23 fev, 2016 - 15:37 • Sandra Afonso , quadros: Deloitte
Governo vai estabelecer um tecto de 600 euros de dedução por filho no IRS. Saiba qual é o impacto da medida através dos cenários elaborados pela Deloitte.O aumento da dedução por filho para 600 euros tem um impacto limitado. Segundo as contas da consultora Deloitte, a medida anunciada vai beneficiar sobretudo casados, com dois filhos, e baixos rendimentos.
A proposta foi anunciada, esta terça-feira, pelo ministro das Finanças, no Parlamento. Mário Centeno disse que Governo vai estabelecer um tecto de 600 euros de dedução por filho no IRS, um aumento face aos 550 euros anunciados anteriormente.
A consultora considera que a maioria dos pais não vai tirar proveito da medida. Os 50 euros a mais na dedução fixa por filho devem baixar o IRS para alguns casais.
“Estamos a falar tendencialmente de agregados com rendimento mensal entre mil e dois mil euros. O valor aqui pode ser afinado, isso dependerá das outras deduções, das despesas que o agregado submeteu ao longo do ano, com imóveis, com educação, com saúde”, explica à Renascença a fiscalista Aline Almeida, da Deloitte.
Segundo os cenários elaborados pela consultora, um casal com dois filhos e um rendimento mensal de mil euros, por exemplo, que pagou cerca de 280 euros em IRS no ano passado, não vai pagar nada este ano.
Os solteiros com um dependente podem também beneficiar, dependendo das despesas que apresentarem. Já para os restantes, os 50 euros são apenas mais uma dedução.
“Para casais com dois dependentes e rendimento de dois mil euros, já não há uma vantagem com a introdução desta medida. Já para os solteiros com um dependente, a medida isoladamente não traz uma vantagem, depende depois é das outras despesas que o agregado possa ter e que possa utilizar e deduzir no IRS”, contabiliza.
Já no início deste mês, o Governo tinha admitido a hipótese de aumentar esta dedução. Na altura da apresentação aos jornalistas da proposta do Orçamento do Estado para 2016, Centeno considerou que o actual quociente familiar, introduzido pelo anterior Governo, beneficiava as famílias com mais rendimentos, pelo que optou por deduções fixas por descendente.