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Portugueses criam transístor de papel que vai à final do Prémio Europeu do Inventor

26 abr, 2016 - 08:38

Elvira Fortunato e Rodrigo Martins são os rostos desta ideia que conseguiu criar transístores de celulose a partir de papel, com chips baseados em nanotecnologia, que substituem o silício por materiais orgânicos.

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A utilização de papel como um material de electrónica para fazer um transístor descartável levou os cientistas portugueses Elvira Fortunato e Rodrigo Martins à final do Prémio Europeu do Inventor 2016.

"Fizemos pela primeira vez no mundo o transístor de papel, em que o papel foi utilizado como um material de electrónica", disse à agência Lusa Elvira Fortunato.

Através de uma inovação tecnológica, os investigadores chegaram a transístores de celulose criados a partir de papel, com ‘chips’ baseados em nanotecnologia que substituem o silício por materiais orgânicos.

Este trabalho, um dos escolhidos para a categoria de investigação, "torna viáveis microchips baratos e recicláveis para aplicações de papel inteligentes, como bilhetes de avião automaticamente actualizáveis e rótulos de alimentos", acrescenta.

Elvira Fortunato explicou à Lusa que, para fazer um transístor, são necessários três materiais diferentes, ou seja, "materiais isolantes, que não conduzem electricidade, como é o caso do vidro ou do papel, materiais metálicos, bons condutores eléctricos, e materiais semi-condutores, a base de qualquer circuito integrado".

Uma espécie de fotocópia

"É como se fizesse uma fotocópia frente e verso, são camadas muito finas, revestimentos, que colocamos em ambas as faces do papel", numa delas é colocado o semi-condutor, na outra os condutores, os metais, e o transístor, aqui o isolante, que é a folha de papel, está no meio, relatou a cientista.

Realçou a utilização destes transistores em "aplicações de muito baixo custo, em embalagens inteligentes", como de produtos farmacêuticos ou de alimentos, pois "cada vez mais os objectos comunicam uns com os outros".

A cerimónia de anúncio dos vencedores da 11.ª edição do prémio de inovação do Instituto Europeu de Patentes (EPO na sigla em inglês) vai decorrer em Lisboa, a 9 de Junho.

O trabalho dos portugueses do Centro de Investigação de Materiais (CENIMAT) da Universidade Nova de Lisboa faz parte dos 15 finalistas, oriundos de 13 países, como França, Dinamarca, EUA, Índia, Itália ou Suécia, com invenções na segurança automóvel, bioquímica, comunicação, ambiente, electrónica, nutrição ou tecnologia médica.

Comentários
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  • Afonso carvalho
    26 fev, 2018 Viana do azeite 13:08
    Eu sou um grande cornudo e tenho umas orelhas q servem para viajar pelo mundo sem pagar bilhete de avião.
  • Adelino Costa
    27 abr, 2016 Barcelos 13:16
    O mundo não pára: cresce, avança, progride e soma. Só assim se constata o sinónimo de evolução, da humanidade... Faço votos, para que estas investigações sejam para uso e proveito, para a Paz Mundial.