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Um mau ou péssimo ano para a castanha? Ainda é uma incógnita

24 out, 2022 - 07:51 • Olímpia Mairos

A campanha está atrasada e pode estender-se até o mês de dezembro. Os ouriços ainda não abriram e são de reduzida dimensão e os produtores culpam as alterações climáticas.

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A seca e a falta de água fizeram atrasar a produção de castanha - o desenvolvimento do fruto está atrasado e os ouriços tardam em abrir. Os produtores estão apreensivos e falam em grandes quebras de produção.

Manuel Santos, produtor da Castanha da Padrela DOP, conta que já deu a volta aos soutos e não levou nada para casa. “Os ouriços ainda não abriram e são tão pequenos que a terem alguma castanha não dão para a exportação”, lamenta o produtor de Valpaços.

Por esta altura do ano seria normal ver os soutos cheios de apanhadores, mas como o desenvolvimento do fruto está atrasado, são poucos os que se encontram.

E este atraso no entender de Maria Silva pode refletir-se no rendimento dos agricultores. “É com isto que contamos para aguentar o ano. Se não colhemos não vendemos e, se não vendemos o dinheiro pode faltar na carteira”, diz.

Esta agricultora da Serra da Padrela costumava colher em média por ano à “volta de cinco mil quilos de castanhas, mas se as coisas se mantiverem como até aqui nem mil quilos”.

Também Carlos Silva antevê um mau ano. “Se tiver metade já é muito bom. Estou à espera de uma quebra muito grande. Há poucos ouriços e já não têm tempo para crescer”, diz.

Uma incógnita

Embora ainda seja cedo para tirar conclusões, Abel Pereira da Arbórea, no concelho de Vinhais, diz que os produtores estão apreensivos e já preveem quebras.

“Há aqui alguma apreensão. Há alguns problemas provocados pelas questões climatéricas: árvores que apresentam algumas debilidades, castanheiros que não tem ouriços ou têm ouriços de reduzida dimensão. É uma das campanhas mais expectantes dos últimos tempos”, diz à Renascença.

O presidente da principal organização de produtores florestais do concelho de Vinhais não quer arriscar números no que toca a previsíveis quebras de produção, mas admite que podemos estar perante um mau ou péssimo ano de produção.

“Se todos os fatores que são indicadores neste momento se confirmarem teremos de certeza um mau ano, até pode ser do mau ao péssimo, se não se confirmarem poderemos ter um ano médio”, explica.

A boa notícia para os produtores é que face à escassez do fruto o preço por quilo ao produtor situa-se atualmente nos três euros. Já em termos de qualidade, e tendo em conta a pouca castanha que está a cair, Abel Pereira fala num ano médio.

Os produtores esperam que as chuvas dos últimos dias venham a dar uma ajuda, mas Abel Pereira frisa que neste momento é tudo uma incógnita. Quase certo é que a campanha se deve prolongar até ao mês de dezembro.

“Estas chuvas podem-na fazer avançar porque isto das condições climatéricas é como o campeonato de futebol: uma jornada pode alterar toda a história, tudo pode mudar e conjugar-se de forma diferente. Neste momento há um grande atraso. Vamos ver se esta chuva vai normalizar mais a campanha. No tempo, pode prolongar-se até dezembro”, antecipa.

O concelho Vinhais colhe cerca de oito mil toneladas de castanha anualmente e, num bom ano, fatura entre 12 a 15 milhões de euros. Este ano está tudo em suspenso, esperando-se que a chuva venha dar uma ajuda ao desenvolvimento do fruto e a salvar uma campanha que muitos já dão como perdida.

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