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Bispo da Guarda e a crise dos refugiados. "Isto não é razoável, não é de gente adulta"

11 jul, 2019 - 06:52 • Liliana Carona

"É uma vergonha para esta Europa", desabafa D. Manuel Felício, reafirmando a disponibilidade da sua diocese para receber refugiados, como já aconteceu com um grupo da Eritreia, acolhido no seminário do Fundão.
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O bispo da Guarda, D. Manuel Felício, classifica como "vergonha" a crise dos refugiados e o modo como muitos responsáveis europeus abordam o problema.

"É uma vergonha para esta Europa este caso dos refugiados não terem onde aportar", diz D. Manuel Felício.

O prelado lembra que a Europa criou "um departamento de refugiados em 1950, pensado para os refugiados da II Guerra Mundial, e, agora, não quer aplicar esse regulamento a outros que vêm de fora".

"Isto não é razoável", enfatiza D. Manuel. "Não é de gente adulta, isto é de gente que quer chutar o problema e que nem sequer atirando com ele para a Turquia, dando dinheiro à Turquia para ficar lá com os refugiados, resolve o problema resolvido. Temos que ter coragem para encarar os problemas”, desafia.

O prelado reafirma a disponibilidade da sua diocese para receber refugiados e destaca o caso de acolhimento de refugiados da Eritreia no seminário do Fundão: "Cada vez que vou ao Fundão e vejo 24 refugiados da Eritreia, penso 'ainda bem que neste caso não se passou aquilo do navio da ONG alemã, Sea Watch, que é uma vergonha'."

Quem está ao leme, defende D. Manuel Felício, tem que ter "um olhar da sociedade muito abrangente e crítico".

D. Manuel Felício encontra no seu passado e na época em que decidiu ser padre as razões para defender a sua abertura ao acolhimento. “Os meus pais foram falar com o senhor abade, assim se chamava na minha terra, depois de eu ter dito que queria seguir os passos dos padres missionários que tinham passado na minha escola e mostrado uns 'slides'. Era a primeira vez que via 'slides'... E lá fui eu, com 10 anos, para o seminário de Fornos de Algodres”, conta, confessando que ali passou as dificuldades de quem só via os pais no Natal.

Mas foi aos 17 anos, que “tombou”, ou seja, que decidiu mesmo seguir a formação teológica. “Foi um ano, em Viseu, foram cinco anos, em Lisboa e, depois, ordenei-me para a diocese de Viseu, onde estive 29 anos como padre”, recorda.

Numa família de três irmãos, foi ele o único a seguir essa vocação. “Tive um tio que andou no seminário e, depois, saiu e a minha avó ficou sempre com pena. Quando disse que ia para o seminário ficou toda contente”, diz, saudoso.

D. Manuel Felício foi nomeado bispo coadjutor da Guarda a 21 de dezembro de 2004, por João Paulo II, tomando posse a 16 de janeiro de 2005 como bispo auxiliar de D. António dos Santos. Em dezembro do mesmo ano, sucedia-lhe, após a aceitação da renúncia deste, por problemas de saúde, ao governo pastoral pelo Papa Bento XVI.

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