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Caixa. Governo quer rever lei bancária para recuperar nomes chumbados pelo BCE

18 ago, 2016 - 10:00

“Tudo isto deveria ter sido tratado com máxima discrição” e “revela amadorismo”, considera Graça Franco, especialista em assuntos económicos e directora de Informação da Renascença.
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O Governo admite rever a lei bancária de modo a recuperar pelo menos alguns dos oito nomes propostos para o Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos e recusados pelo Banco Central Europeu (BCE).

"Vamos alinhar o Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras [RGICSF] com a directiva e isso resolve grande parte do problema", anunciou o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Mourinho Félix, ao “Jornal de Negócios”.

O BCE considera que, de acordo com aquele regime, as personalidades em causa excedem o limite de cargos em órgãos sociais em sociedades.

Entre os nomes rejeitados, segundo o "Jornal de Negócios", estão Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, Carlos Tavares, líder do grupo Peugeot Citroën, e Ângelo Paupério, co-presidente executivo da Sonae.

Mourinho Félix acredita que, com a lei alterada, "é preciso ver se as oito pessoas cumprem ou não os requisitos e se se querem conformar às novas exigências", de modo a poderem integrar o conselho da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Nas mesmas declarações ao “Negócios”, o secretário de Estado explica que, pela lei nacional, o presidente de um grupo que, por inerência, esteja na gestão de empresas participadas não cumpre os requisitos do RGICSF, mas não tem problemas à luz da directiva europeia.

Na quarta-feira à noite, o Governo revelou que Banco Central Europeu aprovou os 11 dos nomes propostos para o Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos, mas rejeitou outros oito por excederem o limite de cargos em órgãos sociais de outras sociedades.

O BCE, anunciou o Governo, atestou ainda a "adequação e a idoneidade de sete administradores-executivos propostos, de quatro administradores não-executivos e dos quatro membros do Conselho Fiscal".

“Um grande amadorismo”

A especialista em assuntos económicos Graça Franco, directora de Informação da Renascença, duvida que a alteração na lei anunciada vá resolver o problema.

“O secretário de Estado diz que resolve grande parte do problema, portanto não resolve a totalidade e alguém tem de ficar de fora ou optar por sair de outra sociedade”, começa por dizer.

Mas, acima de tudo, todo este processo “revela um grande amadorismo”, acrescenta, pois, se era para mudar, a lei deveria ter sido mudada antes de enviar a proposta de nomes para Frankfurt.

Nas declarações ao jornal, Mourinho Félix afirma que a alteração na lei ainda não se verificou porque "a Caixa não podia esperar mais pela nova administração". A administração anterior apresentou a demissão, forçando a tutela a tomar um decisão.

Mas Graça Franco levanta ainda outra questão: deverá a lei ser mudada? “A lógica da lei nacional é que não é bom a acumulação em excesso de cargos noutras sociedades”, sublinha, para concluir que “tudo isto deveria ter sido tratado com máxima discrição, porque vai fragilizar a nova administração”.


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Comentários
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  • CF
    18 ago, 2016 Beja 12:38
    "Um grande amadorismo" e " ... está, e está para durar ...". Duremos (?) nós também.
  • RC Victor
    18 ago, 2016 Lx 12:36
    Muda-se a lei para meter os amigos xuxalistas, sim senhor! E agora a esquerdalha geringonçada PC&BE? Calados?! Vão consentir? Mas a Caixa está falida, pois pagam os mesmos de sempre : IMIs do Sol, da vista, ISP, imposto sucessório, etc....
  • Carlos
    18 ago, 2016 Braga 12:11
    EM resumo, alterar-se a lei para dar jeito ao governo. Os "contribuintes" esses, têm de cumprir tudo e mais alguma coisa porque "é a lei"...
  • Americo
    18 ago, 2016 Leiria 11:27
    Amadorismo? Isso é pouco. Revela incompetência e falta de profissionalismo no mínimo. O que me preocupa é que os outros assuntos do País sejam tratados da mesma forma. Se isto fosse à um ano, não se ouvia falar de outra coisa. Este governo, pouco a pouco vai liquidando o que resta do sector financeiro. Tristeza.
  • dr Xico
    18 ago, 2016 Lisboa 11:24
    A FOME DOS BOYS... Costa começa a ceder aos BOYS do PS e tudo pode acabar mal. 1º foi as viagens dos secretários do estado pagas pela GAlp, agora 19 nomeados para so 11 trabalharem. A CREDIBILIDADE DA ESQUERDA COMEÇA A TREMER, já vimos isto noutros governos afinal são todos iguais??
  • Eborense
    18 ago, 2016 Évora 11:14
    O BCE não tem nada que se meter nos "tachos" da xuxalhada. Se o Dr. Costa quer arranjar mais jobs, o que tem o BCE a ver com isso? O BCE deve limitar-se a comprar a dívida pública que a geringonça vai fazendo crescer todos os dias e mais nada. Cada macaco no seu galho.
  • antonio
    18 ago, 2016 lisboa 10:38
    Era bom que o sr Costa e o seu Secretário de Estado ouvisse o comentário da jornalista Graça Franco. Uma coisa é certa se fosse a direita (PSD CDS) a fazer isto...assim tudo se tolera. Incompetência, amadorismo e claro " deixa colocar o amigo, para ajudar os "boys" " enfim!!! Centeno!