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Síria. Preocupado com situação humanitária, Papa pede “gestos significativos” a Assad

22 jul, 2019 - 11:56 • Ângela Roque

A mensagem já foi entregue em mãos a Bashar al-Assad, em Damasco, pelo enviado do Papa. Na carta Francisco alerta para a situação dramática dos civis indefesos e pede mais empenho no processo de reconciliação.

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O Papa Francisco escreveu ao Presidente sírio a manifestar a sua “profunda preocupação” com a situação humanitária na Síria, em particular com a “condição dramática” em que se encontra a população de Idlib, onde prosseguem os bombardeamentos.

Um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé confirma que a carta do Papa foi entregue esta segunda-feira de manhã ao Presidente sírio, em Damasco, pelo enviado do Papa, cardeal Peter Turkson. A acompanhar o prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral esteve o núncio apostólico na Síria, cardeal Mario Zenari.

Os pormenores da carta foram, entretanto, avançados pelo Secretário de Estado do Vaticano. Em entrevista ao “Vatican News”, o cardeal Pietro Parolin esclarece que a iniciativa do Papa não é “política”. Francisco está sobretudo preocupado com “a situação de emergência humanitária”, e em especial “das crianças que são envolvidas nos combates sangrentos”, e renova o apelo “para que a vida dos civis seja protegida e para que as infraestruturas principais, como escolas, hospitais e centros de saúde, sejam preservadas”.

“O Santo Padre pede ao Presidente que faça tudo para deter essa catástrofe humanitária, e para salvaguardar a população indefesa, em particular os mais vulneráveis, respeitando o Direito Humanitário Internacional”, acrescenta Parolin, revelando que na carta o Papa “cita três vezes a palavra ‘reconciliação’. Esse é o seu objetivo”, garante, acrescentando que Francisco “continua a rezar para que a Síria possa reencontrar um clima de fraternidade depois de longos anos de guerra”.

Entre os “gestos significativos” que o Papa encoraja o presidente Bashar al-Assad a levar a cabo está a criação de condições para “o regresso seguro dos exilados e deslocados, e para todos aqueles que queiram voltar ao país depois de terem sido obrigados a abandoná-lo”. Pede, também, uma “atenção particular à situação dos presos políticos, aos quais não podem ser negadas condições de humanidade”.

“A Santa Sé sempre insistiu na necessidade de buscar uma solução política viável para por fim ao conflito, superando os interesses partidários. Isso deve ser feito com os instrumentos da diplomacia, do diálogo, da negociação e com a assistência da Comunidade internacional”, afirma ainda o Secretário de Estado do Vaticano.

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