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“O mundo tem uma sede ardente de paz”. Papa critica “paganismo da indiferença”

20 set, 2016 - 17:56 • Aura Miguel , Matilde Torres Pereira com Ecclesia

Perante os líderes de várias confissões religiosas e centenas de fiéis, o Papa Francisco fez um renovado apelo à paz e ao diálogo e repudiou a violência e o terrorismo. “Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes.”

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“O mundo tem uma sede ardente de paz”. Papa critica “paganismo da indiferença”

O Papa Francisco advertiu esta terça-feira durante um encontro inter-religioso pela paz em Assis contra o “paganismo da indiferença”, a que chamou “um vírus que paralisa, nos torna inertes e insensíveis”.

Perante centenas de responsáveis, o Papa sublinhou que “hoje o mundo tem uma sede ardente de paz”, e que não se pode deixar cair no esquecimento as “tragédias” que são as guerras e aqueles que por causa delas “se encontram sem voz e sem escuta”.

“Nós não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração”, declarou Francisco. Na Praça de São Francisco, junto do Papa, estavam o rabino Abraham Skorka, da Argentina, seu amigo de longa data. Abbas Shuman, vice-presidente da Universidade Al-Azhar (Egipto), e Gijun Sugitani, conselheiro supremo da Escola Budista Tendai (Japão).

“Diversas são as nossas tradições religiosas”, apontou o Papa, explicando, de seguida, “para nós, a diferença não é motivo de conflito, de polémica ou de frio distanciamento”. “Hoje não rezamos uns contra os outros”, mas “uns ao lado dos outros, uns pelos outros”, afirmou.

“Neste dia, a sede de paz fez-se imploração a Deus, para que cessem guerras, terrorismo e violências.”

Os participantes ouviram o testemunho de Tamar Mikalli, vítima da guerra na Síria, que teve de fugir da cidade de Alepo e chegou à Itália através de corredores humanitários, bem como o testemunho de um rabino, sobrevivente do Holocausto, e intervenções de vários representantes religiosos.

Francisco encerrou o encontro com uma reflexão sobre a importância da oração pela paz. “A oração e a vontade de colaborar comprometem a uma paz verdadeira”, acrescentou, “não a abordagem virtual de quem julga tudo e todos no teclado dum computador, sem abrir os olhos às necessidades dos irmãos nem sujar as mãos em prol de quem passa necessidade”.

“O nosso futuro é viver juntos. Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio. Que os crentes sejam artesãos de paz na invocação a Deus e na acção em prol do ser humano!”, concluiu o Papa Francisco.

Líderes religiosos fazem apelo conjunto pela paz. “Com os que sofrem, bradamos: Não à guerra!”

O encontro internacional e inter-religioso pela paz em Assis, com o tema “Sede de paz. Religiões e cultura em diálogo”, terminou com a leitura de um Apelo de Paz, entregue depois a crianças de vários países, para o distribuírem pelos líderes políticos e diplomáticos, após um momento de silêncio pelas vítimas das guerras.

No apelo, pede-se que se realize “o encontro no diálogo”, e a oposição “todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo”.

“Com a guerra, todos ficam a perder, incluindo os vencedores”, apelaram os vários líderes religiosos na declaração conjunta. “Com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso”, afirmaram.

“Colocamo-nos à escuta da voz dos pobres, das crianças, das gerações jovens, das mulheres e de tantos irmãos e irmãs que sofrem por causa da guerra; com eles, bradamos: Não à guerra!”

Foi feito ainda um apelo dirigido aos governantes mundiais: “Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes. Imploramos aos responsáveis das nações que sejam desactivados os promotores das guerras: a ambição de poder e dinheiro, a ganância de quem trafica armas, os interesses de parte, as vinganças pelo passado.”

“Cresça o esforço concreto por remover as causas subjacentes aos conflitos: as situações de pobreza, injustiça e desigualdade, a exploração e o desprezo da vida humana”, conclui o Apelo de Paz. “Nada se perde, ao praticar efectivamente o diálogo. Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração.”

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