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Cessar-fogo entra em vigor na Síria

12 set, 2016 - 17:16

Turquia, Rússia e Estados Unidos estão de acordo. Damasco e grupos rebeldes não o anunciaram oficialmente, mas também devem respeitar o cessar-fogo.

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Entrou oficialmente em vigor o cessar-fogo na Síria, mediado por Washington e por Moscovo. As tréguas começaram ao pôr-do-sol na Síria, 17h00 em Lisboa.

O regime de Damasco e a maioria dos grupos rebeldes que o combatem não disseram oficialmente que aceitam o acordo, mas há indicações de que o respeitarão, com as forças armadas da Síria a dizer que haverá um "regime de calma" durante a próxima semana, mas reservando-se ao direito de responder a agressões. Outros grupos rebeldes já aceitaram o cessar-fogo, incluindo as forças curdas. A Turquia, outra parte envolvida no conflito, também está alinhada com os EUA e com a Rússia.

Os termos do cessar-fogo prevêem a cessação de hostilidades durante sete dias, mas excluem dois dos grupos rebeldes, nomeadamente o autodenominado Estado Islâmico e a Jabhat Fateh al-Sham, ex-Jabhat al-Nusra, próxima da al-Qaeda. Ambos serão alvo de ataques coordenados por parte da Rússia e dos EUA.

A complexidade da guerra civil na Síria torna qualquer negociação de paz ou de cessar-fogo extremamente complexa. Neste conflito não existem apenas rebeldes e forças leias ao regime. Há grupos rebeldes que combatem entre si, como é o caso do Estado Islâmico e quase todas as outras milícias; há grupos que são contra o regime, mas por via das circunstâncias acabam por combater mais os grupos extremistas islâmicos, como é o caso das milícias curdas apoiadas por grupos armados cristãos; e há grupos, como por exemplo os apoiados pela Turquia, que entraram na Síria para combater o regime mas deram por si a combater as forças curdas, por imposição de Ancara.

Moscovo tem apoiado inequivocamente o regime e os EUA têm dado algum apoio a grupos rebeldes, procurando, nem sempre com sucesso, que esse apoio não acabe por fortalecer os grupos extremistas islâmicos. Contudo, os dois países conseguiram alcançar um acordo para cessar-fogo que poderá trazer um período de tréguas para o país que há mais de cinco anos é devastado pela guerra.

Maiores hipóteses de sucesso?

Lívia Franco, especialista em relações internacionais e docente na Universidade Católica, recorda que já houve mais de uma dezena de tentativas de acordo e de cessar-fogo, mas que este tem maiores possibilidades de ter resultados palpáveis, uma vez que “procura ser mais detalhado nos mecanismos de aplicação concreta.”

A professora espera que a “curva de aprendizagem” leve as forças beligerantes a compreender que a o cessar-fogo é a única forma de abordar a gravíssima crise humanitária que afecta as partes do país que têm sido mais afectados pela guerra.

[Notícia actualizada às 17h33]

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  • NL
    12 set, 2016 Ermesinde 19:42
    O Fogo nada resolve. Só complica. É urgente acabar com ele. Bem hajam aqueles que lutam pelo seu cessar. Vida só há uma e é preciso persevá-la. A morte é certa mas quanto mais tarde, melhor. O essencial é viver com dignidade e ser-se feliz durante o curto prazo que Deus nos concede, nesta terra.
  • Madala
    12 set, 2016 Évora 19:34
    Deus queira que haja paz para bem de todos . Mas há uma coisa que me repugna : outros países a negociarem a paz num país soberano.. e no fim de contas chegamos à triste conclusão que a América e a Rússia são quem faz a guerras no mundo todo. A Rússia ainda pode alegar que foi chamada pelo governo da Síria, agora os Americanos? De certeza que os rebeldes vão alinhar porque são financiados por estes.
  • COUTO MACHADO
    12 set, 2016 PORTO 19:28
    Se esta notícia fôr verdadeira, então será altura de se proibir as corridas de touros, que muitos acham bárbaras. Voltemos ao reinado de Dona Maria II, que as proibiu, mas a fidalgaria contornou o problema e passou a haver corridas de vacas.

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