Tempo
|
A+ / A-

Bispos querem mais citações do Evangelho no documento do sínodo

14 out, 2015 - 17:54 • Aura Miguel , em Roma, e Filipe d’Avillez

A análise da segunda parte do "instrumentum laboris" revela desconfiança quanto ao documento final e sublinha a necessidade de incluir excertos do Antigo e Novo Testamento para realçar a importância e o valor da família.

A+ / A-

Foram divulgados esta terça-feira os relatórios dos grupos de trabalho no sínodo sobre a família, respeitantes à análise da segunda parte do documento orientador do trabalho, o "instrumentum laboris".

Entre apelos à valorização do casamento e da indissolubilidade, os bispos pedem mais citações bíblicas e expressam dúvidas sobre como será elaborado o documento final, sublinhando a importância de uma intervenção do Papa para concluir o processo sinodal.

Conheça aqui alguns dos excertos dos relatórios, organizados por temas.


Casamento

Embora o termo “vocação” seja claro quando aplicado ao sacerdócio, é preciso mais clareza quando se fala do termo “vocação para o casamento”. Devemos reconhecer que a família em si também é uma vocação. Grupo A de língua inglesa

Podemos dizer que Deus reconhece a sua própria imagem na fidelidade dos seus esposos e confirma com a sua bênção os frutos da sua graça. Grupo B de língua inglesa

A necessidade de dirigir uma palavra sentida de apreço e encorajamento a casais que, pela Graça de Deus, vivem o casamento cristão como uma genuína vocação, uma vez que este é um serviço singular para a Igreja e o mundo. Grupo C de língua inglesa

A necessidade de explorar mais a fundo a possibilidade de casais que são casados civilmente ou que coabitam, começarem uma caminhada rumo ao casamento sacramental e serem encorajados e acompanhados nessa caminhada. Grupo C de língua inglesa

Uma coisa que o sínodo deve considerar é a produção de uma lista de iniciativas práticas ou de estratégias que apoiem as famílias e ajudem aqueles que estão em dificuldade. Grupo C de língua inglesa

O texto tende a tratar as relações irregulares como contendo, de alguma forma, “sementes do Verbo”. Alguns bispos consideraram que isto não é apropriado e é enganoso. Grupo D de língua inglesa

Há muitas culturas que acreditam que as “famílias casam uma com a outra”, e não apenas os indivíduos que fazem os votos matrimoniais. Alguns bispos vêem isto como um conceito rico. Deve ser mais apreciado. Grupo D de língua inglesa


Fé em família

Assim, um objective para cada casal e família deveria ser a participação fiel e conjunta na missa, todos os domingos. Grupo B de língua inglesa

Os bispos realçaram o valor de as famílias participarem juntas na Eucaristia dominical e outras celebrações litúrgicas, ficaram surpreendidos pelo facto de o texto não focar isto em mais detalhe. Grupo D de língua inglesa

É certo que importa dar atenção às fragilidades, dificuldades e sofrimentos da família, mas sem sobrevalorizar a situação actual, recordando que estes sempre existiram, de alguma forma. Grupo B de língua francesa

Olhando para Cristo e ouvindo as suas palavras não podemos compreender o Evangelho da família como um fardo de requisitos complicados, mas como um apelo a viver na liberdade e na alegria da fé a verdade e beleza da família. Grupo B de língua francesa


Jovens e casamento

A necessidade de uma compreensão mais matizada de porque é que os jovens, hoje em dia, decidem não casar ou adiar o casamento, às vezes por muito tempo. O Instrumentum Laboris apresenta o medo como um motivo dominante. Mas também é verdade que os jovens, por vezes, não entendem o sentido do casamento e vêem-no como algo puramente pessoal ou privado, que torna uma cerimónia pública irrelevante. Também são afectados de muitas maneiras por uma cultura de opções que resiste ao fechamento de portas e preferem testar as relações antes de assumirem um compromisso final. Há também factores económicos importantes, que têm o seu efeito. Temos de ter cuidado para não fazer uma leitura demasiado simplista de um fenómeno complexo. Grupo C de língua inglesa

