Tempo
|
A+ / A-

Defesa. Costa condiciona "aceleração" para 2% do PIB a fundos europeus

30 jun, 2022 - 14:11 • Lusa

Questionado se o Governo se compromete a atingir os 2% do PIB até ao final da legislatura, o primeiro-ministro respondeu: "Não, até ao final da década".

A+ / A-

O primeiro-ministro afirmou esta quinta-feira que Portugal poderá "acelerar a convergência" para atingir a meta dos 2% do PIB reservados à Defesa caso sejam disponibilizados fundos comunitários, comprometendo-se apenas a atingir essa meta "ao longo da década".

"Está neste momento, no quadro das discussões [na União Europeia] sobre política de segurança e defesa, em discussão a existência de recursos comunitários. Se esses recursos comunitários existirem, nós podemos naturalmente acelerar a convergência para esse objetivo", afirmou António Costa, em referência à meta de 2% do PIB reservados à defesa, assumida pelos Aliados da NATO numa cimeira no País de Gales, em 2014.

O primeiro-ministro falava em conferência de imprensa no Parque de Exposições de Madrid, no nordeste da capital espanhola, no final da cimeira dos chefes de Estado e de Governo da Organização do Tratado do Atlântico.

Costa afirmou que, desde 2018 que Portugal clarificou "por escrito" que o ritmo da sua convergência para "o objetivo fixado em Gales dos 2% do PIB seria necessariamente dependente daquilo que é o quadro de fundos comunitários disponíveis".

"Em 2018, (...) no debate para o Quadro Financeiro Plurianual, estava previsto expressamente existir um fundo para defesa. Depois, no acordo final, sobre o Quadro Financeiro Plurianual, esse fundo desapareceu", recordou.

O primeiro-ministro sublinhou assim que, durante a cimeira da NATO, Portugal reafirmou que pretende atingir os 2% "ao longo da década", reiterando que o país "não gosta de assumir compromissos que não sejam certos e seguros".

"O mundo vive, a Europa vive, e Portugal necessariamente também vive um momento de incerteza, com uma tensão inflacionista muito significativa e, tendo nós um objetivo central da nossa política financeira, que é alcançar uma redução significativa da nossa dívida pública", afirmou.

O primeiro-ministro sublinhou assim que o Governo pretende que, até ao final da legislatura, a dívida pública do país "esteja na casa dos 100% do Produto Interno Bruto (PIB)".

"E, portanto, temos de compatibilizar as necessidades que temos de cumprir este objetivo com as necessidades de continuar a assegurar o financiamento do conjunto das atividades que o Estado português assegura, na área da educação, na área da saúde, na área das políticas sociais, na área da política de habitação, e também necessariamente na área da política de Defesa".

Para António Costa, "é na combinação destas múltiplas necessidades e dos recursos" de que o Estado português dispõe, que o Governo vai "todos os anos" "acomodando orçamentalmente as soluções, nunca esquecendo" o objetivo de reduzir o défice e a dívida pública "para garantir a sustentabilidade futura do país".

Questionado se o Governo se compromete a atingir os 2% do PIB até ao final da legislatura, Costa respondeu: "Não, até ao final da década".

O primeiro-ministro reiterou ainda que Portugal antecipou para 2023 a meta que tinha estabelecido para 2024 em termos de investimento em Defesa, designadamente a meta de reservar 1,66% do PIB para o efeito.

Segundo estimativas divulgadas pela NATO na segunda-feira, Portugal deverá reservar, em 2022, 1,44% do PIB à Defesa.

Em setembro de 2014, poucos meses após a anexação da Crimeia pela Rússia, os líderes da NATO, reunidos em cimeira no País de Gales, comprometeram-se a investir 2% dos respetivos PIB em Defesa.

Neste âmbito, Portugal estabeleceu um plano de reforço do seu investimento segundo o qual, em 2024, seria reservado 1,68% do PIB nacional à Defesa.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

  • Cidadao
    30 jun, 2022 Lisboa 13:54
    Duvido muito, mas mesmo muito, que a NATO engula esta conversa: 2% a atingir até ao final da década - até daqui a 8 anos, portanto - e só se houver " um quadro de fundos comunitários disponíveis" é que se pode "apressar" as coisas. Ora a NATO quer já a partir do próximo ano ter uma força disponível de 300 000 militares, 8 vezes mais que tem agora, em que a "nossa parte" é de 12 000 soldados com 2 000 viaturas táticas, 7 navios de guerra e 50 aeronaves mínimo, força essa, que não existe agora nem nada que se pareça - temos 1200 soldados, 1 único navio disponível a 100% embora haja 7 na Marinha, e no máximo umas 20 aeronaves e mesmo aí ... A Segurança é para TODOS e TODOS vão ter de contribuir, incluindo nós. Não estou a ver a NATO dizer: "Sim senhor, voltamos a falar com vocês (Portugal) em 2030... O Costa vai ter de procurar na reserva de paleio, tudo o que tiver para enganar, ou então, de suspender o apoio aos múltiplos Elefantes Brancos que andamos a sustentar e canalizar essas fortunas para umas Forças Armadas em condições, já que para o Social, nunca quis fazê-lo.

Destaques V+