o comunicado.

Face à ameaça de sanções por parte da Alemanha e da França, o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Lavrov, tinha referido, na passada sexta-feira, que não lhe “causava surpresa” que as sanções fossem anunciadas, “sem evidências e sem concluir a investigação exigida pela Alemanha e por outros países da UE”.

Cabe agora ao Conselho Europeu implementar as sanções hoje aprovadas, com base numa lista que será fornecida pela França e Alemanha.

“O corpo técnico do Conselho Europeu vai agora receber a lista de sanções proposta pela França e a Alemanha, acompanhada das provas que forem fornecidas pelos dois países, e vai proceder à sua implementação prática”, referiu Josep Borrell.

O opositor russo, Alexei Navalny, foi envenenado a 22 de agosto em Omsk, na Sibéria, numa deslocação no âmbito da campanha eleitoral.

Após ter ficado em coma num hospital da região, Navalny foi transferido para o hospital Charité, em Berlim, onde foi detetado um agente tóxico do grupo Novichok no sangue e urina do paciente russo.

Perante as provas de envenenamento, a chanceler alemã, Angela Merkel, tinha referido, no início de setembro, que a UE e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) dariam uma “resposta adequada” ao envenenamento de Navalny.

Em 2018, a UE já tinha imposto sanções ao chefe e vice-chefe do Departamento Central de Inteligência russo (GRU), após o envenenamento, com um agente tóxico do grupo Novichok, do ex-espião russo, Sergei Skripal, e da sua filha, Yulia Skripal, na cidade de Salisbury, em Inglaterra.

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