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Arqueólogos encontram povoado com 1.500 anos em Miranda do Douro

19 set, 2017 - 12:41 • Olímpia Mairos

Escavações realizadas permitiram perceber que o castro de S. João das Arribas teve uma ocupação humana descontinuada, desde a Idade do Bronze até ao século I, já no Império Romano, e, depois, até ao século VII.

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As mais recentes escavações arqueológicas no castro de S. João das Arribas, em Miranda do Douro, colocaram a descoberto “dados importantes” sobre a ocupação humana de um sítio que poderá remontar ao período alto medieval.

Ao longo de um mês, foram realizadas quatro sondagens arqueológicas e os arqueólogos descobriram ocupação humana que remonta ao período alto medieval -séculos V e VI..

Segundo a arqueóloga Mónica Salgada, é possível ver o que resta de “quatro edifícios, uma calçada, um possível lagar, uma lareira e um conjunto de artefactos em bronze, moedas e muita cerâmica”.

O balanço do trabalho realizado, é por isso, muito positivo, “não só pela quantidade de material encontrado, mas também pela beleza das peças encontradas, que apontam para a monumentalidade do sítio arqueológico, que se encontra em estudo”, realça a arqueóloga.

Os arqueólogos que integram o Projecto de Investigação S. João das Arribas sublinham ainda que as escavações realizadas no ano passado permitiram perceber que “o castro teve uma ocupação humana descontinuada, desde a Pré-História (Idade do Bronze) até ao século I, já no Império Romano, e depois da queda deste até ao século VII”.

O arqueólogo Pedro Pereira, da Universidade do Porto, considera que é preciso escavar mais para melhor compreender este sítio arqueológico que pode ir desde a Idade do Bronze até ao período alto medieval.

“Se queremos compreender, é necessário escavar e quanto mais escavamos mais compreendemos, também surgem muitas novas questões, mas é isso o interessante na investigação”, refere.

E até ao momento o que os arqueólogos conseguiram compreender, por exemplo, a nível de cerâmica é que se trata de “cerâmica doméstica ou seja, são níveis de ocupação de habitação”.

“Temos locais que estão associados ao depósito de matérias-primas devido aos espaços colocados a descoberto, tais como um celeiro ou um lagar”, exemplifica.

O projecto de investigação S. João das Arribas vai já no seu segundo ano, de um conjunto de quatro. Os próximos dois anos serão reservados para a abertura de mais sondagens e para o início do processo de musealização de todos os achados que, ao que tudo indica, ficarão em Aldeia Nova, a localidade mais próxima deste castro situado no distrito de Bragança.

“Pretendemos criar um museu, onde possa ficar exposto todo o espólio encontrado e deixar no local e à vista de todos algumas das construções descobertas”, revela Mónica Salgado.

Quanto ao material descoberto nas mais recentes escavações “vai ficar guardado num sítio apropriado, para ser estudado, catalogado, inventariado e limpo, para se poder fazer uma interpretação rigorosa do conjunto do espólio arqueológico exumado”, frisa a técnica.

Nas escavações participaram voluntários de Espanha, Rússia, Polónia, Ucrânia, Itália, França e Irão.

O castro de S. João das Arribas está classificado como monumento nacional desde 1910. Fica no Parque Natural do Douro Internacional, junto à localidade de Aldeia Nova, no concelho de Miranda do Douro.

O Projecto de Investigação S. João das Arribas, na Aldeia Nova, Miranda do Douro, é um projecto de investigação arqueológica que, através de operações de baixo impacto, como prospecções e sondagens, pretende trazer à luz novos dados sobre a romanização e ocupação humana no território do planalto mirandês.

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  • F. Castro
    19 set, 2017 Sacavém 19:23
    Extraordinária descoberta! Descobrir a história dos nossos antepassados, os seus costumes é uma obrigação de enrequecimento cultural e que deve estar presente em todos nós a começar nas escolas. Obrigado pelo vosso envolvimento e dou os parabéns a todos que estão envolvidos.
  • Fernando Jorge Cardo
    19 set, 2017 Algés 17:10
    Arqueólogos encontram? diz no texto que classificado em 1910...quantos anos tem a notícia? mas é sempre bom encontrar as nossas origens...

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