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Incêndio em Mação. Bispo fala em “desolação total”

24 jul, 2019 - 15:28 • Ângela Roque e Ana Catarina André

D. Antonino Dias, que já passou por algumas das freguesias mais afetadas, receia que os fogos acelerem ainda mais a desertificação do interior do país. Em declarações à Renascença garante apoio da Igreja às vítimas dos incêndios, e manifesta-se solidário para com os autarcas.
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A diocese de Portalegre-Castelo Branco vai apoiar as vítimas dos incêndios, que este ano voltaram a atingir vários concelhos da região. A garantia foi dada à Renascença pelo bispo D. Antonino Dias, que já iniciou contactos com alguns párocos, e não só.

“Estamos atentos. Já falei com a Cáritas diocesana, que ainda vai fazer as avaliações”, revelou D. Antonino Dias, sublinhando a importância de se prestar apoio na altura certa. “Na altura do fogo, às vezes muito faz quem não incomoda. Mas, vamos ver como é que poderemos agilizar as coisas, naquilo que nos compete e que possamos intervir e possamos fazer. Porque a Igreja procura estar presente, discretamente, mas sempre presente, a incutir esperança, a apoiar, a animar, a fazer aquilo que pode”, afirmou.

O bispo de Portalegre-Castelo Branco lamenta o “sofrimento daquelas populações”, que “tem sido muito, ano após ano”, como ainda ontem pôde constatar no concelho de Mação, um dos mais afetados pela atual vaga de incêndios, e onde encontrou um cenário desolador.

“Vinha de Aveiro e passei por Cardigos, por Afundada. Aquilo é uma desolação total. A gente fica a imaginar o sofrimento daquela gente, e a interpelar-se como é que poderá ser o futuro?”, refere o bispo, que receia que a situação venha a agravar ainda mais a desertificação do interior do país. “Com certeza que irá provocar mais fuga ainda. Como isto passou a ser um pouco cíclico, quem investiu ali naquelas terras, e passado uns anos vem de novo o fogo, as pessoas de facto ficam desiludidas e desanimadas e sem vontade de continuar. Podem andar a trabalhar toda a vida para estarem a recomeçar constantemente de novo”.

Nestas declarações à Renascença D. Antonino sublinha, ainda, o papel dos autarcas na defesa dos territórios afetados. “Eu reconheço a força dos autarcas, e parece-me ingrato ver autarcas em que nos seus concelhos ardeu tudo ou quase tudo, já não ficou quase nada há dois anos, e este ano outra vez. Estão insatisfeitos ao máximo. Eu admiro os autarcas, sejam eles de que lado forem, de que cor forem, são pessoas que lutam fortemente e persistentemente por aquilo a que presidem, que são as suas freguesias e os seus concelhos”.


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