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Última tentativa para travar o bilionário. Cruz e Kasich aliam-se contra Trump

25 abr, 2016 - 21:17 • José Alberto Lemos, em Nova Iorque

Ted Cruz e John Kasich têm tido vários momentos de confronto. Ainda na semana passada Ted Cruz disse que Kasich se mantinha na corrida para dividir os votos e favorecer Trump, de quem aspiraria ser vice-presidente.

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Ted Cruz e John Kasich anunciaram, no domingo à noite (madrugada de segunda-feira em Portugal), um acordo de desistência mútua em três eleições primárias que vão decorrer nas próximas semanas.

O governador do Ohio, John Kasich, abdica de concorrer no estado de Indiana, que vai a votos no próximo dia 3, e em contrapartida o senador do Texas, Ted Cruz, não concorrerá no Oregon e no Novo México, cujas eleições decorrem, respectivamente, no dia 17 de Maio e 7 de Junho.

Trata-se de um acordo surpreendente entre o candidato mais moderado (Kasich) e o mais radical (Cruz) desta corrida republicana, que só se justifica porque ambos querem evitar a todo o custo que Donald Trump seja o candidato do partido às eleições de Novembro. Para isso, é indispensável evitar que o bilionário consiga obter os necessários 1.237 delegados até à convenção de Cleveland, onde será escolhido o candidato oficial.

Kasich e Cruz têm muito pouco em comum. Kasich, o governador do Ohio, é um homem de compromissos e consensos, visto como um moderado e pragmático. Já Cruz é o oposto do compromisso, sempre teve no Senado dos EUA uma atitude de intransigência em relação a qualquer acordo com os democratas e é o principal responsável pelos dois bloqueios ("shutdown") governamentais sofridos nos últimos anos, ao impedir que houvesse um acordo para manter o funcionamento da Administração por falta de verba.

Durante esta campanha têm-se atacado mutuamente com alguma virulência e ainda na semana passada Ted Cruz disse que Kasich se mantinha na corrida para dividir os votos e favorecer Trump, de quem aspiraria ser vice-presidente. Com o acordo agora anunciado, esse fantasma desaparece e Kasich e Cruz mostram afinal que, apesar das divergências ideológicas, estão ambos sintonizados com o "establishment" do Partido Republicano, que visa a todo o custo travar o “outsider” Trump.

Um objectivo que se tornou mais difícil desde as primárias de Nova Iorque, na semana passada, onde o bilionário averbou uma vitória esmagadora. No entanto, os seus adversários consideram que ainda é possível impedir que Trump tenha a maioria dos delegados. Neste momento, Trump tem 844 e a soma dos restantes (Cruz, Kasich e Rubio, já fora da corrida) é de 862. E embora nenhum deles individualmente consiga fazer grande sombra ao bilionário, se todos os seus delegados conjugarem esforços podem montar um cenário na convenção do partido que evite a nomeação de Trump. É aquilo a que se tem vindo a chamar uma convenção disputada e negociada, onde se prevê uma luta voto a voto pela nomeação.

Este acordo agora anunciado entre Kasich e Cruz obedece a esse desígnio porque o governador do Ohio – que até agora só venceu no seu próprio estado – incita os seus apoiantes de Indiana a votar em Ted Cruz, o que pode alterar a situação neste estado. Uma sondagem da Fox News, na semana passada, colocava Trump à frente com 41%, Cruz em segundo com 33% e Kasich com 16%. Mas sem Kasich na corrida, Cruz ficava apenas a dois pontos de Trump e há ainda muitos indecisos. No Indiana estão em jogo 57 delegados e quem ganha arrecada-os quase todos, dependendo da votação em cada distrito.

Cruz tem-se empenhado a fundo neste estado, onde tem hipóteses de bater Trump, menosprezando as primárias em cinco estados da costa leste, que votam esta terça-feira e onde as sondagens lhe dão resultados fraquíssimos.

Por seu turno, Kasich fica com o terreno livre para defrontar Trump no Oregon e no Novo México, onde aparentemente tem mais hipóteses do que Cruz. Nestes dois estados estão em jogo 52 delegados, quase tantos como no Indiana, mas a distribuição é feita de modo proporcional aos votos obtidos.

