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Ambiente. Aumenta o número de espécies ameaçadas de extinção

24 jul, 2019 - 12:15 • Joana Bourgard Redação

A pesca intensiva e desregulada colocou duas famílias de raias no limite da extinção, ao mesmo tempo que a caça levou ao declínio de seis espécies de primatas.

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Em março, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) tinha divulgado que existiam 27.159 espécies em perigo, ameaçadas de extinção ou extintas na natureza. Este mês, a lista de espécies estudadas foi atualizada para 105.738, com o número de espécies ameaçadas a subir para 28.338.


Lista Vermelha de Espécies da IUCN (Julho 2019)

  • Espécies avaliadas: 105.732
  • Total de espécies ameaçadas: 28.338
  • Extintas: 873
  • Extintas no mundo selvagem: 73
  • Criticamente em perigo: 6.127
  • Ameaçadas: 9.754
  • Vulneráveis: 12.457

Pesca intensiva e desregulada

As raias representam o conjunto de espécies marinhas em maior perigo. Já o falso tubarão da Mauritânia sofreu um declínio de 80% da sua população, nos últimos 45 anos.

A pesca costeira, mais intensa e essencialmente desregulada, está a conduzir o declínio das populações de raia, com a maioria capturada juntamente com outros peixes. Habitualmente, a raia é vendida localmente, enquanto as barbatanas, altamente valiosas, são comercializadas internacionalmente para serem consumidas na sopa de barbatana de tubarão.

O relatório alerta que mais de metade dos peixes de rios japoneses estão ameaçados. O aumento da agricultura e a poluição urbana são as principais causas para a diminuição da qualidade da água dos rios.

Os peixes de rio representam um universo de 18 mil espécies e, de acordo com a UICN, estão a sofrer um declínio dramático e silencioso.

As espécies de peixes de grande profundidade também não escaparam à Lista Vermelha de Espécies. Estes animais podem viver a mais de mil metros de profundidade e são ameaçados pela atividade de pesca profunda e pelas indústrias de petróleo e gás.

Cerca de 20% dos peixes de águas profundas estão agora na Lista Vermelha e entram para as espécies em estudo nos futuros relatórios da organização.

Este mês, as Ilhas do México e as áreas protegidas do Golfo da Califórnia entraram para a lista do Património Mundial em perigo. A população Phocoena sinus, a menor e mais ameaçada espécie de boto do mundo, foi dizimada pelo comércio ilegal de produtos marinhos, restando apenas 10 indivíduos vivos.

Procura por carne de caça

A procura por carne de caça e a desflorestação na África Ocidental levaram ao declínio em 40% de seis espécies de primatas.

O macaco Cercopithecus roloway, caracterizado por ter o pelo que contrasta entre o preto e o branco, está a um passo da extinção, com uma população viva de apenas 2.000 indivíduos. Esta espécie é vendida para consumo humano de carne e pela pele.

Floresta

A Lista Vermelha inclui a maioria das árvores da floresta seca de Madagáscar, com 23 espécies de árvores de jacarandá e palissandro. Mais de 90% destas árvores, que são abatidas pelo valor da sua madeira, estão ameaçadas. Algunse jacarandás são dos produtos silvestres mais traficados ilegalmente no mundo.

Mais de 5.000 árvores de 180 países foram adicionadas ao Livro Vermelho, contribuindo significativamente para o objetivo de avaliar todas as espécies de árvores no mundo até o final de 2020.

A caminho da extinção global

Desde 1960 que pelo menos 873 espécies foram extintas. Mais de 40% das espécies de anfíbios do mundo, mais de um terço dos mamíferos marinhos e dos tubarões e peixes estão ameaçados de extinção.

Existem 1.233 espécies de mamíferos, 1.492 espécies de aves e 2.341 espécies de peixes em risco de desaparecer. Quase metade das espécies ameaçadas são plantas.

De acordo com as Nações Unidas, a natureza está condenada ao declínio, a menos que os modelos de produção e de consumo sejam alterados, avisa o mesmo documento, da autoria de um grupo de especialistas que traça um futuro sombrio para a espécie humana, dependente da natureza para beber, comer, respirar, aquecer-se e até curar-se. A qualidade de vida irá degradar-se entre os mais pobres e nas regiões onde vivem populações autóctones muito dependentes da natureza.

No início de junho, a ONU alertou para uma “elevada probabilidade de a civilização humana acabar” até 2050. Um estudo publicado por um "think tank" australiano traça um cenário negro sobre as consequências das alterações climáticas, com a possibilidade de nos próximos 30 anos, a civilização humana vai sofrer uma "ameaça existencial".

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