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C-DAYS 2019. "É preciso agir" na área da cibersegurança, alerta coordenador nacional

26 jun, 2019 - 12:35 • Redação

A C-DAYS 2019, a decorrer no Porto, tem como principal enfoque a segurança digital nas PME, desafios emergentes das transformações digitais e a reflexão de uma economia cada vez mais absorvida pelo mundo digital.
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O coordenador do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), Lino Santos, advertiu, esta quarta-feira, no Porto, para a necessidade de agir na área da cibersegurança.

“Não basta estar consciente, é preciso saber como agir. É preciso agir”, disse Lino Santos, na primeira sessão da C-Days, conferência sobre cibersegurança que decorre esta quarta-feira e amanhã, na Alfãndega do Porto.

A segurança digital nas PME, os desafios emergentes das transformações digitais e a uma reflexão de uma economia cada vez mais absorvida pelo mundo digital estão na agenda dos dois dias de trabalhos.

Lino Santos "viajou" até à década de 80 do século passado para lembrar que os ataques digitais eram “um aborrecimento que se revolvia com o reiniciar do computador” para sublinhar que no panorama atual “compreende-se que o espaço cibernético pode comprometer os estados democráticos e as eleições”.

O coordenador do CNCS defendeu a necessidade de haver uma força conjunta para combater as potenciais ameaças neste campo, porque "é preciso preparar as empresas e os cidadãos para estes novos desafios: sensibilizar e educar; crescer em individualidade e em coletividade”.

A vulnerabilidade das PME

A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva, lembrou que “78% dos portugueses trabalham em PME” , para reforçar a ideia do papel dos cidadãos na luta contra ciberataques e na construção de um sistema em rede que precisa de se tornar mais resiliente.

Segundo Mariana Viera da Silva, Portugal encontra-se hoje “melhor preparado para reagir”, mas não deixa escapar a realidade da impossibilidade de uma garantia absoluta de cibersegurança.

“A cibersegurança é uma responsabilidade de todos [do Estado, dos meios de comunicação, das empresas, dos cidadãos]. E de cada um de nós, devemos estar informados", completou a ministra da Presidência.

O Presidente da República não marcou presença fisicamente na Alfãndega do Porto, mas esteve na conferência através de uma nota lida durante a sessão de abertura. A importância de debates sobre os perigos digitais e a discussão de estratégias de combate foram alguns dos pontos tocados por Marcelo Rebelo de Sousa.

“A defesa parte de todos e todos temos que estar ativos. O vosso sucesso será o sucesso de Portugal”, diz o Presidente da República.

A estratégia nacional de Cibersegurança 2019-2023

O diretor-geral do Gabinete Nacional de Segurança, António Gameiro Marques, apresentou, nesta primeira sessão de trabalhos, a nova estratégia nacional de cibersegurança.

“Quem não se souber história, não se percebe o presente e muito menos o futuro”, disse Gameiro Marques, salientando que é necessário não levar a segurança como um bem adquirido.

Nas palavras do diretor-geral, a informação e os dados são a matéria pura da sociedade do séc. XXI. Usando uma metáfora alusiva a uma moeda com duas faces, dedicou um tempo a falar sobre o lado bom e o lado mau da internet e do universo digital.

O último relatório do Weforum, coloca em 4.º e 5.º lugares os ataques e ameaças relacionados pelo ciberespaço como um dos mais relevantes em matéria de risco.

A estratégia nacional nasce a 5 de julho deste ano e assentará, essencialmente, em três pilares: investigação, desenvolvimento e inovação. Para além disso, tem como objetivos principais o zelar por um pais seguro e próspero, uma atuação inovadora, inclusiva, resiliente e a preservação dos valores fundamentais do estado de direito democrático.

“A segurança é uma responsabilidade coletiva - sendo público ou privado. Juntos podemos estar mais preparados para as ameaças que conhecemos, mas, sobretudo, para as que não conhecemos”, afirma.

A sessão de abertura da C-Days contou, ainda, com a presença do vice-presidente da Câmara do Porto, Filipe Araújo, que apelou à urgência de realizar novas conferências sobre cibersegurança em Portugal, de modo a alertar os portugueses a olhar para a parte “negativa” do digital.

“Podem afetar o nosso dia-a-dia, mas também a própria economia”, disse o autarca, em referência aos ataques cibernéticos às empresas, que se revelam casa vez mais comuns.


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