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Ministra da Saúde nada fez “de substantivo”, diz bastonário dos Médicos

11 jul, 2019 - 12:45 • André Rodrigues , Joana Bourgard (vídeo)

Marta Temido diz à Renascença e ao jornal “Público” que o "essencial é ir fazendo pequenas mudanças", mas o bastonário da Ordem dos Médicos e secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) têm outra perspectiva.
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"Sem querer correr o risco de ser injusto, mas daquilo que eu conheço do SNS, não vejo nenhuma mudança em nada de substantivo" que a ministra da Saúde tenha feito, afirma Miguel Guimarães.

O bastonário da Ordem dos Médicos reage assim à resposta de Marta Temido sobre as conclusões do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, que fala de uma legislatura perdida para as reformas que é preciso fazer no SNS.

Na entrevista conjunta à Renascença e ao jornal “Público”, a ministra da Saúde rejeita a ideia de nada ter feito e diz que o "essencial é ir fazendo pequenas mudanças" num sistema que, "genericamente é um bom sistema".

Também em declarações à Renascença, o bastonário da Ordem dos Médicos reconhece que o empenho de Marta Temido na nomeação de grupos de trabalho para pensar a reforma do sistema de saúde, "só que os grupos de trabalho é o que se faz quando, objetivamente, não se quer andar para a frente".

Exemplo disso é a questão do regresso à exclusividade opcional dos médicos no SNS. Miguel Guimarães lembra que "quem veio falar nessa situação não foi a ministra da Saúde, foram os médicos. E agora a ministra está a considerar essa possibilidade, mas com reservas".

A dois meses das eleições legislativas, o bastonário diz não ter dúvidas de que "nada vai avançar até outubro".

Marta Temido reconhece que, por agora, essa "é uma linha de desenvolvimento que está no programa do atual Governo e que está na Lei de Bases da Saúde".

Para o bastonário da Ordem dos Médicos, "é uma medida que poderá ter um efeito positivo no SNS", sendo certo que "isso não chega, por si só, para resolver o problema da falta de médicos".

Miguel Guimarães lembra que "os médicos não saem do SNS só porque vão ganhar melhor, mas porque sofrem uma pressão muito grande para produzirem números, porque sentem que não são respeitados pela tutela e porque estão em situação de ‘burnout’ em consequência disso".

O mesmo defende o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). Em declarações à Renascença, Jorge Roque da Cunha diz que a entrevista de Marta Temido é "um exercício de denegação da realidade", particularmente "por se tratar de uma ministra que tem mostrado uma total incapacidade para se afirmar junto do Governo".

Esta semana, o SIM declarou suspensas as negociações com o Ministério da Saúde para o caderno reivindicativo que esteve na origem da greve do início deste mês, dizendo que, a partir de agora, só dialoga com o primeiro-ministro.

No entanto, Roque da Cunha denuncia o que classifica como "insensibilidade" do próprio chefe do Governo que, diz, "tem uma agenda muito preenchida, mas nem 15 minutos que seja tem para falar com os médicos".

A realidade, sublinha o dirigente do SIM, é que, "todos os dias, o SNS está a pagar pela falta de investimento, com uma dupla agravante: o país paga demasiados impostos e a dívida pública nunca foi tão alta".

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