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Vasco Santos, do MAS

Movimento Alternativa Socialista. "Esta União Europeia não é reformável"

23 mai, 2019 - 14:37 • Eunice Lourenço

O partido quer um salário mínimo europeu e também reformas mínimas, explica o cabeça de lista em entrevista à Renascença.

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Vasco Santos, o cabeça de lista do Movimento Alternativa Socialista (MAS) às eleições europeias, considera que esta União Europeia não serve os interesses dos trabalhadores e dos povos. Em entrevista à Renascença a poucos dias da ida às urnas, propõe ainda um dia europeu de luta contra a extrema-direita.

Qual é a principal mensagem que o MAS tem a passar nestas eleições europeias?

É a mensagem de que é possível um mundo diferente em que, de facto, não sejam sempre favorecidos os mesmos, que são uma minoria, e que a grande maioria que são os trabalhadores podem construir um mundo diferente e que está nas mãos deles. O MAS quer ser um instrumento para ajudar a essa mudança, queremos que as pessoas se empenhem na transformação. O que dizemos às pessoas é que é possível construir uma Europa dos povos, uma Europa sem muros e solidária.

Essa Europa é possível com esta UE ou implica mudanças nas instituições europeias com que temos vivido?

Com esta União Europeia não é possível de certeza absoluta. Esta União Europeia não é reformável. Esta UE é a UE da dívida, da austeridade, da [chanceler alemã, Angela] Merkel, de [Emmanuel] Macron e do Costa, em que é beneficiado um conjunto de grupos económicos em detrimento da maioria da população que habita a Europa. O que achamos é que é necessário uma Europa dos povos, que sirva a maioria dos povos, homens, mulheres, negros, negras, ciganos e ciganas. Para dar um exemplo prático, há cinco mil banqueiros a receber mais de um milhão de euros e, depois, há 130 milhões a viver abaixo do limiar da pobreza.

Não sendo esta UE reformável, que processo deveria existir? Uma destituição destas instituições?

Uma construção de novas relações entre os países, uma relação que seja benéfica para a sua imensa maioria. Esta Europa serve um conjunto ínfimo de população, serve os Berardos, serve os Ricardos Salgados, sejam portugueses, alemães, franceses ou suecos. O que achamos é que é preciso construir uma Europa que sirva aos Vascos e as Marias de todos os países. Ou seja, os trabalhadores é que estão a pagar as crises, a crise ambiental como as crises económicas, que são geradas por este sistema capitalista.

Como vê a forma como a UE tem lidado com a questão das migrações?

Tem sido muito mal lidada. Somos a favor de uma Europa solidária e não de uma Europa fortaleza. É impensável continuar neste caminho. Temos uma Europa fortificada em que a extrema-direita está em crescimento, apontando os migrantes como um bode expiatório dos problemas dos europeus, quando na verdade os problemas dos europeus estão no sistema em que vivemos. O capitalismo cria os problemas e as suas vítimas é que ainda são apontadas como responsáveis pelos problemas que o sistema criou.

E como vê esse crescimento da direita e dos populismos, sejam eles de direita ou de esquerda?

Populismos de esquerda não os vi. O que vejo é populismo à direita e demagogia em barda. A extrema-direita é um perigo enorme e propomos que haja um dia de combate à extrema-direita na Europa.

Portugal tem sido visto como um exemplo na Europa. Acha que é justo?

Em Portugal a extrema-direita não tem tido esse crescimento, mas quando fala no exemplo está a falar do Governo Costa ou da chamada "gerigonça" e a minha vida e as de milhões de portugueses demonstram que a página da austeridade não foi virada. Nesse sentido, as críticas que o PCP e o Bloco fazem ao Governo são mais do que corretas, o problema é que depois assinam os Orçamentos. O problema é que há aqui uma certa incongruência. Em Portugal, 25% da força de trabalho ainda trabalha pelo salário mínimo, daí também propormos um salário mínimo europeu de 900 euros.

Também defende impostos europeus?

Também deve haver uma harmonização desses impostos. O que não pode continuar a existir é que nós já pagamos impostos à europeu, mas não temos salários correspondentes. É necessário criar também uma reforma à europeia. Ainda morrem pessoas em Portugal porque não podem aquecer o suficiente as suas casas durante o inverno.

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