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​Centeno afasta cenário de crise, mas reconhece "momentos de desafio"

11 mar, 2022 - 12:05 • Susana Madureira Martins , Cristina Nascimento

Governador do Banco de Portugal explicou que o conceito de estagflação prevê, entre outras, uma taxa de desemprego elevada, o que não deve acontecer.

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O governador do Banco de Portugal (BdP) afasta um cenário de estagflação, no sentido mais rigoroso deste conceiro, mas alerta para um crescimento da economia muito baixo num cenário de inflação elevada.

“Os cenários de estagflação que nos dicionários de economia têm três componentes: crescimento nulo ou mesmo negativo, inflação elevada e em aceleração e um mercado de trabalho com desemprego elevado. Nós não temos esta terceira condição na Europa”, disse Centeno durante na conferência “Portugal: objetivo crescimento”, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

"Honestamente não prevejo que ela se venha a concretizar-se", disse Centeno a respeito de uma evenual taxa de desemprego elevada, acrescentando: “Puristas das definições podem ficar confortados de que os três pilares da definição de estagflação, na minha visão podem não ser cumpridos".

Ainda assim, reconheceu que "que enfrentamos momentos de desafio com crescimento muito baixo e inflação elevada”.

Mário Centeno defendeu ainda nesta sessão a urgência na aplicação dos fundos europeus e deixou críticas à Administração Pública que acusa de "não estar ciente" sobre esta prioridade.

"Eu mantenho como prioridade número um aquilo que é uma utilização efetiva, eficaz e transvesal dos fundos europeus. Acreditem, desta vez é mesmo diferente", assegurou.

Centeno disse ainda que "ao olhar para os parcos 17% de investimento público financiado por fundos europeus nas contas nacionais de 2021 eu diria que não está mesmo nada ciente".

"É uma urgência enorme e uma obrigação que temos também para com a construção europeia que os fundos sejam efetivamente utilizados", apelou também.

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