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Arbitragem

João Capela: "Sentia-me em condições de continuar a arbitrar"

19 jun, 2019 - 12:45 • Rui Viegas

Após descer de categoria e decidir acabar a carreira, João Capela quebra o silêncio em entrevista à Renascença. Garante que não será VAR. Explica a polémica de Tondela ou a má relação com Rui Vitória. A divulgação da ética no desporto vai ocupar-lhe os próximos tempos.

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João Capela quebra o silêncio, cerca de 15 dias depois de ver confirmada a sua descida de divisão na classificação dos árbitros de 2018/19.

O até aqui internacional, de 44 anos, numa entrevista exclusiva a Bola Branca, garante que se sentia bem física e mentalmente para continuar e admite que foi a queda de categoria que precipitou o fim de uma carreira de 22 anos.

"Chegado a esta idade, com apenas mais um ano da vida de árbitro, e tendo descido, concluí que não fazia sentido continuar. Se me perguntar se me sentia bem? Claro que sim", começa por dizer João Capela, que não está zangado, nem guarda rancor de ninguém, depois de o presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, José Fontelas Gomes, lhe ter explicado a descida, baseada numa "questão matemática". Até porque, de forma geral, reconhece que o cargo de dirigente não é tarefa fácil, nem é para todos.

"Ser dirigente é uma função muito difícil, muitas das vezes não temos a preparação adequada para exercer a função", acrescenta.

"Jorge Sousa, o melhor? Ficou em primeiro"

Quanto à classificação, que despromoveu ainda João Malheiro Pinto, também de Lisboa, Capela diz aceitá-la. Jorge Sousa é, na sua opinião, o melhor "porque ficou em primeiro".

"Traduz o que foi a época, em números, e tenho que aceitar", atira Capela, que garante que não será videoárbitro (VAR).

"Sempre disse que não era uma coisa em que me sentisse confortável. Neste momento não estou disponível para ser videoárbitro", adianta, ao mesmo tempo que defende a manutenção do atual protocolo do VAR, uma vez que - caso contrário - os "robots" substituiriam o homem e de nada serviria ter um árbitro em campo.

Má relação com Rui Vitória

Nesta entrevista à Renascença, o agora ex-árbitro da Associação de Futebol de Lisboa aborda ainda um dos episódios mais polémicos da carreira, bem como uma relação tensa com Rui Vitória, desde os tempos em que o antigo treinador do Benfica orientava os juniores do clube encarnado.

Vitória chegou mesmo a dizer que Capela “não prestava” como juiz.

"Provavelmente, com o mister Rui Vitória, terá sido aquela história mais complicada, com um choque de personalidades fortes. A relação poderia ter sido melhor, mas é o que é", lamenta João Capela, que - entre outros episódios (em 149 jogos no escalão maior) - tem um "marcante": o Tondela-Sporting, de 2017/18, no qual foi acusado de dar um tempo de descontos exagerado [nove minutos] e de mencionar no relatório do jogo um insulto em castelhano de um jogador que é brasileiro. Capela assume ambos os erros.

"Foi uma má interpretação da minha parte, quanto ao tempo de jogo. E aquilo que escrevi no relatório foi o que ouvi. Provavelmente, posso ter entendido mal e ter ouvido uma coisa de outra pessoa. Agora, a perspetiva nunca pode ser a de que houve intencionalidade, de que se fez de propósito. Isso não existe", exclama o ex-juiz que, também pela primeira vez, afirma "não ter afinidade por qualquer clube".

"O clube pelo qual vibro, e choro, é a seleção nacional", faz notar.

Capela, o embaixador

João Capela, atual embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto, reafirma que tem como "sonho" levar o cartão branco do "fair-play" à Primeira Liga. Ao mesmo tempo que "humaniza" a função do árbitro.

"O árbitro é muito visto como um punidor, deveria ser visto como um moderador. O árbitro é um educador", termina.

João Capela, de 44 anos, acaba a carreira de árbitro com quase 150 jogos apitados na I Liga. Despediu-se do escalão principal em Braga, no jogo com o Portimonense, e o último desafio que arbitrou foi a final da Taça da Associação de Futebol de Lisboa, entre o Pêro Pinheiro e o Coutada.

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