Nos seus habituais comentários no twitter, Trump, no seu estilo desabrido, escreveu que os seus dois adversários estavam a conspirar para evitar que ele conquiste a nomeação e viu nessa atitude “desespero”.

Cinco estados liberais a votos

Na verdade, talvez seja demasiado tarde para impedir o bilionário de ganhar a maioria dos delegados. Embora matematicamente possível, politicamente afigura-se uma missão quase impossível. Esta terça-feira, por exemplo, há primárias em cinco estados da Costa Leste e Donald Trump lidera as sondagens em todos eles com confortável vantagem. Se vencer no Connecticut, Rhode Island, Pensilvânia, Maryland e Delaware, que somados representam 172 delegados, Trump dilata substancialmente a sua liderança.

À semelhança do que sucedeu na semana passada em Nova Iorque, estes cinco estados são considerados alguns dos mais liberais na América e por isso Ted Cruz tem aqui um ambiente hostil. Talvez por isso o senador do Texas tenha feito pouca campanha neste terreno e tenha aproveitado para apostar no Indiana, onde espera bater Trump.

Conhecidas como “Acella primaries”, estas primárias devem o nome ao comboio que circula entre Rhode Island e Washington DC, ao longo da costa leste americana, servindo todos estes estados e os seus principais eixos urbanos, incluindo Nova Iorque. Uma zona de grande densidade urbana, prestigiadas universidades, prósperas empresas e negócios e o eixo no país onde há uma das maiores concentrações de riqueza.

A implantação do Partido Democrático é aqui muito superior à do seu rival republicano. As primárias traduzem essa mesma realidade: enquanto os republicanos elegem 172 delegados, os democratas elegem 462. Com uma grande predominância de população branca, este eixo deveria, em teoria, favorecer o senador Bernie Sanders sobre a sua rival Hillary Clinton. Mas não é isso, contudo, que dizem as sondagens. Sanders deve disputar taco-a-taco no Connecticut e em Rhode Island, sendo incerto quem ganhará, mas deverá ser derrotado por larga margem nos maiores estados a votos – Maryland e Pensilvânia.

São indicadores que mostram o quanto a candidatura de Sanders perdeu fôlego desde a pesada derrota de Nova Iorque, há uma semana justamente. Uma derrota que a candidatura sofreu penosamente. O próprio senador fez uma pausa na campanha frenética que vinha conduzindo e desde aí parece que as suas hostes ficaram desanimadas.

Se Hillary Clinton confirmar as sondagens, infligirá esta terça-feira ao seu adversário aquele que poderá ser o golpe de misericórdia.

Comentários
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  • Viriato
    26 abr, 2016 Portugal 15:06
    Censura!...vocês querem implantar a vossa democracia...mas estão enganados, porque ainda há Portugueses nesta babilónia...não postam o meu comentário, porque falta-vos coragem para isso...próprio dos animais rastejantes. Falta pouco para este País voltar à normalidade. Acreditem, falta pouco.
  • Viriato
    26 abr, 2016 Portugal 14:44
    Donald Trump obrigado por vires acabar com os parasitas do politicamente correcto que tem destruindo o mundo aos pouco...chega de os que trabalham andar a pagar para os "fare niente" que são os refugiados mais os que promovem a vinda deles sem perguntarem ás populações se os querem cá...Viva o P.N.R. e viva Portugal e os verdadeiros Portugueses.
  • Galvão
    26 abr, 2016 Brasil 12:15
    Francisco Rodrigues. É assim no mundo todo. As esquerdas fazem propaganda populista, mas não querem saber de povo. No Brasil, os esquerdistas mais virulentos são representados por Leblon, Copacabana e Ipanema, as praias mais caras do Rio.
  • Francisco Rodrigues
    26 abr, 2016 Lisboa 02:55
    Curioso e sintomático Estados da Costa Leste onde há maior concentração de riqueza E de grande predominância do partido democrata Ora a "verdade " (embuste ) oficial é que o republicano é dos ricos e o democrata dos pobres Isso mesmo é escrito em boletins de voto É assim com estes embustes que políticos altamente incompetentes como OBAMA chegam a presidentes
  • Sabino
    26 abr, 2016 01:05
    Futuro presidente general4estrelas james mattis 65anos marine gerra do golfo. A pedido das elites financeiras americanas. Aplicacao da 12 emenda da constituicao americana, caso identico ao utilizado em 1842.

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