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Solidão está a tornar-se uma "epidemia" e pode ser pior que a obesidade

07 ago, 2017 - 08:59

Esta é a conclusão de uma investigação apresentada na convenção anual da Associação Americana de Psicologia, que indica que a ligação social a outros é crucial para a sobrevivência e bem-estar.

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A solidão e o isolamento social podem tornar-se num perigo para a saúde pública maior do que a obesidade, revela uma investigação apresentada na 125.ª Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia.

“Estar ligado a outros socialmente é amplamente considerado uma necessidade humana fundamental, crucial para o bem-estar e sobrevivência. Exemplos extremos mostram que crianças institucionalizadas que não têm contacto humano não se desenvolvem e muitas vezes morrem”, apontou Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia da Universidade Brigham Young, nos Estados Unidos.

De acordo com a investigadora, prova disso está no facto de o isolamento social e o confinamento social serem usados como forma de punição.

Para ilustrar o impacto do isolamento social e da solidão no risco de morte prematura, a psicóloga apresentou dados de duas análises. A primeira envolveu 148 estudos, nos quais participaram mais de 300 mil pessoas e revelou que uma maior relação social está associada a uma redução em 50% no risco de morte prematura.

Por outro lado, a segunda análise, que envolveu 70 estudos e mais de 3,4 milhões de pessoas, não só norte-americanos, mas também europeus, asiáticos e australianos, avaliou o papel que o isolamento social, a solidão ou o viver sozinho podem ter na mortalidade.

Os investigadores descobriram que estes três factores têm igual efeito no risco de morte prematura e que um deles tinha igual ou superior efeito ao de outros factores de risco, como a obesidade.

Quais os desafios?

“Há uma forte evidência de que o isolamento social e a solidão aumentam o risco da mortalidade prematura, e a magnitude do risco ultrapassa a de muitos indicadores de saúde”, apontou Holt-Lunstad.

A investigadora alertou que com o aumento da idade média da população, o efeito na saúde pública “só deverá aumentar”. “De facto, a realidade em muitos países sugere que estamos perante uma epidemia de solidão. O desafio que agora se coloca é o de que é que podemos fazer contra isso”, acrescentou.

A investigadora recomendou que seja dada maior prioridade, tanto em pesquisas como em recursos, para enfrentar esta ameaça à saúde pública a nível individual. Nesse sentido, sugeriu um maior enfoque no treino das capacidades sociais das crianças nas escolas e que os médicos incluam as conexões sociais no momento da triagem médica.

Por outro lado, alertou que todas as pessoas se devem preparar para uma aposentação social, mas também financeira, já que muitos dos laços sociais estão relacionados com o local de trabalho.

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