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Reino Unido

​Em três anos, três primeiros-ministros e Brexit em suspenso. Em que ponto estamos?

14 jul, 2019 - 14:40 • Cristina Nascimento , Joana Azevedo Viana com BBC e agências

Revisite a cronologia do Brexit desde que 52% dos britânicos votaram pela saída da UE, numa altura em que passam três anos desde que David Cameron abandonou o poder por causa do referendo.
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Quando o referendo ao Brexit foi anunciado pela primeira vez, Kanye e Jay-Z ainda eram amigos e o príncipe Harry e Meghan Markle ainda nem tinham se conhecido.

Sir Alex Ferguson era treinador da Primeira Liga e Will.i.am e Britney estavam em primeiro lugar nas listas de vendas.

Quando passam três anos desde a saída de David Cameron da liderança do governo britânico, passe em revista alguns dos acontecimentos que marcaram a realidade do Reino Unido.

23 de janeiro de 2013: é anunciado o referendo

O primeiro-ministro David Cameron anuncia que, se os conservadores vencerem as eleições que se aproximam, realizar-se-á um referendo onde, de forma muito simples, os britânicos poderão dizer se querem ficar ou sair da União Europeia.

Política à parte, Scream & Shout, de Willi.i.am, com Britney Spears, está no topo das vendas musicais e Barack Obama está a começar o seu segundo mandato como presidente dos Estados Unidos.

8 de maio de 2015: Conservadores vencem as eleições gerais

Dando um salto rápido no tempo, os conservadores ganham as eleições e Ed Miliband deixa a liderança do Partido Trabalhista.

Enquanto isso, os emojis tornam-se a língua que mais cresce no Reino Unido, de acordo com um professor universitário.

20 de fevereiro de 2016: David Cameron define data de referendo

Depois de terminar novas negociações sobre o relacionamento do Reino Unido com a União Europeia, David Cameron anuncia que o referendo prometido será feito a 23 de junho de 2016.

David Cameron. "Eu não amo Bruxelas, eu amo a Grã-Bretanha"
David Cameron. "Eu não amo Bruxelas, eu amo a Grã-Bretanha"

Poucos dias depois, Adele é a estrela maior dos Brit Awards, ao ganhar o prémio de melhor single britânico com “HelloW, melhor álbum britânico, melhor artista solo feminino britânico e o prémio de sucesso global.

23 de junho de 2016: o Reino Unido vota para deixar a UE

Faz-se o referendo e 52% dos votantes revela-se a favor da saída do Reino Unido. David Cameron apresenta a sua demissão do cargo de primeiro-ministro.

Está decidido. 52% dos britânicos escolheram o Brexit
Está decidido. 52% dos britânicos escolheram o Brexit

Poucos dias depois, a Inglaterra perde por 2 a 1 frente à a Islândia no Euro 2016. Poucos dias depois, regista-se um aumento dos crimes de ódio no Reino Unido.

13 de julho de 2016: Theresa May escolhida para primeira-ministra

Theresa May torna-se a nova primeira-ministra do Reino Unido e promete liderar um governo de "uma nação" que funciona para todos, não apenas para os "poucos privilegiados".

Nesta altura, o Príncipe Harry tinha tido recentemente o seu primeiro encontro a dois com a atriz americana Meghan Markle.

O país passa o resto do verão à caça de Pokemon.

2 de outubro de 2016: Theresa May anuncia a data do Brexit

A primeiro-ministra Theresa May anuncia que o Reino Unido deixará a UE em 29 de março de 2019.

Por estes dias, Brad Pitt e Angelina Jolie tinham anunciado ao mundo a sua separação, depois de 12 anos juntos.

Em Portugal, a Renascença já lançava o debate: “E se o Reino Unido acabar por não sair da UE?”

29 de março de 2017: o artigo 50 é acionado

O processo de deixar a EU é oficialmente iniciado, ao ser acionado o Artigo 50. Começa a contagem decrescente de dois anos para o Brexit.

18 de abril de 2017: Outra eleição geral é anunciada

A primeira-ministra Theresa May convoca inesperadamente uma eleição geral para junho. As sondagens preveem uma vitoria fácil do Partido Conservador.

Na música, o novo álbum de Ed Sheeran Div “Divide” lidera as listas de vendas.

8 de junho de 2017: eleições revelam resultado surpreendente

É um resultado inesperado. O Partido Conservador perde a maioria na Câmara dos Comuns, o que torna muito mais difícil para Theresa May aprovar leis futuras.

