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Campos de Férias Católicos querem chegar a mais jovens

26 out, 2015 - 15:20 • Filipe d'Avillez

O encontro de cerca de 30 movimentos está marcado para o dia 31 de Outubro.

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São já dezenas, servem milhares de crianças e jovens por ano e funcionam essencialmente com base na boa vontade de alguns. Agora, os campos de férias católicos querem-se encontrar para preparar melhor o futuro.

O encontro vai ter lugar no Colégio São João de Brito, já no sábado dia 31. Depois do almoço estão convidados todos os que têm interesse em organizar um destes campos na sua paróquia ou no seu movimento.

A Renascença falou com dois dos organizadores deste encontro. José Diogo Ferreira Martins, médico ligado aos campos dos Carraças e Carminho Cordovil, que trabalha em marketing e faz parte da direcção do Camtil, um de três campos de férias ligados aos jesuítas, explicam como os campos mudam a vida a quem neles participa

Vai haver um encontro de campos de férias católicos. Que realidade é esta?

José Diogo: Vai haver um encontro no dia 31 de Outubro, de todos os movimentos e grupos que em Portugal fazem campos de férias católicos.

Começámos a perceber que havia vários grupos a fazer vários campos de férias. Então decidimos reunir um grupo de cinco: Os Carraças, o SAIREF e três grupos de inspiração inaciana, os Campinácios, os Gambozinos e o Camtil, para em conjunto percebermos o que é isto de fazermos campos de férias, qual é a diversidade, o que nos une, quais são as formas diferentes de trabalharmos nesta perspectiva. Depois de termos tido algumas reuniões, percebemos que somos quase 30 em Portugal.

Apresentámos a nossa ideia ao patriarca, que rapidamente ficou entusiasmado com este processo e se disponibilizou para se juntar a nós no dia 31, proferindo uma conferência final e também celebrando a missa.

Costuma haver um padre que acompanha cada campo de férias?

Carminho: Por regra tenta-se que isso aconteça durante o campo de férias. Há campos que não conseguem, só conseguem que um padre vá celebrar uma missa. O objectivo deste encontro é também perceber como é que os diferentes campos de férias fazem.

No caso do Camtil, que papel é que os leigos têm nestes campos de férias?

Carminho: O Camtil é todo organizado por leigos, tendo um assistente espiritual, da Companhia de Jesus, que é cedido ao Camtil para apoiar a direcção e ao longo do ano. Tem uma direcção de 17 pessoas, que se junta regularmente para garantir que chegamos ao final do ano e conseguimos ter 10 campos, com 42 miúdos cada e 17 animadores.

Portanto, se só o Camtil tem cerca de 420 miúdos por ano, entre os outros todos estamos a falar para cima de mil miúdos por ano nestes campos de férias...

José Diogo: Muito mais. Se fizermos as contas, só os Carraças têm 10 campos de férias com 60 miúdos cada. Temos aqui 600 miúdos. Mais os 400 do Camtil, só estamos a falar de dois movimentos. Somos 30 em Portugal. Eu diria, sem fazer assim contas muito profundas, que cinco mil miúdos por ano têm esta possibilidade de viver o Evangelho com muita alegria nos campos de férias.

Isso dá frutos na vida das crianças?

Carminho: Vê-se sempre muitos miúdos a irem contrariados, sem perceberem porque é que os pais os estão a obrigar a ir e porque é que os irmãos mais velhos gostam tanto, e irem mudando ao longo do campo. No fundo são dias vividos com muita simplicidade, com muita verdade, em que é dada a capacidade aos miúdos de pensarem pela própria cabeça e terem uma equipa de animadores, de adultos e de padres que são um exemplo para eles e eles olharem para esses animadores e adultos e perceberem que são felizes porque seguem Jesus.

José Diogo: Lembro-me uma vez de um miúdo num campo em que eu estava também, que não tinha uma vivência da fé muito profunda ou regular, e já no fim do campo o miúdo de 14 anos levanta-se no meio de uma roda de 60 crianças e, do nada, diz assim: “Se o que vocês dizem é verdade, então eu já não tenho medo de morrer.”

Mas não é só oração e doutrina...

Carminho: Claro que não. Há muitos jogos, há um muito conhecido que é o Survivor, que implica muita lama… Há caminhadas, há campos que vão a Fátima, há campos que são no meio do nada e passeiam a pé, há campos que sobem rios...

Dizem que há miúdos que vão contrariados, mas também acontece serem os jovens, depois dos campos, a puxarem pelos pais?

Carminho: Claro que sim. E acontece muitas vezes. Temos casos muito giros de miúdos que chegam a meio do campo e não percebem porque é que os pais não os levam à missa ao domingo. Não percebem... Este ano recebemos uma carta de uma mãe a agradecer a forma como o filho chegou a casa. A dizer: "O meu filho veio uma pessoa completamente diferente, muito obrigado, não sei o que é que fizeram durante esses dez dias, mas só tenho a agradecer a maneira como ele chegou".

Alguém ganha dinheiro com estes campos?

Carminho: Ninguém ganha dinheiro com estes campos. Posso contar o exemplo do Camtil. Tem cinco mil sócios, que estão organizados em famílias. Todos os anos, as famílias pagam uma quota e essa quota ajuda-nos a gerir o Camtil ao longo do ano inteiro. Para irem para os campos, cada miúdo tem de pagar um valor que, se não conseguir pagar, a organização assume. Ou seja, ninguém deixa de fazer campos por não ter dinheiro.

Paralelamente temos o caso dos Gambozinos, que precisam de fazer uma angariação de fundos para os seus miúdos, que são de uma situação mais carenciada, conseguirem fazer campos de férias no Verão.

Ninguém fica de fora por não ter dinheiro, mas há quem fique de fora?

Carminho: Sim, há quem fique de fora por não haver vagas.

Muitas pessoas?

Carminho: Muitas, muitas pessoas. Mas ficam de fora um ano, esperamos que no ano a seguir consigam entrar. A oferta de campos está cada vez maior, porque de facto isto está a mudar a vida de muitas pessoas e as pessoas querem todas vir fazer um campo também.

Zé Diogo: Um dos grandes objectivos do nosso seminário é precisamente conseguir mostrar a todos aqueles que estejam interessados em ir lá no dia 31 que é fácil fazer um campo de férias.

Durante o período da manhã vamos discutir e partilhar este dom e durante a parte da tarde vamos partilhá-lo com todos os que quiserem ouvir. E nós gostaríamos muito que todas as pessoas, paróquias e instituições que ainda não fizeram um campo de férias na vida pudessem ir ter connosco, ouvissem o que temos para dizer, conversassem connosco e percebessem que é possível também eles fazerem um campo de férias, porque de facto a procura é uma coisa que nos parte o coração, nós sabemos que temos dois mil miúdos inscritos para fazer um campo dos Carraças e só 800 é que fazem. Todos os anos há 1200 que ficam de fora, nós não queremos que isto seja assim, queremos que esta mensagem de Jesus chegue a todos.

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  • Maria do Céu Pinheir
    16 fev, 2017 carcavelos 07:13
    Gostava de saber qual a data de inscrição no campo de férias carraças. Obrigada.

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