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As respostas do PS para as exigências do PCP

08 out, 2015 - 20:19 • Eunice Lourenço

Exigências feitas por Jerónimo de Sousa depois de encontro com PS têm vários pontos de encontro com propostas socialistas.

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No seu discurso após a reunião de quarta-feira com o PS, Jerónimo de Sousa enunciou dez condições para um entendimento político entre os dois partidos. Deixou de fora grande parte do património ideológico do PCP que contraria as opções socialistas pela União Europeia, pela Zona Euro e pela NATO.

“Perante o quadro de correlação de forças e o pronunciamento do povo, não é apenas de uma questão de composição do Governo que se trata, mas sim de uma solução de resposta aos anseios e às necessidades dos trabalhadores, do povo e do país”, afirmou o líder comunista, passando depois a enunciar as concretizações políticas que entende necessárias.

A Renascença olhou para essas condições e lembra o que diz o PS sobre cada uma delas.

1 - A valorização dos salários, designadamente o aumento do salário mínimo para 600 euros no início de 2016 e do valor real das pensões de reforma

Problema. No programa do PS define-se como essencial o congelamento das pensões durante a legislatura. São 1.600 milhões de euros que, se forem descongelados, é preciso ir buscar a outro lado. Quanto ao salário mínimo, Costa nunca se comprometeu com números e remeteu sempre para negociações com parceiros, o que levou Jerónimo de Sousa a acusá-lo de deixar o assunto nas mãos dos patrões


2 - O combate aos empregos precários, designadamente com alterações à legislação laboral e a aprovação de um Plano Nacional de Combate à Precariedade

Sem problema. O PS também promete grande combate à precaridade.


3 - A reposição dos direitos na legislação do trabalho, nomeadamente valorizando a contratação colectiva

Problema. Esta será a mais difícil de resolver. O PS quer flexibilizar e esta reposição tornará mais rígidos os contratos.


4 – A reposição dos salários, pensões, feriados e outros direitos cortados, nomeadamente dos complementos de reforma

Problema e não problema. Quanto aos feriados não há obstáculos ao entendimento entre comunistas e socialistas. O mesmo não acontece nos complementos de reforma (ver ponto 1). A reposição de salário também é defendida pelo PS, ainda que faseada, mas o PCP não diz que tem de ser imediata


6 - Uma política fiscal justa que tribute fortemente os grupos económicos e financeiros e alivie os impostos sobre os trabalhadores, os reformados e pensionistas, os micro, pequenos e médios empresários e o povo

Sem problemas. Pode ser um ponto de consenso. O PS de Costa revoga o apoio do PS de Seguro à reforma do IRC e recusa a diminuição das taxas. No IRS, o PS quer voltar a aumentar o número de escalões para tornar o imposto mais progressivo. E a descida do IVA da restauração dá resposta às preocupações do PCP com pequenos e médios empresários


7 – O reforço e diversificação do financiamento da Segurança Social e a garantia dos apoios sociais, designadamente do abono de família, subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego

Não problema. É outro ponto de consenso: o PS defende o mesmo. Jerónimo de Sousa não se pronunciou neste discurso sobre o ponto mais polémico do PS para a Segurança Social: a descida temporária das contribuições, que tem sido rejeitada por todos, tanto à esquerda como à direita.


8 – A contratação de médicos, enfermeiros de família e outros profissionais para o SNS, a reposição do transporte de doentes não urgentes e a eliminação das taxas moderadoras

Sem problema. O PS também promete mais meios para o Serviço Nacional de Saúde.


