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Reportagem

Viver numa república depois dos 65. Independência para quem vive com dificuldades

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Viver numa república depois dos 65. Independência para quem vive com dificuldades

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21 fev, 2016 - 12:00 • Dina Soares , Joana Bourgard

Na freguesia de Arroios, em Lisboa, os idosos com dificuldades económicas estão a ser realojados em casas renovadas. O programa “República Sénior”, criado pelo Centro Social e Paroquial de Arroios em conjunto com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, tem já dois apartamentos operacionais onde vivem seis homens, sem família nem dinheiro para pagar uma renda.

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Viver numa república depois dos 65. Independência e dignidade para quem vive com dificuldades
Viver numa república depois dos 65. As histórias de vida dos "repúblicos"

Os apartamentos ficam a poucos metros um do outro, ambos próximos do Centro Social e Paroquial de São Jorge de Arroios, em Lisboa. Foram arrendados e sujeitos a obras de reabilitação.

Cada um tem três quartos, casas de banho e uma pequena cozinha usada sobretudo para aquecer o jantar que os seus habitantes trazem pronto do centro, onde tomam as outras refeições.

Não há uma sala comum porque o convívio entre os habitantes parece ser pouco. Cada um tem o seu quarto, em cada quarto uma televisão.

A diferença para a situação anterior prende-se com as condições. De quartos velhos, sujos, estragados, passaram para quartos arranjados, limpos e confortáveis, embora ainda bastante impessoais, talvez porque habitados há muito pouco tempo.

A limpeza é assegurada pelo centro social, assim como a lavagem das roupas. Cada um paga estes serviços consoante as suas reformas. A renda é suportada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

A ideia partiu do Centro Social e Paroquial de São Jorge de Arroios, que estabeleceu um protocolo com a Misericórdia.

O objectivo é reinstalar, com dignidade, os 25 idosos pobres que, segundo um levantamento feito pelo próprio centro, vivem actualmente na freguesia de Arroios em quartos sem condições mínimas.

Para já, há dois apartamentos a funcionar. O primeiro foi inaugurado a seguir ao Natal de 2015. O segundo, no início de Janeiro. Outros dois foram já arrendados e estão neste momento em obras. Mais seis pessoas poderão, em breve, mudar-se para lá.

“Repúblicos” da terceira idade

António Costa chegou à sua nova casa logo a seguir ao Natal. Antes vivia num quarto sem condições, numa casa onde chegou a ser vítima de violência.

Para trás fica uma carreira profissional desafogada, mas que não acautelou o futuro, juntamente com um drama familiar que prefere guardar para si. Hoje, os dois companheiros de casa e as pessoas do centro fazem as vezes da família. No apartamento partilhado, sente-se “em casa”.

Bem perto da casa do António, Carlos e António Jantarete partilham o segundo apartamento.

Carlos tem 66 anos e está cego desde os 25. Durante dois anos, viveu num quarto, pago com a sua magra reforma. Hoje tem um quarto muito melhor, que não paga, e que até fica mesmo ao lado do café e da mercearia onde gosta de passar umas horitas à conversa.

No quarto ao lado, António Jantarete ainda está a habituar-se a dormir debaixo de um tecto. A sua história está longe de ser original. Desemprego, alcoolismo, ausência de laços familiares acabaram por o atirar para a rua. Dormia na Estação do Oriente quando o padre Paulo o encontrou e o trouxe para o centro.

Os anos sem regras ainda tornam difícil a aceitação das rotinas do dia-a-dia. A convivência com os companheiros nem sempre é fácil mas, para já, vai ficando. “Se não estivesse bem, já me tinha ido embora”.

Comentários
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  • Maria Marques.
    06 fev, 2018 Marinha Grande 12:46
    Fico satisfeita em saber k existem pessoas preocupadas, com este flagelo de pessoas abandonadas com ou sem Família,e cada vez se verifica mais até porque cada vez há mais sem abrigo. Espero k possam abrir cada vez mais repúblicas para melhorar a vida destas pessoas para viverem com dignidade. Bem Haja a todos k estão a trabalhar neste sentido.
  • FRANCISCO OLIVEIRA P
    21 fev, 2016 VILAR DE ANDORINHO VNG 17:29
    Á mais de um ano que enviei á AR uma carta onde, entre várias situações, colocava a hipótese de haver descontos diferenciados para a segurança social, de harmonia com os vencimentos obtidos. Quem aufere vencimentos altos e acima da tabela salarial, incluindo os bónus e outras "benésses", teria uma taxa diferente e de forma a que a SS ao receber muito mais, teria disponibilidades financeiras para, e principalmente, ajudar que trabalhou uma vida inteira e e nos últimos dias vive quase na miséria. MAS A AR E TODOS OS SEUS EXMOS. DEPUT NÃO LIGOU AO CASO. Valha-nos ADEUS
  • Rui
    21 fev, 2016 Porto 15:39
    Maria Coutinho, subscrevo inteiramente. Disse tudo!
  • Maria Coutinho
    21 fev, 2016 Cascais 12:33
    Naturalmente todos preferíamos que estas situações não tivessem que existir. Mas, a partir do momento em que a própria sociedade as criou, há que as resolver. I. e., quantas vezes as famílias com as suas discriminações e segregações, não é a primeira responsável por situações como estas? Famílias em que não há compreensão nem solidariedade? E assim sendo, porque frequentemente «alguns maus-tratos» são de uns irmãos em relação a outros, mesmo nas melhores famílias, ASSIM, Graças a Deus e às Paroquias - onde há gente responsável e com visão - que estas situações se possam melhorar. Já que os que a sociedade põe de lado, e nem sempre são pessoas inúteis, ou sequer incapazes. Apenas os fecharam em situações irresolúveis...

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