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Inteligência artificial

"Como ter um Fitbit no cérebro". Empresa de Elon Musk implanta chips em porcos

29 ago, 2020 - 17:08 • Reuters

Objetivo da Neuralink, startup de neurociência cofundada pelo bilionário norte-americano, é curar doenças do foro neurológico como demência e Alzheimer, através de chips implantados no cérebro como os que estão agora a ser testado em três porcos.

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A startup de neurociência do bilionário Elon Musk, apresentou este sábado um porco chamado Gertrude em cujo cérebro os cientistas implantaram um chip do tamanho de um moeda.

O chip ficará alojado no cérebro do animal durante dois meses, naquele que é o primeiro passo da startup para encontrar formas de curar doenças neurológicas em humanos com implantes cerebrais semelhantes.

Cofundada pelo CEO da Tesla e da SpaceX em 2016, o objetivo da Neuralink é criar implantes manipuláveis por computador através de redes wireless.

Esses chips com milhares de elétrodos serão implantados no órgão mais complexo do corpo humano, para tentar curar problemas neurológicos como a doença de Alzheimer, demência e lesões na medula e, em última instância, fundir humanos e inteligência artificial.

"Um aparelho implantável pode resolver estes problemas", defendeu Elon Musk, citando problemas de saúde como perda de memória, depressão e até insónias. Os chips da Neuralink podem ainda ajudar a compreender melhor este tipo de doenças através da leitura das ondas cerebrais, adiantou um dos cientistas da empresa durante a mesma apresentação.

Musk não avançou um calendário para iniciar os ensaios clímicos, parecendo revogar declarações anteriores em que garantira que os testes em humanos iam começar no final deste ano. Segundo Matthew MacDougall, cirurgião-chefe da equipa da Neuralink, os primeiros ensaios clínicos com um reduzido grupo de humanos terão como objetivo tentar curar paraplégicos e outros tipos de paralisia.

Neurocientistas sem ligações à startup assumem que este avanço da Neuralink está a causar ondas no setor de investigação, mas alertam que são necessários mais estudos sobre a eficácia destes implantes.

"Os três porquinhos"

Num streaming em direto na madrugada deste sábado, o bilionário começou por descrever a "experiência dos três porquinhos", apresentando a porca Gertrude, cujo cérebro alberga agora dois chips que controlam o seu focinho. Durante um bocado, o animal não pareceu interessado em aparecer, mas eventualmente começou a comer em frente à câmara, enquanto um gráfico mostrava a atividade neurológica do porco.

Musk explicou que, neste momento, a startup está a trabalhar com três porcos com dois implantes cerebrais cada e também revelou que houve um primeiro porco antes desses em cujo cérebro foi implantado um chip. Todos os animais são "saudáveis, felizes e completamente indistinguíveis de um porco normal".

O chip da Neuralink tem cerca de 23 milímetros de diâmetro e funciona como "um Fitbit com pequenos cabos instalado no crânio", adiantou Musk. "Eu podia ter um [implante da] Neuralink neste momento e não saber... Se calhar tenho."

À Reuters, Graeme Moffat, investigador de neurociência da Universidade de Toronto (Canadá), diz que os avanços da Neuralink "estão na ordem de saltos de grande magnitude" e que ultrapassam a atual ciência, graças ao tamanho, portabilidade, gestão energética e capacidades wirekess destes novos chips.

Sergey Stavisky, neurocientista da Universidade de Stanford (EUA), concorda que o trabalho desenvolvido pela empresa tem sido cada vez mais substancial e impressionante desde a primeira demonstração de um protótipo destes chips, em julho de 2019.

"Ir daí até a um sistema totalmente implantado em vários porcos mostra o quão impressionante tem sido [o progresso da Neuralink] e penso que comprova o lado positivo de ter uma equipa multidisciplinar focada no mesmo problema", diz Stavisky.

Outros neurocientistas contactados pela Reuters avisam que, apesar da importância desta conquista, são precisos mais estudos para determinar a longevidade dos implantes cerebrais.

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