9 - A reversão dos processos de concessão, subconcessão e privatização, designadamente das empresas de transportes;

Sem problema. O PS defende o mesmo


10 - A revogação da recente alteração à Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez

Sem problema. Toda a esquerda defende o mesmo e a revogação desta lei que introduziu o pagamento de taxas moderadoras nos abortos feitos a pedido da mulher deve ser dos primeiros diplomas a ser aprovado no novo Parlamento

Comentários
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  • Lurdes Zegre
    10 out, 2015 Lisboa 10:10
    E a proposta número 5? Ficou no tinteiro? Como é possível tamanha negligência? Não relêem os textos que escrevem?
  • Olema Parada-Leitão
    10 out, 2015 Lisboa 03:08
    Eu votei PS como sempre. No entanto espero encontrar o PS de sempre sem coligações com partidos que são stalinistas e querem a ditadura. Espero que o Dr. António Costa me aça sair do partido.
  • A faca e o queijo
    09 out, 2015 Fnc 15:52
    É evidente que um acordo alargado à esquerda PS, BE, CDU tem mais viabilidade! Lamentavelmente dentro do PS há quem prefira uma vez mais fazer a cortesia de dar preferência aos interesses dos partidos políticos em detrimento do interesse dos cidadãos! Vozes no interior do PS dão conta da impossibilidade de um governo à esquerda! Porquê, quando muito indica que tanto o BE , como a CDU não inviabilizariam um governo de esquerda, inclusive pondo de parte, adiando da cena política algumas das suas reivindicações anti europeístas? Porque não quebrar por uma vez que fosse o marasmo, a inércia, dando lugar a uma alternativa real em vez da costumeira alternância? Como seria possível o PS assinar as políticas da coligação quando em campanha eleitoral sempre se bateu pelo contrário?
  • os portugueses
    09 out, 2015 port 14:03
    não andam a clamar por mais seriedade e honestidade na politica e nos politicos? ora parece que aqui está a haver uma grande parte disso! Esperemos que haja continuidade e que possamos "virar a página" de 40 anos de democracia assente em falsas seriedades...
  • Seriedade
    09 out, 2015 lis 13:58
    Nas negociações e nos compromissos! acredito mais que haverá entre a esquerda do que entre os manhosos desta direita!...A direita tem e deve ser reciclada e voltar aos principios e valores da social democracia, no caso do PSD e da democracia cristã no caso do CDS. as direcções destes partidos, actualmente, subverteram completamente estes valores e vivem à conta de uma parte do seu eleitorado que é levado ao engano!
  • Inocêncio Cebola
    09 out, 2015 Almada 12:44
    Muito bem, espero este acordo entre a esquerda, nomeadamente o PS com O PCP, desde os 13 anos de idade ou seja desde o 25 de Abril! Relembro que alguns dos partidos à sua esquerda, surgiram apenas porque esta incapacidade de compromisso era uma constante, facto que, parece, ter desaparecido. Congratulo-me com isso e passarei a dar o meu voto ao PCP daqui para o futuro, ou como o "nada" diz: Pra futuro!
  • Inocêncio Cebola
    09 out, 2015 Almada 12:42
    Muito bem, espero este acordo entre a esquerda, nomeadamente o PS com O PCP, desde os 13 anos de idade ou seja desde o 25 de Abril! Relembro que alguns dos partidos à sua esquerda, surgiram apenas porque esta incapacidade de compromisso era uma constante, facto que, parece, ter desaparecido. Congratulo-me com isso e passarei a dar o meu voto ao PCP daqui para o futuro, ou como o "nada" diz: Pra futuro!
  • Eu
    09 out, 2015 Aqui 12:37
    O problema de Portugal não é ser governado pela esquerda ou direita, o problema é que em Portugal a maioria dos cidadãos devia estar internado num manicómio e como se vê, andam todos à solta. Uns votam mal e outros nem lá vão.
  • LC
    09 out, 2015 Lisboa 09:09
    Se sobrevivemos 4 anos a uma direita radical que, até, nunca respeitou a Constituição porque não podemos ser governados por uma esquerda que defende a Constituição?
  • Pedro Cabral
    09 out, 2015 Portugal 08:12
    Estarão acordar uma incógnita chamada abstenção ? Não estará o PS a destapar o jarro de Pandora? Por acaso não estará no jarro a quarta República? Já diziam os romanos que algures na Ibéria havia um povo que não sabia governar-se nem deixava-se governar.Está descoberto este Povo e chama-se Partido Socialista!

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