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VISTO DE BRUXELAS

Consequências do braço-de-ferro Barcelona-Madrid

27 out, 2017 - 14:47

O Visto de Bruxelas é o espaço onde analisamos todas as sextas-feiras os assuntos que vão marcando a actualidade na União Europeia. Hoje, atenções centradas no braço de ferro entre Barcelona e Madrid, num dia que - tudo indica - pode ser decisivo para o futuro da independência da Catalunha.
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2017.10.27 Visto de Bruxelas
2017.10.27 Visto de Bruxelas

Aguarda-se a todo o momento o discurso de Carles Puigdemont, pressionado pelos partidos que o apoiam para avançar de forma unilateral com a separação de Espanha. Enquanto isso, em Madrid, Mariano Rajoy pede autorização ao Senado para destituir a Generalitat e pôr fim ao que diz ser a maior burla à democracia. Basicamente, que viabilize a aplicação do artigo constitucional que suspende a autonomia regional.

Nesta altura está reunido em Barcelona o plenário do parlamento catalão. Várias fontes citadas pela imprensa espanhola revelam uma proposta de resolução dos dois partidos que apoiam Carles Puigdemont. O texto invoca o direito da Catalunha a constituir-se como república em forma de estado independente.

Para Francisco Sarsfield Cabral, Puigdemont “habituou-nos a ter uma posição pouco clara e pode vir dali mais do mesmo”. Há leis muito duras para quem declara a independência de regiões autónomas em Espanha e o comentador de assuntos europeus acha que o papel de Puigdemont pode ser meramente simbólico.

Francisco Sarsfield Cabral alerta para o facto de estas declarações independentistas estarem a prejudicar gravemente a economia catalã e a espanhola em geral (uma vez que a Catalunha a região mais produtiva de Espanha). E, para Portugal, uma Catalunha independente seria prejudicial porque o nosso país “tem um hábito de lidar com Espanha, sabe lidar com este país e seria complicado ter de gerir várias sensibilidades no território vizinho”.

BCE corta nas compras de dívida em 2018

A partir de Janeiro, o Banco Central Europeu vai reduzir para metade a compra de dívida. Algo que já era esperado: o Conselho de governadores decidiu manter os juros inalterados e prolongar a compra de activos, pelo menos até setembro de 2018, mas a partir de Janeiro as compras mensais passam para metade.

Qual o impacto que isto tem no caso português? Sarsfield Cabral acha que o impacto vai se reduzido porque o mais importante é que não se fixou nenhum fim para o programa. Isso sim, seria prejudicial. Trata-se de uma transição suave e sem data fixa, já esperada e que não terá um efeito negativo para o nosso país.

Semana marcada pelos fogos em Portugal e Espanha

As consequências dos incêndios continuaram a marcar a agenda da UE, com o presidente da Comissão Europeia a insistir na necessidade de reforçar os meios de emergência comunitários. Juncker disse não ser normal “quando se declara um incêndio num domingo de manhã, e esse avião só chega quarta-feira para ajudar”.

Parece formar-se um consenso na UE com essa ideia de criar uma verdadeira força de Protecção Civil comunitária, uma ideia que já tem uns anos, mas que nunca saiu do papel. Bruxelas vai apresentar propostas concretas em breve nesse sentido. Carlos Martins, porta-voz da Comissão Europeia, reconhece que este ano foi o pior de sempre.

Entretanto a Comissão confirma que Portugal pediu a activação do Fundo Europeu de Solidariedade para ajudar a enfrentar as consequências dos incêndios e poderá haver uma resposta em breve.

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