O Reino Unido - e o mundo - estão no auge da mania do Reggaeton, com o “Despacito” a ouvir-se por todo o lado.

8 de dezembro de 2017: A primeira fase das conversas do Brexit termina

Um acordo de última hora entre a União Europeia e o Reino Unido é alcançado.

O documento diz que não haverá "fronteiras rígidas" entre o Reino Unido e a Irlanda, os direitos dos cidadãos da UE no Reino Unido e cidadãos britânicos na UE serão protegidos e o chamado "projeto de divórcio" custará cerca de 39 mil milhões de libras.

Enquanto isso, todos os domingos, o Reino Unido impressiona-se com os documentários Blue Planet II, de David Attenborough.

9 de julho de 2018: Demissões do Gabinete

Um dia depois da demissão do secretário da Brexit, David Davis, o ministro das Relações Exteriores Boris Johnson também abandona o cargo. As duas saídas estão relacionadas com o o "plano Cheqeurs" de Theresa May para deixar a UE.

14 de novembro de 2018: Reino Unido e UE aceitam acordo de retirada

Theresa May concorda com o texto do acordo de saída, mas o documento não é bem-recebido no Reino Unido.

12 de dezembro de 2018: Theresa May vence sem confiança

Os deputados conservadores, descontentes com o desempenho da primeira-ministra, lançam uma moção de censura a Theresa May, como líder do partido. May ganha por 200 a 117.

16 de janeiro de 2019: Primeiro chumbo do acordo, mas Theresa May vence outra moção de censura

Theresa May enfrenta nova moção de censura, desta vez no Parlamento, já depois de os deputados terem rejeitado o acordo para o Brexit alcançado pela primeira-ministra. May vence novamente - desta vez entre 325 e 306.

18 de fevereiro de 2019: alguns deputados deixam os seus partidos

Sete deputados trabalhistas deixaram o partido por causa de questões que incluem o Brexit. Nos dias seguintes, outro trabalhista e três deputados conservadores seguem o mesmo rumo.

24-25 de fevereiro de 2019: Theresa May fala com os líderes da UE na cimeira de Sharm-el Sheikh

Depois de uma reunião de topo de dois dias no Egito, Theresa May disse que sentiu uma "determinação real" dos líderes da UE em encontrar uma "maneira suave e ordeira [de sair] com um acordo".

10 de março de 2019: Primeira-ministra anuncia mudanças legais

A primeira-ministra volta de uma reunião em Estrasburgo com a notícia de que foram feitas algumas "mudanças legais" na proposta para o Brexit. A alteração mais significativa centra-se na fronteira entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda.

12 de março de 2019: Segundo chumbo ao acordo do Brexit

A 16 dias da data de saída da União Europeia, os deputados rejeitaram pela segunda vez a proposta de Theresa May para o Brexit.

21 de março de 2019: prolongamento do Brexit

A poucos dias para a data da saída da UE, os 27 concedem um prolongamento. A nova data aponta para 22 de maio como data de saída, se Londres aprovar entretanto o acordo alcançado entre May e Bruxelas.

10 de abril de 2019: terceiro chumbo do acordo

A falta de acordo entre os parlamentares de Westminster e as intrigas internas do partido conservador impossibilitam uma aprovação do acordo de saída. May pede mais tempo aos membros da União Europeia. A primeira-ministra britânica viaja para Berlim e Paris para convencer Merkel e Macron. No fim dos encontros, a União Europeia adia pela segunda vez, o Brexit. Desta vez até 31 de outubro deste ano.

21 de maio de 2019: Nova derrota de May no Parlamento

Theresa May propõe aos deputados a possibilidade de votarem sobre a realização de um novo referendo na condição de aprovarem o Acordo de Saída. Muitos conservadores e o Partido Trabalhista rejeitam a proposta.

24 de maio de 2019: Theresa May demite-se

A primeira-ministra anuncia que se demite da liderança do Partido Conservador.

Theresa May sai emocionada. “Em breve deixarei o trabalho que foi a honra da minha vida”
Theresa May sai emocionada. “Em breve deixarei o trabalho que foi a honra da minha vida”

A sua saída desencadeia uma eleição interna cujo vencedor -- ainda por anunciar -- irá assumir a chefia do governo.

Entretanto, Ursula von der Leyen, a provável sucessora de Jean-Claude Juncker à frente da Comissão Europeia, já fez saber que não irá renegociar o Acordo de Retirada do Reino Unido.

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