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Bastonária dos Enfermeiros: “O que eu disse foi que a eutanásia é discutida dentro das equipas”

29 fev, 2016 - 14:24 • Anabela Góis

Depois da polémica aberta pelas suas declarações à Renascença, Ana Rita Cavaco diz que há debate, mas não a prática da eutanásia no SNS. “Discutir não é crime, sugerir não é crime, falar sobre as questões não é crime”.

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Bastonária dos Enfermeiros. "Eutanásia já é praticada nos hospitais públicos"
Veja e ouça as declarações da bastonária dos Enfermeiros ao programa "Em Nome da Lei" da Renascença

Depois das suas declarações, o Ministério Público já anunciou que vai abrir um inquérito, a IGAS vai investigar por ordem do ministro da Saúde, a Ordem dos Médicos mostra-se perplexa, a associação dos administradores hospitalares diz que nunca tinha ouvido falar de tal coisa. Esperava estas reacções à denúncia que fez na Renascença?

Não, porque elas baseiam-se de uma coisa que eu não disse. Não estou preocupada com a investigação a uma coisa que eu nem sequer referi.

Mas disse que assistiu a episódios em que médicos sugeriram provocar um coma insulínico.

O que eu disse foi que este assunto é discutido dentro das equipas e continuei concluindo que não estava dizer que é isso que se faz, nem que as pessoas o fazem…

Mas quando a minha colega lhe pergunta directamente se há casos de eutanásia diz que sim e diz que não é a única que faz esta denúncia…

O que eu me estava a referir é que este um assunto da ordem do dia respeitante às equipas dentro dos corredores dos hospitais. Efectivamente ele existe e eu estive o tempo todo a referir-me a isto. Inferirem coisas das minhas declarações que não estão lá, eu não posso fazer nada relativamente a isso.

Mas também diz que assistiu a médicos a sugerirem um coma insulínico, não diz isso?

Sugerir, em equipa. Mas como se assiste, em equipa, a variadíssimas sugestões relativamente a uma série de coisas.

Mas se isto é um ilícito porque é que nunca denunciou?

Desculpe, eu não disse que se tinha cometido ilícito nenhum. Sugerir alguma coisa, discutir um assunto não configura nenhum ilícito. Discutir não é crime, sugerir não é crime, falar sobre as questões não é crime.

Nunca assistiu, nem viu, nem sabe de nenhum caso de eutanásia no SNS?

Mas eu nunca disse isso…

Mas estou a perguntar-lhe agora… Assistiu alguma vez?

Não, mas é que eu também nunca disse isso. Como é que é possível inferirem isso de uma coisa que eu nunca disse…

Para ficar claro de uma vez por todas, nunca assistiu a nenhum caso de eutanásia, nunca teve conhecimento de um caso de eutanásia no SNS?

Com certeza que não porque se tivesse é evidente que tinha a obrigação, não só como cidadã, mas uma obrigação deontológica e ética de o comunicar imediatamente.

