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Mensagem pela paz

Papa quer transformar “o nosso coração de pedra num coração de carne"

15 dez, 2015 - 11:28

Francisco critica quem fecha os olhos perante as tragédias mundiais, como a crise dos refugiados ou “o cancro social” da corrupção, apela a uma solidariedade autêntica e propõe perdão da dívida para países mais pobres.

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No final de um ano marcado “por guerras e actos terroristas com trágicas consequências”, ao ponto de assumir os contornos de uma “terceira guerra mundial por pedaços”, o Papa Francisco lança um apelo para que se vença a indiferença, a que chama “uma ameaça para a família humana”.

Na mensagem divulgada a propósito do Dia Mundial da Paz, que marca o início do novo ano, lembra que os acontecimentos marcantes deste ano “representam a capacidade de a humanidade agir” contra o mal.

Dirigindo-se a todos, o Papa renova o apelo a que se faça “do amor, da compaixão, da misericórdia e da solidariedade um verdadeiro programa de vida” no sentido de transformar “o nosso coração de pedra num coração de carne, capaz de se abrir aos outros com autêntica solidariedade”.

A "globalização da indiferença" perante as tragédias, diz o Papa, tem rosto: “Há quem esteja bem informado, ouça o rádio, leia os jornais ou veja programas de televisão, mas fá-lo de maneira entorpecida, quase numa condição de rendição: estas pessoas conhecem vagamente os dramas que afligem a humanidade, mas não se sentem envolvidas, não vivem a compaixão”.

“Este é o comportamento”, aponta Francisco, “de quem sabe, mas mantém o olhar, o pensamento e a acção voltados para si mesmo”. “Infelizmente”, constata, “o aumento das informações, próprio do nosso tempo, não significa, de por si, aumento de atenção aos problemas”.

"Cancro social da corrupção” exige medidas

Ainda neste documento, Francisco recorda “o esforço feito para favorecer o encontro dos líderes mundiais, no âmbito da Cop21, a fim de se procurar novos caminhos para enfrentar as alterações climáticas e salvaguardar o bem-estar da terra, a nossa casa comum”.

O Papa lança um pedido aos líderes dos Estados para que realizem gestos concretos a favor daqueles que “sofrem pela falta de trabalho, terra e tecto”.

Elogiando as organizações que trabalham a favor do alívio das dificuldades dos mais frágeis, o Papa volta a lançar fortes críticas ao “cancro social” da corrupção, “profundamente radicada em muitos países – nos seus governos, empresários e instituições – seja qual for a ideologia política dos governantes”.

“Os agentes culturais e dos meios de comunicação social deveriam também vigiar por que seja sempre lícito, jurídica e moralmente, o modo como se obtêm e divulgam as informações”, acrescenta.

Três apelos

Francisco termina a mensagem com um “triplo apelo” aos Estados – “a abster-se de arrastar os outros povos para conflitos ou guerras que destroem não só as suas riquezas mas também – e por longo tempo – a sua integridade”.

Pede também o “cancelamento ou gestão sustentável da dívida internacional dos Estados mais pobres” e ainda a adopção de políticas que sejam respeitadoras dos valores das populações locais e, “de maneira nenhuma, lesem o direito fundamental e inalienável dos nascituros à vida”.

O 49.º Dia Mundial da Paz é comemorado no dia 1 de Janeiro de 2016. A mensagem do Papa é enviada para os Ministérios dos Negócios Estrangeiros de todo o mundo e também designa a “linha diplomática da Santa Sé para o novo ano”, contextualiza o CPJP.

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