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"Dimensão espiritual pode fazer a diferença na recuperação dos doentes"

05 jul, 2016 - 18:12 • Ângela Roque

As Irmãs Hospitaleiras querem promover a reflexão e partilhar a experiência que têm.

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Com 12 casas de saúde em todo o país, onde prestam cuidados especializados de saúde integral a pessoas com doença mental, as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus sabem bem do que falam quando falam em apoio espiritual aos doentes. As Jornadas Hospitaleiras de Pastoral da Saúde acontecem esta quarta-feira.

“A área da espiritualidade é um dos aspectos fundamentais da nossa missão e do modelo assistencial”, sublinha a irmã Paula Carneiro, conselheira provincial, justificando a escolha do tema para as jornadas deste ano: " A Evangelização no mundo do sofrimento psíquico".

“Queremos partilhar o conhecimento que vamos adquirindo com aqueles de quem cuidamos no dia-a-dia, e com as suas famílias. Queremos mostrar como essa atenção ao doente, a dimensão da evangelização e da espiritualidade, é uma área importante para ajudar na recuperação global da pessoa."

“Penso que a área da espiritualidade é significativa para encontrarmos um sentido para o próprio sofrimento. E isto tem sido um pouco a marca diferenciadora das Irmãs Hospitaleiras, na atenção à pessoa que sofre, procurando que ela encontre sentido a partir também de um encontro consigo própria, com Deus, com o mundo, com as pessoas, de forma a encontrar também um sentido para aquilo que lhe acontece na vida”.

As jornadas destinam-se a quem trabalha na área – os capelães e assistentes espirituais de hospitais, os voluntários e visitadores, os estudantes e técnicos de saúde –, mas também ao público em geral, esteja ou não ligado à Igreja.

“Como instituição de Igreja a nossa forma de estar junto dos doentes é esta, mas a dimensão da espiritualidade no sofrimento abarca todas as pessoas. Porque, do que é que nós falamos? Falamos de proximidade, de capacidade de comunicação, de capacidade de promover a esperança nestas pessoas, de actuarmos desde o coração e da ciência ao mesmo tempo, e isto é transversal a todas as religiões e a todas as pessoas."

Contribuir para o debate sobre a eutanásia

Neste Ano da Misericórdia, e numa altura em que, a nível político, se pensa avançar com a eutanásia, as jornadas também podem ser um contributo para o debate.

“Creio que temos ainda muito que aprofundar para elucidar a população. Como estamos numa crise de valores, como diz o Papa Francisco, automaticamente deixa de ter sentido sofrer, deixa de ter sentido aquilo que é o negativo na nossa vida. E quando deixamos de sentir a dignidade da nossa própria vida, no fundo existimos para quê? É então que se colocam estas questões relacionadas com a eutanásia, com o suicídio assistido”, diz a irmã Paula Carneiro.

Para esta responsável é urgente “clarificar conceitos”. Diz que actualmente ainda não existe “uma discussão verdadeira na sociedade portuguesa”, e lembra que não poderá haver uma escolha livre e consciente enquanto não se assegurar a todos os portugueses o acesso a cuidados paliativos. Mas em Portugal “ainda não temos cuidados paliativos para todos, ainda não há um direito, só alguns é que têm acesso, e isso muda a forma como lidamos com o sofrimento em fim de vida".

As Jornadas Hospitaleiras de Pastoral da Saúde, subordinadas ao tema "A Evangelização no mundo do sofrimento psíquico", vão decorrer na quarta-feira, na Casa de Saúde da Idanha, em Belas, perto de Queluz. As inscrições (10 euros, com almoço) podem ser feitas até quarta-feira, por e-mail, embora o ideal seja seguirem ainda esta terça “por causa da logística do almoço”, lembra a irmã Paula.

A entrevista à conselheira provincial das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus foi transmitida no programa “Princípio e Fim” da Renascença, no último domingo, 3 de Julho.

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  • Maria Dulce Domingos
    06 jul, 2016 Trancoso-Guarda 15:55
    O corpo material é vaso da alma imortal. Assim sendo, não deve o homem destruir o que Deus criou, e só Ele sabe o dia, a hora, em que devemos voltar ao mundo espiritual.Há doentes que pelos seus sintomas levam a crer que pouco viverão e vivem por muitos anos e outros depois de curados partem sem o homem esperar. Esta prisão em que vivemos só Deus na sua infinita sabedoria e bondade deve acabar com ela. Não se julgue o homem maior do que o Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. O sofrimento é sempre um resgate e o dever do homem é aliviá-lo e não acabar com ele. Dar conforto, alívio, inspirar confiança no Pai Supremo de todos nós é caridade. Mesmo aquele que é incrédulo no último instante pode a sua alma virar-se para o Criador e evitar muitos sofrimentos no futuro.

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