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A mesma embalagem, conteúdo diferente. Um terço dos alimentos vendidos na UE tem dupla qualidade

24 jun, 2019 - 15:30 • Redação com Reuters

Comissão Europeia decidiu investigar as queixas de alguns consumidores, segundo os quais o mesmo produto pode ter uma qualidade diferente consoante o país em que é adquirido.
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Depois de analisadas quase 1.400 amostras de 128 tipos diferentes de alimentos, em 19 países da União Europeia [UE], um estudo da Comissão Europeia concluiu que 31% das amostras, onde 9% tinham embalagens iguais e 22% embalagens similares, tinham composições alimentares diferentes dependendo do local onde eram compradas.

As disparidades incluem tipos diferentes de carne ou peixe, um maior teor de gordura ou um tipo diferente de adoçante.

O estudo surgiu na sequência de queixas por parte de alguns países do Leste europeu, que alertaram para a possibilidade de algumas multinacionais venderem produtos de inferior qualidade nos seus países.

“Alguns europeus sentem que compram produtos alimentares de marca, mas com qualidade inferior aos que compram noutros locais, ainda que da mesma marca. A Comissão Europeia pediu então ajuda a cientistas para ajudar a avaliar objetivamente a dimensão dessas diferenças dentro do mercado único”, informa em comunicado o comissário europeu para a Educação, Cultura, Juventude e Desporto, Tibor Navracsics.

Apesar de não terem sido encontradas diferenças que discriminem diferentes regiões da Europa, o comissário mostrou-se preocupado por “se ter descoberto que até um terço dos produtos testados têm diferentes composições, apesar de terem uma aparência idêntica ou similar”.

Para tentar combater a dupla qualidade dos alimentos, a Comissão Europeia anunciou, também nesta segunda-feira, que vai investir 4,5 milhões de euros e irá ainda trabalhar para estabelecer uma metodologia comum entre os países para a realização de testes alimentares.

De acordo com a legislação da UE, é ilegal comercializar um bem idêntico ao comercializado noutros Estados-membros, mas com uma composição ou características significativamente diferentes.

O estudo, que decorreu entre novembro e dezembro de 2018, convida todos os Estados-membros a recolher informações sobre os produtos disponibilizados nos seus mercados.

Dos 28 países da União Europeia, apenas 19 enviaram informação. Portugal não se encontra na lista dos países que participaram no estudo.


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