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Apoio a Erdogan dispara depois de invasão do nordeste da Síria

05 nov, 2019 - 11:29 • Filipe d'Avillez Com Reuters

Ancara diz que as milícias curdas continuam ativas, em violação do acordo mediado por Vladimir Putin.

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A popularidade interna do Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disparou ao longo do mês de outubro, na sequência da invasão do nordeste da Síria para deslocar as milícias curdas que operavam na região.

Uma sondagem conduzida pela Metropoll, publicada esta terça-feira, mostra um aumento de perto de quatro pontos percentuais, colocando a taxa de aprovação nos 48%, o nível mais alto desde as eleições presidenciais de unho de 2018. Desde então Erdogan tinha estado em queda nas sondagens, em parte devido a uma crise financeira que atingiu o país, desvalorizando a lira turca em 30%.

A subida da taxa de aprovação reflete-se também na descida do número de turcos que dizem que desaprovam da conduta o Presidente, que desceu mais de nove pontos percentuais.

Erdogan tem governado a Turquia com mão firme desde 2001, sempre com consideráveis índices de popularidade, mas mesmo a oposição ao Presidente turco esteve ao seu lado durante o recente ataque ao nordeste da Síria, que foi apoiada por larga maioria da população.

A Turquia optou por atacar aquela região para tentar forçar a retirada dos militares curdos do YPG, uma milícia curda que compõe a maior parte das Forças Democráticas da Síria, o braço armado de uma coligação de partidos curdos, cristãos e árabes que governava o nordeste da Síria de forma autónoma desde os primeiros anos da guerra-civil naquele país. A Turquia acusa as YPG de serem meramente uma extensão do PKK, o grupo terrorista curdo que leva a cabo uma insurreição contra o Estado de Ancara desde os anos 80.

As FDS eram apoiadas pelos Estados Unidos, com a ajuda dos quais conseguiram derrotar territorialmente o autoproclamado Estado Islâmico. Foi a decisão de ordenar a retirada das forças americanas que permitiu a Erdogan avançar.

A invasão turca apenas foi travada quando a Rússia interveio, negociando um acordo que levou os curdos a retirar para uma distância de 30 quilómetros da fronteira, sendo substituídos por forças leais ao regime de Bashar al-Assad, apoiadas pelos russos. Segundo o acordo a Turquia fica com controlo temporário das cidades e vilas que já tinha conseguido conquistar na sua incursão.

Contudo, Erdogan disse esta terça-feira que os curdos não estão a cumprir o acordo, acusando as YPG de se manter no terreno perto da fronteira. O plano inicial dos turcos era de invadir todo o território e construir habitações para poder alojar cerca de três milhões de refugiados sírios que ao longo dos últimos anos procuraram abrigo na Turquia. Os curdos e cristãos dizem que esta é uma tentativa clara de limpeza étnica da região, uma vez que a maioria dos sírios que fugiu para a Turquia são árabes originários de outras partes do país.

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