Sobre a questão do medo que muitos jovens sentem para casar, vários bispos observaram que os jovens temem o fracasso em qualquer área das suas vidas. As pastorais juvenis nas paróquias e nas dioceses deviam ajudar os jovens casais a compreender o valor do casamento. Precisamos de nos concentrar na exortação de João Paulo II para os casais não terem medo e também ter noção que nos Evangelhos, Jesus tomou conta de um jovem casal em cuja festa de casamento o vinho estava prestes a acabar. O Senhor cuidará sempre dos jovens casais que confiam nele pelo caminho. Grupo D de língua inglesa


Mulheres

Vários bispos notaram a importância de mulheres na vida da Igreja e a necessidade de lhes dar mais papéis de liderança. Alguns sentiram que o documento devia ser mais sensível para com mulheres abusadas pelos seus maridos, ou no seio das suas famílias e que, por isso, carregam fardos suplementares. Grupo D de língua inglesa


Pecado e misericórdia

Todos precisamos da misericórdia de Deus. Em muitas sociedades hoje existe uma noção de auto-suficiência, segundo a qual as pessoas sentem que não têm necessidade de misericórdia e nenhuma noção do seu próprio estado de pecado. Por vezes isso deve-se a uma catequese inadequada sobre o pecado, que não reconhece no pecado o ferimento da nossa relação com Deus e um com o outro, uma ferida que apenas pode ser curada através do poder salvífico da misericórdia de Deus (…) Por outro lado, pode haver uma tendência para pormos limites à misericórdia de Deus. Grupo B de língua inglesa

Deus nunca desiste da sua misericórdia. É a misericórdia que revela a verdadeira face de Deus. A misericórdia de Deus chega-nos a todos, sobretudo aos que sofrem, os fracos e os que falham. (…) Como o Papa Francisco sublinha no Misericordiae Vultus, a ira de Deus dura um momento, mas a sua misericórdia é eterna. Grupo B de língua inglesa


Indissolubilidade

Propomos que se utilize uma linguagem menos jurídica em conjunto com o termo “indissolubilidade”, que mostre de forma melhor o mistério do amor de Deus quando se fala de casamento como uma graça, uma bênção e uma aliança de amor para toda a vida. Grupo B de língua inglesa

A necessidade de apresentar a indissolubilidade do casamento como um dom de Deus e não um fardo a suportar e de encontrar uma forma mais positiva para falar disso, para que as pessoas possam apreciar esse dom. Grupo C de língua inglesa

Alguns dizem que o texto deve abordar a noção de “indissolubilidade” de forma mais positiva, em vez de a tratar como um fardo. Grupo D de língua inglesa


Escritura

Visto pelo prisma da Sagrada Família de Nazaré, o texto beneficiaria de um maior uso da Sagrada Escritura, nomeadamente os capítulos 1 e 2 de Lucas, bem como exemplos do Antigo Testamento. Tantos dos casais do Antigo Testamento, como aquelas do livro de Tobias, responderam de forma muito bonita á vocação do matrimónio e da vida familiar. Grupo A de língua inglesa

Há uma necessidade de beber mais a fundo das Escrituras, não só em citar textos bíblicos mas em apresentar a Bíblia como matriz para a vida familiar e matrimonial cristã. Grupo C de língua inglesa

Nas secções sobre a família e o plano salvífico de Deus, o texto deve estar enraizado no Livro de Tobias e no Cântico dos Cânticos, que é crucial para a apresentação do casamento à luz das Escrituras. Os bispos manifestaram a sua preocupação com o facto de o documento apresentar o divórcio mosaico como uma das fases do plano de Deus, mas sabemos que o divórcio nunca fez parte da vontade de Deus para a humanidade, sendo antes uma consequência do pecado original. Grupo D de língua inglesa

