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​Psiquiatras alertam que sensacionalismo sobre "Baleia Azul" aumenta automutilações

06 mai, 2017 - 10:36

Associação pede actuação responsável por parte da comunicação social, no sentido de minimizar o efeito de contágio, e sublinha que o esquema é "um crime que exige a actuação" policial e judicial.

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A associação de psiquiatras da infância alerta para a necessidade de os meios de comunicação social pararem com os conteúdos sensacionalistas nas notícias sobre a "Baleia Azul", afirmando que estes estão a contribuir para o aumento do fenómeno.

Num comunicado divulgado este sábado, a Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência (APPIA) afirma assistir "com preocupação" à forma como o fenómeno "Baleia Azul" - fenómeno na Internet que estimula a automutilação e o suicídio - tem sido "tratado nos meios de comunicação social, com recurso a conteúdos sensacionalistas (que chegam a incluir imagens de cortes)".

"Queremos manifestar o nosso claro desacordo com este tipo de tratamento e difusão da informação", afirma a direcção da associação, presidida por Teresa Goldschmidt, coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência e Saúde Mental Infantil e Juvenil do Hospital de Santa Maria.

Segundo os psiquiatras, o tratamento noticioso que está a ser dado a comportamentos autolesivos em jovens está "em clara contradição com as orientações da Organização Mundial da Saúde".

Essas normas, já transpostas para o Plano Nacional de Prevenção do Suicídio, desaconselham "a linguagem sensacionalista" e recomendam "o evitar de imagens e de descrições explícitas dos métodos usados para actos suicidários e/ou comportamentos autolesivos".

A razão prende-se com a propensão para a imitação que tais comportamentos geram nos outros.

"Os comportamentos autolesivos (tanto os suicidários como os não suicidários - vulgo "cortes", "automutilações") são altamente propensos a fenómenos de contágio e imitação, sobretudo em jovens adolescentes, podendo gerar verdadeiras 'epidemias'", alerta a associação.

Estes profissionais de saúde mental vão ainda mais longe e mostram-se convencidos de que isso já está a acontecer, "gerando uma onda de pânico nos familiares, cuidadores e comunidade, que não está a ser fácil de conter, e que potencia o fenómeno".

"Face a esta situação, é essencial que os meios de comunicação social tenham uma actuação responsável, no sentido de minimizar (ou pelo menos não agravar) o efeito de contágio em curso, evitando usar expressões e projecção de imagens que glorifiquem ou reforcem esse efeito", afirma a associação.

Os psiquiatras infantis reforçam ainda a ideia de que "a 'baleia azul' não é um jogo (num jogo ganha-se ou perde-se)", desincentivando o uso deste termo, que pode ser considerado apelativo ou desafiador pelos jovens.

Na verdade - especificam -, a "Baleia Azul" é "um esquema de manipulação e abuso de menores e, como tal, deve insistir-se em não lhe chamar um jogo ou um desafio, uma vez que esses termos mais não são que engodos para cativar adolescentes mais influenciáveis e ingénuos".

A APPIA lança ainda um repto às autoridades, assinalando que o "esquema baleia azul" é "um crime que exige a actuação" policial e judicial.

A associação lembra que "como em todas as situações de comportamentos predatórios, os mais susceptíveis são os mais frágeis, ou seja, os adolescentes mais imaturos, influenciáveis e sugestionáveis".

Comentários
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  • Fim da civilização
    06 mai, 2017 lx 13:33
    O que os mass media querem é apresentar notícias e demonstrar o seu poderio...! Viva aos mass media. Viva!
  • Fernando Ferreira
    06 mai, 2017 Amadora 12:39
    Se tivesse na família uma situação destas, com evidente "intromissão" dos media para o conhecimento do fenómeno, os meus "alvos" estavam encontrados e as consequências obvias!!!
  • André
    06 mai, 2017 Lisboa 12:37
    Para além disso, também está a criar uma capa protectora a abusos por parte dos jovens. Já existem vários casos em que jovens vão parar aos hospitais e para não revelarem o que se passou, dão a desculpa que foi um jogo que encontraram numa rede social e que alguém os mandou fazer aquilo. Entretanto, os meios de comunicação social agarram-se a isso e vá de fazer programas de 24 horas sobre os "milhares de casos já relatados".
  • Luis Silva
    06 mai, 2017 Setúbal 12:33
    Obviamente Canais como o Correio da Manhã. Tv, passam os dias a mostrar as imagens de braços e pernas cortados com lâminas, dos adolescentes que entram no jogo. É o alimento de que este canal se alimenta: dor...sangue...tragédias...enfim. Já pensei onde anda a autoridade que regula a comunicação...pois tenho achado que este canal ultrapassa tudo o que é razoável. Claro que não estou a pôr em causa a liberdade de informação....mas isto é mais um canal da exploração da dor e sofrimento para gáudio das audiências e quanto a mim deve andar a ultrapassar uma qualquer fronteira ética . Lamentável.

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