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Homenagem decorreu no estádio da Chapecoense debaixo de muita chuva

03 dez, 2016 - 12:02

Já estão em Chapecó os corpos dos jogadores e restante comitiva que morreram no desastre aéreo. Cerimónia no estádio decorre debaixo de muita chuva. [Em actualização]

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Lágrimas e chuva na despedida aos campeões da Chapecoense
Lágrimas e chuva na despedida aos campeões da Chapecoense

Dezenas de milhares de pessoas despediram-se, no estádio do Chapecoense, das vítimas do acidente aéreo que na segunda-feira vitimou grande parte da equipa brasileira, com o grito "O campeão voltou".

Na cerimónia, marcada pela tristeza, os jogadores das categorias inferiores do clube subiram ao relvado para mostrar que ainda há esperança no futuro neste clube brasileiro, com 43 anos, que vinha ganhando importância no futebol brasileiro.

"Sairemos daqui todos vitoriosos, porque somos Brasil, somos Colômbia, somos todas as nações e todos os credos", disse o bispo de Chapecó, Odelir José Magri, que levou uma mensagem solidária enviada pelo Papa Francisco quando se soube do acidente.

Os restos mortais de 50 das 71 vítimas do acidente ocorrido a 28 de Novembro chegaram este sábado de madrugada ao aeroporto de Chapecó (sul do Brasil), onde foram recebidos com honras militares numa breve cerimónia encabeçada pelo Presidente, Michel Temer.

O chefe de Estado, que apenas tinha previsto intervir neste momento, acabou por participar na homenagem colectiva no estádio, depois de terem surgido críticas de alguns familiares das vítimas sobre a sua ausência.

Apesar da chuva, milhares de pessoas acompanharam a pé a comitiva fúnebre até ao estádio do Chapecoense, onde foi tocado o hino nacional, no início da emotiva despedida dos adeptos aos futebolistas e dirigentes, que se prolongou por mais de três horas.

"Na alegria e na tristeza, meu furacão, tu és sempre um vencedor", lia-se num grande painel colocado no estádio, junto de bandeiras, fotografias e cartazes a verde e branco, cores do clube.

A queda do avião na segunda-feira, perto de Medellín, causou a morte a 71 das 77 pessoas que seguiam a bordo, incluindo a maioria dos jogadores, dirigentes e jornalistas que acompanhavam a equipa, que se preparava para disputar a primeira mão da final da Taça Sul-Americana com os colombianos do Atlético Nacional.

A cidade de Chapecó agradeceu aos "irmãos colombianos" o apoio oferecido após o acidente, com sucessivas alusões à Colômbia e ao Atlético Nacional de Medellín durante o velório colectivo.

O autarca de Chapecó, Luciano Buligon, entrou em campo com um equipamento da equipa que o "Chape" (como é conhecido o nome da equipa) iria defrontar caso não tivesse ocorrido o acidente.

Buligon, que acompanhou em Medellín o repatriamento das vítimas, garantiu que os brasileiros "nunca esquecerão o que a Colômbia fez pelo 'Chape'". Nas bancadas, viam-se também bandeiras da Colômbia.

Michel Temer transmitiu ao seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, e às autoridades locais, a sua gratidão pelo apoio prestado durante e após as operações de resgate.

O Brasil também começou a despedir-se dos 21 jornalistas mortos no mesmo acidente, com a celebração de cerimónias em diferentes cidades brasileiras.

Alguns dos colegas das vítimas não conseguiram conter as lágrimas e choraram em directo quando noticiavam a chegada dos corpos dos jogadores a Chapecó. O jornalista Cid Moreira fez uma leitura da Bíblia e repetiu os nomes de todas as 71 vítimas (19 jogadores, treinadores, dirigentes, convidados e 20 jornalistas).

O avião onde seguia a equipa da Chapecoense despenhou-se à chegada à Colômbia, na madrugada de segunda-feira, ao que tudo indica por falta de combustível. Há indicações de que o avião não tinha combustível necessário para o caso de haver uma emergência ou um atraso na aterragem, como de facto sucedeu. Morreram 71 pessoas no desastre aéreo, sobrevivendo apenas seis. Entre os mortos encontra-se o treinador da equipa Caio Júnior, que fez carreira de jogador em Portugal.

Após a notícia do acidente sucederam-se as homenagens à Chapecoense. Vários monumentos mundiais foram iluminados com as cores do clube, clubes de todo o mundo fizeram minutos de silêncio antes dos seus jogos e fizeram chegar ao clube brasileiro garantias de solidariedade e promessas de ajuda concreta para enfrentar as dificuldades financeiras e desportivas que se avizinham devido a este desastre. Houve também homenagens mais simbólicas, esta tarde, por exemplo, o Sporting vai utilizar o emblema da Chapecoense na sua camisola, no jogo contra o Vitória, de Setúbal. O mesmo fará o outro Vitória, de Guimarães, no seu desafio desta jornada.

[actualizado às 21h40]

O que sabemos sobre a queda do avião onde seguia a Chapecoense
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  • Eborense
    03 dez, 2016 Évora 14:28
    Que Deus os tenha!
  • Amalia Guiomar
    03 dez, 2016 Portuguesa 13:55
    O meu coracao vai para as familias sentimientos!como tatos queridos filhos e país morreram,com falta de gasolina? Deus OS levo em paz

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