Esperamos que não se faça referência apenas a duas ou três palavras bem conhecidas do Evangelho para resumir o ensinamento de Jesus, mas que se enfatize os muitos encontros de Jesus com as famílias e as realidades familiares da altura: O acolhimento reservado às crianças, a atenção que dava aos pais de família que lhe pediam a cura de uma criança. O apelo que Ele dirige às multidões para que se tornem família de Deus, ouvindo a sua palavra e pondo-a em prática. E pode-se até começar por recordar o facto de Jesus ter vivido grande parte da sua vida numa vida familiar normal. Grupo A de língua francesa

Também nesta secção deve-se sublinhar a falta de referências à palavra de Deus e a quase total falta de referências à tradição da Igreja. Grupo B de língua italiana


Metodologia

Foram abordadas questões relativas à metodologia. No passado, o Santo Padre costumava utilizar os textos finais aprovados como base para uma Exortação Apostólica e falámos sobre a riqueza desta abordagem. Contudo, reconhecemos as limitações do documento que será aprovado na conclusão deste sínodo. Embora se devam fazer todos os esforços para obter uma linguagem simples e atractiva, a principal preocupação é a claridade de explicações bem fundamentadas do ensinamento da Igreja sobre o casamento e a família. Grupo A de língua inglesa

O Instrumentum Laboris não define em lado nenhum o casamento. Trata-se de um defeito grave. Causa ambiguidade ao longo do texto. A maioria dos bispos concorda que o documento devia acrescentar a definição de casamento do Concílio Vaticano II, Gaudium et Spes 48, como correcção. Grupo D de língua inglesa

No seu conjunto, o texto tem muitas perspectivas boas sobre o casamento. Mas a doutrina católica do casamento arrasta-se ao longo de demasiados parágrafos. Esta deve ser apresentada de forma mais concisa e atractiva. Grupo D de língua inglesa

A unidade do nosso ensinamento sobre a família precisa de ser claramente expressa como adesão viva ao único Salvador e Senhor de todos. Grupo A de língua francesa

Esperamos também que este texto, que tem raízes de várias origens (nomeadamente do Relatio Synodi e das contribuições sucessivas que foram feitas ao longo do ano), manifeste uma maior unidade de concepção, em particular, que não seja repetidamente interrompido por considerações, nem sempre coerentes entre si, sobre a indissolubilidade, como se fosse nossa única preocupação. Grupo A de língua francesa

Parece-nos importante que o texto final possa ser claro e tão simples quanto possível, que evite as ambiguidades e os equívocos que prejudiquem a compreensão da vocação e da missão próprias da família na Igreja e no mundo dos nossos tempos. Grupo B de língua francesa

O anúncio do Evangelho da família exige actualmente uma intervenção magisterial que irá torná-lo mais consistente e pode simplificar a actual doutrina teológica-canónica sobre o casamento. Grupo B de língua francesa

Alguns padres [sinodais] expressaram preocupação pela linguagem utilizada em certas passagens, pouco claras e de difícil leitura. Entre estes riscos, vale a pena mencionar as que confundem o projecto da proposta cristã com um ideal abstracto; ou que a atenção aos problemas específicos de nosso tempo em relação à família e ao casamento possam dar aso a mal-entendidos. Grupo A de língua italiana

Falta uma definição da família, como a do Gaudium et Spes #52 ou outros documentos como o Familiaris Consortio. Grupo A de língua espanhola

Respeitamos a metodologia do Instrumentum Laboris, mas desejamos que o documento final possa reordenar melhor os temas, pois há muitas repetições em diversos números que devem ser vistos com maior atenção para uma melhor distribuição de cada um dos temas. Grupo B de língua espanhola

Os membros do grupo acharam que existe uma ausência significativa, ou poucas referências nesta secção a temas como a castidade e a virgindade, a santidade e a espiritualidade da família. Grupo B de língua espanhola

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+