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Congresso dos EUA

Quem são as quatro democratas que Trump acusa de quererem destruir os Estados Unidos?

17 jul, 2019 - 09:46 • Joana Bourgard

Conhecidas como o “Esquadrão”, Ilhan Omar, Ayanna Pressley, Rashida Tlaib e Alexandria Ocasio Cortez são os mais recentes alvos do Presidente norte-americano. Acusa-as de virem de países "totalmente estragados e infestados". Em reação, as congressistas já pediram aos norte-americanos que "não mordam o isco" de Trump.
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Acusadas por Donald Trump, várias vezes ao longo da última semana, de quererem destruir os Estados Unidos, há quatro congressistas democratas que têm sido alvos de fortes críticas do Presidente norte-americano, numa sucessão de 'tweets' considerados racistas e que motivaram uma resolução de condenação no Congresso.

“Voltem para os vossos países e ajudem a arranjar os sítios totalmente estragados e infestados de onde vêm”, disse Trump ao dirigir-se às quatro legisladoras, popularmente conhecidas como o "Esquadrão". As democratas já pediram aos norte-americanos para não “morderem o isco” lançado pelo Presidente. “Esta é uma distração disruptiva” das políticas que interessam ao povo, disseram em conferência de imprensa.

Apenas uma das mulheres a que a Trump se refere não nasceu nos Estados Unidos, embora tenha nacionalidade norte-americana há 20 anos, há mais tempo do que Melania Trump, a primeira-dama norte-americana.

Ilhan Omar, Ayanna Pressley, Rashida Tlaib e Alexandria Ocasio-Cortez lutam no Congresso por mais comparticipação do Estado no sistema público de saúde, o Medicaid, para famílias com baixos rendimentos, por educação livre de propinas que endividam milhares de jovens todos os anos, por igualdade de género e pela liberdade religiosa.

Ilhan Omar

Nasceu em 1981 em Mogadíscio, capital da Somália, e é a filha mais nova de sete irmãos. Foi educada pelo pai e pelo avô depois de a mãe ter morrido quando tinha dois anos.

No início da guerra civil na Somália, em 1991, a família de Omar fugiu do país e viveu quatro anos num campo de refugiados no Quénia, antes de se mudar para o Minnesota em 1995, onde entrou com estatuto de refugiada.

O interesse pela política nasceu pouco depois de chegar aos Estados Unidos, aos 14 anos, quando teve de fazer de intérprete para o avô numa delegação do Partido Democrata, no estado onde sempre viveram desde a fuga da Somália.

Tornou-se cidadã norte-americana antes de terminar o liceu, em 2000, quanto tinha 17 anos.

Depois de se formar em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Universidade do Minnesota, trabalhou como educadora e organizou campanhas municipais.

Em 2016 foi eleita para a Câmara dos Representantes do Minnesota e tornou-se na primeira legisladora muçulmana dos Estados Unidos.

Foi eleita para o Congresso em 2018 pelo mesmo estado. Uma das suas primeiras conquistas foi conquistar o fim da proibição do uso de chapéus na Câmara dos Representantes, que durava há 181 anos, de forma a permitir que pudesse usar o 'hijab' (véu islâmico) na sua tomada de posse em 2018.

Ayanna Pressley

Filha única de mãe solteira e de um pai ausente por sucessivas detenções por pequenos crimes, Ayanna Pressley nasceu em Cincinnati, no Ohio, e cresceu em Chicago.

Estudante exemplar, foi eleita delegada de turma todos os anos, desde o 7.º ano até terminar o liceu. Ingressou na Universidade de Boston em 1992, mas desistiu da licenciatura para poder ajudar financeiramente a mãe.

Continuou sempre ligada à política ao trabalhar como voluntária para a campanha de reeleição do senador John Kerry, com quem trabalhou aos longo de 13 anos. Em 2009 foi eleita para a Câmara Municipal de Boston e torna-se na primeira mulher negra a ocupar o cargo.

Em janeiro de 2019 tornou-se membro da Câmara dos Representantes pelo sétimo distrito de Massachusetts.

Desde que assumiu o cargo, tem defendido o direito ao aborto e pressionado os legisladores para que aprovem uma lei a revogar a emenda que impede o Medicaid de cobrir interrupções voluntárias da gravidez para americanas com baixos rendimentos.

Rashida Tlaib

É a filha mais velha de 14 irmãos numa família de imigrantes palestinianos nascidos em Detroit. A sua avó ainda vive na Cisjordânia, um dos dois territórios palestinianos ocupados por Israel.

Rashida ficou para a história da política norte-americana em 2008, ao tornar-se na primeira mulher muçulmana a trabalhar na legislatura do Michigan.

Defensora de mais medidas de combate às alterações climáticas, criou a campanha “Temos o Direito a Respirar”.

Depois de várias queixas dos residentes de Detroit terem sido dadas como infundadas pelo Departamento de Qualidade Ambiental do Michigan, Rashida recolheu pessoalmente amostras de pó e acabou por conseguir provar a presença de substâncias nocivas à saúde no ar, forçando o multimilionário Matty Moroun a cumprir a lei que restringia os níveis de emissões poluentes por veículos de carga no centro de Detroit.

Atualmente é congressista pelo 13.º distrito do Michigan, que inclui Detroit, e tomou posse com o traje tradicional da Palestina, cosido pela mãe.

Alexandria Ocasio-Cortez

Nasceu e cresceu no Bronx, em Nova Iorque, e é filha de pais porto-riquenhos. Depois de estudar Economia e Relações Internacionais na Universidade de Boston, trabalhou em organizações comunitárias como educadora e, por último, como empregada mesa, antes de concorrer a um assento no Congresso norte-americano pelo seu distrito nova-iorquino.

Em 2018 tornou-se na mais jovem mulher a integrar o Congresso federal: assumiu o cargo aos 29 anos, depois de derrotar o veterano Anthony Pappas com 78% dos votos.

Conhecida pelos seus depoimentos apaixonados em audiências no Congresso, é a cara mais conhecida do “Esquadrão”.

Já depois de tomar posse na Câmara dos Representantes, Ocasio-Cortez disse que "não há dúvida" de que Trump é racista. "As palavras que ele usa são gritos históricos de supremacia branca”, referiu. "O Presidente certamente não inventou o racismo, mas certamente deu-lhe voz."


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  • Guedes
    17 jul, 2019 Funchal 20:51
    Porto Rico pertence aos EUA há uns 130 anos. Se é um local como Trump o define, Trump pode pedir contas ao Presidente dos EUA. Já agora quem ocupava a Casa Branca quando o furacão Maria deu cabo da ilha? A rede eléctrica ainda não recuperou do furacão e já se passaram quase dois anos do desastre. Make Puerto Rico great again!