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Ministério Público diz que Azeredo Lopes deu aval a "encobrimento" em Tancos. Ex-ministro nega

19 jul, 2019 - 19:26 • Redação

Despacho dos procuradores foi divulgado pela revista “Sábado”. Antigo ministro da Defesa já reagiu, em comunicado.

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O ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes sabia desde o início do “encobrimento” do caso de Tancos, mas disse o contrário no Parlamento, de acordo com a tese do Ministério Público (MP) avançada pela revista “Sábado”.

Os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) alegam que, em agosto de 2017, dois meses antes do "achamento" das armas, Azeredo Lopes reuniu-se com o ex-diretor da Polícia Judiciária Militar (PJM), Luís Vieira.

No encontro que decorreu no Ministério da Defesa, o governante ficou a saber e deu o aval ao plano de recuperação do material furto da base militar de Tancos, em Santarém.

O despacho do Ministério Público, citado pela revista “Sábado”, Luís Vieira disse a Azeredo Lopes que "tinha tido informações, por militares da GNR de Loulé, da existência de um indivíduo que tinha subtraído e escondido o material militar" e que "estava disposto a negociar a entrega do material, contando com o apoio de alguns militares da GNR".

"Deste modo, o arguido Luís Vieira colocou o arguido Azeredo Lopes ao corrente das informações que tinha e das suas pretensões e procurou obter a concordância do ministro da Defesa, o que, efetivamente, obteve", concluem os procuradores.

Na mesma reunião, o então ministro da Defesa recebeu três documentos da PJ Militar: um memorando, uma fita do tempo sobre os acontecimentos e uma cópia do despacho do Ministério Público de 7 de julho de 2017.

Azeredo Lopes, que foi constituído arguido e é suspeito dos crimes de denegação de justiça e prevaricação e abuso de poder, já reagiu à notícia da “Sábado”.

O antigo ministro lamenta o que diz ser a “flagrante violação do segredo de justiça que tal notícia consubstancia, e a que todos os agentes processuais estão obrigados por lei”.

“Reitero as declarações feitas na Comissão Parlamentar de Inquérito de Maio de 2019”, sublinha Azeredo Lopes.

“Mais uma vez digo que, não obstante este episódio, confio na Justiça, com ela colaborarei, como é meu dever, e estou convicto, porque nada fiz de ilegal ou incorreto, que serei completamente ilibado de quaisquer responsabilidades neste processo”, conclui o antigo ministro.

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  • João Lopes
    20 jul, 2019 15:52
    A verdade saber-se-á. É evidente que António Costa teve que saber. E se soube silenciou. Por isso deve demitir-se: não seria digno do lugar que ocupa de Primeiro-ministro de Portugal.