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Se UE apostasse na transição energética "não continuaria a financiar o sr. Putin", diz Costa

15 jul, 2022 - 13:43 • Lusa

“Tivessem os outros países da União Europeia feito a aposta que nós fizemos e, seguramente, não continuariam [...] a adquirir gás da Rússia para satisfazer as suas necessidades.”

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Se UE apostasse na transição energética "não continuaria a financiar o sr. Putin", diz Costa  - Reportagem de Rosário Silva
Reportagem de Rosário Silva

O primeiro-ministro, António Costa, considerou esta sexta-feira que, se os outros países da Europa tivessem apostado na transição energética, como fez Portugal, “não continuariam a financiar o senhor Putin”, com a compra de gás russo.

“Tivessem os outros países da União Europeia feito a aposta que nós fizemos e, seguramente, não continuariam a financiar o senhor Putin, continuando a adquirir gás da Rússia para satisfazer as suas próprias necessidades”, afirmou.

António Costa, que discursava na inauguração da Central Solar Flutuante de Alqueva, junto ao paredão da barragem alentejana, defendeu que “a trágica conjuntura tornou mais clara a vantagem” da aposta estratégica nas energias renováveis feita por Portugal.

Assinalando que “a maior fragilidade da Europa” perante a ameaça russa “é a falta de autonomia energética”, o chefe do Governo insistiu que, se os outros países tivessem seguido Portugal, “a resposta da União Europeia perante a invasão da Ucrânia pela Rússia teria sido muito diferente”.

“Hoje, já é mais claro para todos que Portugal fez no tempo certo a aposta certa”, vincou, sublinhando que o próximo passo do país “não é andar para trás”, mas, pelo contrário, “andar mais depressa e acelerar este processo de transição energética”.

O primeiro-ministro notou que vários países europeus estão a sentir a “necessidade de discutir se não têm de dar passos atrás no processo de transição energética”, mas avisou que Portugal não tem de fazer essa discussão.

“Aquilo que temos de discutir é como é que conseguimos acelerar a trajetória que iniciámos e como podemos avançar mais no eólico e no solar e rentabilizar o hídrico”, realçou.

No seu discurso, António Costa assinalou que o país “começou a trabalhar cedo na transformação do paradigma energético”, apesar de existirem “velhos do Restelo” que eram “contra as energias renováveis”.

“Mas Portugal só venceu quando ultrapassou os velhos do Restelo. Foi assim quando se fez ao mar, foi assim quando, depois de décadas de paralisação, fez mesmo o Alqueva e foi assim quando apostou decisivamente nas energias renováveis”, acentuou.

O chefe do Governo disse também que o país ter “investido atempadamente” nas renováveis é vantajosa para os portugueses, pois o custo da eletricidade, ao contrário de outras energias, “está a baixar em Portugal”.

“Quem está no mercado regulado da eletricidade já teve uma redução de 3,7% do preço que paga de eletricidade mensalmente”, indicou.

Costa sustentou que a descida dos preços “é possível” graças ao “bom sistema regulatório” e, sobretudo, e ao “'mix' energético”, que tem “uma grande intensidade de energias renováveis”, ou seja, “60% da eletricidade” consumida “tem origem nas renováveis”.

Já no gasóleo e na gasolina, apesar das medidas do Governo para atenuar os aumentos, que já ascendem a um total de “1.682 milhões de euros”, os consumidores estão “a pagar mais”, acrescentou.

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