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“A Igreja ou é missionária ou não é Igreja”

15 out, 2015 - 18:22 • Ângela Roque

“Crónicas com Missão 2” é o novo livro do padre Tony Neves e reúne os editoriais que escreveu ao longo dos últimos dez anos. Os textos revelam o olhar atento de um padre, que também é jornalista, e para quem a missão, hoje, “continua a ter uma vertente geográfica, mas é sobretudo uma atitude de coração”.

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O padre Tony Neves é o superior provincial dos Missionários Espiritanos, e escolheu Outubro, o mês missionário, e a proximidade do Dia Mundial das Missões (domingo, 18), para lançar o seu novo livro.

"Crónicas com Missão 2” reúne os editoriais que escreveu desde 2005 para o jornal “Acção Missionária”, que dirige: “Durante dez anos, todos os meses me preocupei por ver qual era o acontecimento, o momento, ideia ou ideal que marcava determinado mês, na perspectiva missionária, e escrevi os editoriais a partir daí”.

Mais do que uma reflexão teórica, este livro é um “testemunho vivo de missão”, que para este sacerdote passa pela escrita e pelo jornalismo. “Digo muitas vezes que a missão também se escreve. Claro que antes de se escrever deve-se viver."

Para que tanto o viver como o escrever sejam de fácil leitura para os outros, isso implica simplicidade nas palavras e nos gestos, ou seja, exige uma linguagem menos fechada do que a que ainda existe na Igreja: “Nos meus já 26 anos de padre vi que, se tivermos uma linguagem muito hermética, corremos sempre o risco de andar a pescar no aquário, de só falarmos para as pessoas que já sabem aquilo que a gente vai dizer, que sabem teologia. Quando as pessoas falam e agem, todos devem entender do que é que se está a falar e o que é que se está a fazer. Isso é que é evangelização”.

O padre Tony Neves lembra que tem sido também esse o testemunho do Papa Francisco: “Não é por acaso que toda a gente o entende e muitos, mesmo de fora da Igreja, se identificam com as suas posições”.

“A dimensão missionária de Igreja, para mim é uma imagem de marca”, explica, voltando a citar o Papa, quando diz que “a Igreja ou é missionária ou não é Igreja”.

“Para quem é missionário esta ideia de uma Igreja em saída, de opção clara pelos mais pobres, esta preocupação muito além das fronteiras geográficas da nossa paróquia, diocese ou país, é uma ideia absolutamente fundamental”. Considera, aliás, que “a missão, hoje, continua a ter uma vertente geográfica, mas é sobretudo uma atitude de coração. E, às vezes, não é preciso que os pés andem muito, é preciso é que o coração esteja sempre aberto e a bater ao ritmo do coração de Deus”.

Para o padre Tony Neves, ser missionário é estar disponível para partir ou ficar onde for chamado e seja preciso, e sublinha: “Não deixa de ser interessante ver como os Institutos Missionários aderiram com muita força à Plataforma de Apoio aos Refugiados, porque se há estes gritos de gente que nos bate à porta temos de ter ouvidos para ouvir e fazer o que pudermos para que o acolhimento aconteça com respeito e dignidade”.

Tony Neves dedica este livro aos pais. “A missão começa e continua na família. Ainda hoje a minha família é para mim uma referência, foi lá que eu descobri a minha vocação e é lá que constantemente regresso”. E é, por isso mesmo, que o livro vai ser lançado esta sexta-feira à noite em Gondomar, no auditório da capela de Jancido, com a apresentação a cargo do bispo do Porto, D. António Francisco Santos. O prefácio tem a assinatura do padre Tolentino Mendonça.

A entrevista ao padre Tony Neves vai ser transmitida na íntegra no programa “Princípio e Fim” da Renascença, domingo, às 23h30.

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