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  • Sónia Montalvão
    29 fev, 2016 Lisboa 23:02
    Mas a bastonária toma-nos por parvos ou quê? "Eu vivi situaçoes pessoalmente em q médicos sugeriram q se desse uma injeçao de insulina ..." Viveu pessoalmente e agora vem dizer que nao presenciou? Mas que raio de fulana é esta que mandou umas atoardas pro ar e agora diz que não as disse? Nós somos alguns totós? A fulana emlameia uma classe inteira e o SNS, e depois, como a lama também lhe caiu em cima (porque se viveu as situaçoes foi cúmplice e por isso tem de responder por crime) toca a tirar a água do capote e a querer saltar da carroça, chamando-nos burros porque foi mal interpretada. Minha senhora, fosse eu a PJ e garanto-lhe que tinha que dizer tudo o que sabe. As declaraçoes pôem em causa também os Hospitais onde trabalhou. Quais são? O que é que lá se faz ou fez (com a sua conivência, pelos vistos?) Não se pode aventar umas qtas parvoadas e depois fugir com o rabo à seringa como deusa ofendida.
  • Cs
    29 fev, 2016 19:52
    Sra. Enfermeira, trabalho num hospital, sou médica, e nunca, nunca, em 17 anos ouvi discutir ou entrei em discussão sobre metodo de eutanásia em relação a um doente... Como se atreve?! Demita-se. Os seus colegas estão indignados com as suas afirmações!!!
  • O assertivo
    29 fev, 2016 Lisboa 19:37
    Sou totalmente a favor da Eutanásia e assinei a petição. Fico mais chocado com a negligência médica que tem muitas das vezes como consequência a morte de quem não queria morrer devido a descuidos e más práticas. Isso para mim é muito mais preocupante do que a "Eutanásia informal".
  • maria
    29 fev, 2016 lisboa 17:47
    infelizmente a Bastonária foi ingenua nesta sociedade de hipòcritas e falsidades à espera de bodes expiatórios
  • José
    29 fev, 2016 oeiras 17:40
    Crime são os comentários dos falsos moralistas.
  • Luis
    29 fev, 2016 Braga 17:35
    Ordens !!!! Não sei para que servem e o que fazem com os milhões que apuram das cotas anuais. Não lhes reconheço capacidades para avaliar se um licenciado tem,ou não, competências para exercer as suas funções. Quem tem tais capacidades de avaliar são as instituições que os formam (exemplo, universidades) e as instituições empregadoras (exemplo, hospitais)
  • jose manuel
    29 fev, 2016 Tavira 17:19
    Afinal em que ficamos, a Sra. Bastonária viu (conf. disse e que assistiu) ou não ? Olha que sociedade em que os Portugueses estão "metidos"
  • emaria
    29 fev, 2016 porto 16:56
    não é novidade que tem sido dito muitas vezes à boca pequena que os médicos antecipam o momento da morte para evitar maior sofrimento aos doentes, retirando o que se denomina de encarniçamento terapêutico. qual é o interesse de massacrar os doentes ? eventualmente favorecer a industria farmacêutica...quem acredita num Deus misericordioso tem obrigação de acreditar que ele abençoa as boas almas. Claro que tudo tem de ser feito com muita seriedade e respeito pelo doente. A enfermeira foi honesta, tramou-se!...pelos do costume.
  • fanã
    29 fev, 2016 aveiro 16:56
    A "EUTANÁSIA" , palavra tabu para alguns , quando este acto que consiste em abreviar a vida de quem sofre e não deseja continuar a sofrer com a assistência de uma ou umas terceiras pessoas , em ambiente medical ou privado. O que esta enfermeira descreve é uma realidade, só que não é no facto que reside a ambiguidade mas sim na forma. Que se dê o nome de eutanásia activa, ou passiva que é o que esta enfermeira descreve , não passa de aliviar o sofrimento recorrendo a todo o arsenal químico, que dispõe a classe medica , sendo que esta decisão é sempre concertada e decidida com o aval dos primeiros interessados , ou seja o doente sem esperança de cura e ou os familiares que fazem respeitar a vontade do familiar que não está em condições de exigir e fazer cumprir o que já tinha manifestado em tempo útil de perfeita consciência. Tudo isto só para reafirmar , que tanto se apregoa o respeito pela vida , mas se ignora e se desrespeita a vontade de um ser humano moribundo. Aceito o facto que profissionais de Saúde recusem em perfeita objecção de consciência de intervir ACTIVAMENTE neste processo , e por outro lado participam activamente encharcando o doente em fim de vida com cocktail's químicos que acabam por causar paragens dos órgãos vitais . A isto não se chamará eutanásia passiva ?.... como disse não é no fundo que peca este problema mas sim na forma . por fim se é só a palavra "eutanásia" que incomoda alguns , que se diga acto de HUMANIDADE !........ Para mim assim o desejo !.
  • Paulo R
    29 fev, 2016 Porto 16:50
    O que me parece haver aqui é uma confusão de conceitos. Por exemplo, em ambiente de Cuidados Intensivos é boa prática, quando as disfunções são irreversíveis e não existe qualquer perspetiva de melhoria, passar a terapêutica de conforto (uso de morfina, entre outros... não insulina?!) para evitar o encarniçamento terapêutico (e sofrimento desnecessário). São questões discutidas em equipa e explicadas aos familiares. A Eutanásia é um outro conceito completamente diferente, ilegal em Portugal, que se for legalizada implicará o consentimento do doente, portanto tem de ser uma pessoa com doença crónica irreversível com sofrimento associado (derivado da condição patológica) mas com plenas funções cognitivas e poder pleno de decisão na matéria. O problema é que toda a gente fala e nem sabe do que está a falar!

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