Tempo
|
A+ / A-

Descida do preço do gás não influenciará o preço da eletricidade a curto prazo, diz DECO

09 mai, 2022 - 19:56 • Hugo Monteiro com Redação

Ainda não será para já que a descida do preço do gás se fará sentir na fatura dos consumidores de energia. A DECO relembra que contratos anuais dos consumidores domésticos impedem alterações imediatas.

A+ / A-

A descida do preço do gás poderá fazer sentir impactos significativos no preço da eletricidade. No entanto, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) relembra que a maioria dos pequenos consumidores de energia têm contratos anuais, pelo que não haverá qualquer alteração imediata nos tarifários.

Para os consumidores industriais o cenário poderá ser diferente. Pedro Silva, da DECO, explicou, à Renascença, o impacto real da alteração dos preços do gás no preço da eletricidade.

“Para os industriais, esta baixa de preços, uma vez que os contratos são muito mais reduzidos e alguns deles estão mesmo indexados ao mercado grossista, poderá ser muito mais imediata. Para os consumidores domésticos, os contratos vigoram normalmente durante um ano, quem está a contratar agora e a mudar de operador tem tarifários muito altos relativamente aqueles que revigoravam no início do ano e, portanto, estas revisões são dadas em determinados momentos”, afirmou o representante da DECO.

Os impactos não serão sentidos de imediato, ainda que Bruxelas tenha dado luz verde à proposta que limita o preço do gás e o respetivo impacto no preço da eletricidade. A Comissão Europeia aprovou a introdução de um mecanismo temporário para fixar o preço médio do gás em 50 euros por megawatt/hora.

Em declarações à Renascença, Pedro Silva afirma que a proposta apresentada não é clara e espera que as dúvidas suscitadas sejam esclarecidas pelo Governo.

O representante da DECO diz ainda que será o consumidor quem acabará por pagar a diferença entre o preço agora definido e o preço real do gás nos mercados internacionais. “O que estaremos aqui a assistir é um diferimento de custos porque, se para produzir eletricidade é preciso pagar 100 euros por cada megawatt de gás natural utilizado, mas os operadores estão limitados a um preço de 50 euros, esta diferença terá de ser paga pelos utilizadores, que neste caso são os consumidores”.

Apesar da relação existente entre preços do gás e da eletricidade, “não existe uma obrigação" para o preço da eletricidade baixar.

“O preço do gás irá afetar o preço da produção de eletricidade e espera-se que este venha a baixar, mas não existe aqui uma obrigação exceto para o mercado regulado”, esclarece.

No caso do mercado regulado esta descida terá impacto, mas Pedro Silva relembra que esta é apenas uma parcela mínima. “Para o marcado regulado, se o desvio for superior a 10% irá existir uma revisão, mas estamos a falar de 900 mil consumidores para os outros cinco milhões e meio”.

Pedro Silva afirma que a descida do preço da eletricidade está nas mãos das empresas, que não estão obrigadas a fazer refletir eventuais descidas no custo de produção, no preço final para o consumidor. As empresas “vão refletir este eventual decréscimo de custos ao adquirir a eletricidade e depois ou comercializam ou tentam compensar de alguma forma algum tipo de prejuízo ou aumentar as suas margens”.

Tópicos
Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+