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Conversas na Bolsa

Tiago Pitta e Cunha. Portugal estaria no “G20 do mar”

21 out, 2022 - 18:55 • Isabel Pacheco

O líder da Fundação Oceano Azul acredita que a pertinência de Portugal como nação vai passar pelo mar. Tiago Pitta e Cunha foi o convidado, esta sexta-feira, do “Conversas na Bolsa” onde defendeu maior coordenação do Estado na resposta ao setor.

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Tiago Pitta e Cunha. Portugal estaria no “G20 do mar”

O modelo de governação do mar deve ser transversal a todos os ministérios, defendeu, esta sexta-feira, Tiago Pitta e Cunha durante a conferência “Conversas na Bolsa” que decorreu no Palácio da Bolsa no Porto.

Para o Prémio Pessoa 2021 e líder da Fundação Oceano Azul, seria um “erro” “encapsular o mar numa única tutela política administrativa”.

“Não devemos ter um ministério do mar porque, também, não temos um ministério da terra nem da lua”, justificou Tiago Pitta e Cunha que, por sua vez, considerou fundamental a criação de um ministério que coordene os assuntos do mar e que avalie o seu impacto em todas as tutelas. “E se este governo o decidiu fazer através do ministro da economia, acho bem”, rematou.

Para o responsável pela Fundação Oceano Azul, importa é que o Estado, o país e a sociedade percebam que “a pertinência de Portugal como nação” passará “determinantemente pelo fator mar”.

“Se percebermos isso, talvez, cheguemos menos atrasados ao século XXI. Temos até aqui uma hipótese de ir à frente”, apontou o jurista.


Tiago Pitta e Cunha fala, mesmo, de Portugal como um “gigante marítimo da Europa” com vantagens geográficas que estão a ser desaproveitadas.

“Não somos um país pequeno se pensarmos que, em área submersa, somos um dos maiores países do mundo”. (..) “Temos uma zona económica exclusiva com quase dois milhões de quilómetros quadrados que nos colocaria no G20 do mar, se houvesse um G20 para o mar”, lembrou Tiago Pitta e Cunha.

“Temos uma plataforma continental com quatro milhões de quilómetros quadrados que nos projeta verdadeiramente para os lugares cimeiros do planeta em território marítimo”, acrescentou.

E no seculo XXI em que o mar vai ser “cada vez mais determinante para a sobrevivência da espécie humana”, Tiago Pitta e Cunha aponta três setores em que o nosso país pode dar cartas. Para além da energia e dos transportes, está a alimentação.

“Vamos adotar cada vez mais dietas verdes. As algas e os bivalves vão ser fatores determinantes na nossa alimentação no seculo XXI. E Portugal tem as condições competitivas para produzir esses alimentos que nenhum outro país tem”, lembrou.

Jurista e especialista em assuntos do mar, Tiago Pitta e Cunha foi o convidado da conferência “Conversas na Bolsa” no Palácio da Bolsa, no Porto. Uma organização da associação comercial do Porto dedicada ao Oceano, à Economia Azul e ao Século XXI.

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