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Estudo liga sucesso escolar ao nível socioeconómico e habilitações das mães

24 fev, 2016 - 18:13 • Fátima Casanova

Alunos do distrito de Coimbra obtiveram a percentagem mais elevada de percursos de sucesso, indica o Ministério da Educação.

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O sucesso escolar dos alunos portugueses está fortemente ligado ao nível socioeconómico das famílias e também às habilitações literárias das mães, conclui um estudo do Ministério da Educação sobre desigualdades sociais e resultados escolares no 3º ciclo do ensino básico.

Por outro lado, este estudo realizado pela Direcção-Geral de Estatísticas, sugere que indicadores socioeconómicos desfavoráveis não determinam insucesso escolar dos alunos.

O estudo mostra que foram os alunos do distrito de Coimbra que obtiveram a percentagem mais elevada de percursos de sucesso (49%). Significa isto que 1.350 alunos terminaram o 9ºano, o ano passado, com nota positiva nas duas provas finais, a Português e a Matemática, após um percurso sem retenções nos 7º e 8º anos.

Neste distrito, praticamente metade destes alunos têm mães com habilitações literárias acima do 12º ano de escolaridade e apenas 34% dos alunos precisam do apoio da acção social escolar.

No outro extremo da tabela, o distrito com mais alunos provenientes de famílias carenciadas é Vila Real.

Mais de metade dos alunos têm apoio da acção social escolar e 61% dos quase 1.700 alunos que frequentam escolas neste distrito transmontano têm mães cujo nível de escolaridade é inferior ao ensino secundário.

Ainda assim, o percurso de sucesso é de 43% em Vila Real, acima da média nacional, que é de 39%.

Entre os distritos que estão abaixo da média nacional no que toca ao sucesso escolar há uma excepção ao estudo divulgado pelo Ministério da Educação. Setúbal tem a menor percentagem de alunos com o apoio da acção social escolar e é um dos distritos onde o nível de escolaridade das mães é mais alto.

O estudo do Ministério da Educação mostra que o desempenho escolar dos alunos, que terminaram o 3º ciclo no último ano lectivo, apresenta acentuadas assimetrias regionais.

Ao mesmo tempo confirma-se que o nível socioeconómico e as habilitações das mães têm influência no sucesso escolar. A tutela defende, por isso, em comunicado, investimentos na acção social escolar e, também, na formação de adultos.

Comentários
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  • Maria Carvalho
    27 fev, 2016 Paris 12:24
    Esta novidade peca por tardia. Há muito, desde 1991 que descobri esta realidade. Escola pública portuguesa = Escola elitista.
  • fr
    25 fev, 2016 Portugal 00:20
    Não determina, mas influencia. Assim como ter um acidente de carro a alta velocidade não determina a morte, mas certamente a torna mais provável. Eu confirmo a notícia. Ando nas engenharias, os colegas que melhor se desembrulham já vinham, curiosamente de familias cujo os pais são engenheiros. Claro que influencia. Qualquer pessoa de bem percebe isso sem qualquer estudo do assunto.
  • Júlio Carmo
    25 fev, 2016 Peso da Régua 00:19
    Estudo interessante mas não consigo entender onde está a gtrande novidade. É evidente que, em geral, são as mães quem tem maior disponibilidade para o apoio aos filhos. Se o seu nível de educação e formação for mais elevado, o apoio será mais efetivo e eficaz. Em relação às assimetrias, ninguém sabia que existiam? Que os alunos do interior têm menos oportunidades de sucesso? Sobretudo os que são oriundos de meios familiares carenciados e de baixa escolaridade? Que muitos dos alunos que vivem nas aldeias periféricas dos "mega agrupamentos" para além de todas as dificuldades, saem de casa cedíssimo e só retornam ao fim do dia? Que vontade, nestas condições, estes alunos poderão demonstrar no sentido de prepararem lições e trabalhos para o dia-a-dia? Os rankings têm estes aspetos em conta? Os alunos dos colégios privados, nos topos da classificação, são recrutados neste universo? Não me parece.Definitivamente não! Então porque comparar o incomparável?

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