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Morreu a lenda do desporto Muhammad Ali

04 jun, 2016 - 09:00

Foi tricampeão do mundo de pesos pesados, mas também deixou a sua marca fora dos ringues. Recusou combater na guerra do Vietname, lutou pelo direito dos negros e tornou-se numa das personalidades mais conhecidas do mundo.

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Muhammad Ali, ex-campeão do mundo de pesos pesados e uma das personalidades mais famosas e controversas do século XX, morreu na sexta-feira. Tinha 74 anos.

A notícia foi confirmada pelo porta-voz da família, um dia depois de a lenda do desporto ter sido internada num hospital de Phoenix, nos Estados Unidos, devido a problemas respiratórios.

Nasceu em Louisville, no Kentucky, a 17 de Janeiro de 1942. Os pais baptizaram-no Cassius Marcellus Clay Jr., mas mais tarde converteu-se ao Islão e mudou de nome para Muhammad Ali.

Começou a praticar boxe com 12 anos, porque lhe roubaram uma bicicleta nas ruas da sua cidade natal. Nunca mais parou.

Ganhou uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, de 1960, e deu o salto para os combates profissionais.

Segundo uma biografia, atirou a medalha a um rio depois de ter sido impedido de entrar num restaurante de Louisville por ser negro, mas outra versão da história de Ali refere que perdeu a medalha sem querer.

Foi o primeiro atleta a consagrar-se tricampeão do mundo de pesos pesados. O primeiro título foi conquistado em 1964 frente ao campeão em título e grande favorito Sonny Liston, que acabou por perder por K.O. técnico.

Outro combate histórico que ficou para sempre gravado nos anais do desporto opôs Ali a George Foreman, em 1974. A luta teve lugar no Zaire, actual República Democrática do Congo, e foi apelidada de "Rumble in the jungle”.

Apesar de ser um peso pesado, dentro do ringue era rápido. Movimentava-se de forma graciosa e fluída, tinha uma guarda baixa demais para o normal na altura e desferia socos demolidores.

Ao longo da carreira, conseguiu um registo de 56 vitórias, 37 por K.O. e cinco derrotas. Um dos seus lemas era: "Voar como uma borboleta e picar como uma abelha".

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O homem fora do ringue

Foram dos ringues era controverso, polémico, auto-confiante e dizia o que pensava. Na década de 60, aderiu à seita radical Nação do Islão e recusou combater na guerra do Vietname, o que lhe valeu um castigo desportivo de três anos.

Foi condenado a cinco anos de prisão, perdeu o título de campeão de pesos pesados e foi afastado dos ringues. Nunca chegou a ser preso e, em 1971, o Supremo Tribunal norte-americano anulou a sentença. Chegou a dizer: "Não tenho nada contra os Viet Cong".

Numa altura em que os negros lutavam contra a segregação nos Estados Unidos, Muhammad Ali era olhado como um exemplo por muitos jovens e defensores dos direitos civis.

Em 1984, Ali foi diagnosticado com a doença de Parkinson, que poderá ter sido uma consequência da sua carreira de pugilista.

Encontrou-se com líderes mundiais como o Papa João Paulo II, Nelson Mandela, a rainha Elisabete II, Fidel Castro ou Saddam Hussein.

Foi considerado o mais importante desportista do século XX pela revista norte-americana “Sports Illustrated", mas Ali não precisava do reconhecimento dos outros porque já tinha declarado ao mundo que era "o maior".

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  • rosinda
    05 jun, 2016 palmela 00:42
    facebook vai la vai!

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