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Ex-Presidente do Egito morre em pleno tribunal

17 jun, 2019 - 17:07

Mohamed Morsi, que pertence à Irmandade Muçulmana, foi deposto num golpe militar e estava detido.

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O ex-Presidente do Egito, Mohamed Morsi, morreu esta segunda-feira em plena audiência em tribunal.

A notícia foi dada em primeiro lugar pela televisão estatal do Egito e entretanto confirmada pela Reuters e outros órgãos de comunicação social.

Morsi foi eleito Presidente do Egito nas primeiras eleições presidenciais democráticas depois da Primavera Árabe.

Membro da Irmandade Muçulmana, que tinha sido reprimida nos tempos de Mubarak, Morsi começou a levar a cabo um projeto de islamização do país que não foi bem recebido pelas Forças Armadas.

Num golpe de Estado os militares, liderados pelo general Abdel el-Sisi, tomaram de novo o poder, prendendo Morsi, que desde então tem estado detido. Sisi foi entretanto eleito Presidente, cargo que ainda ocupa.

Uma vez detido, Mohamed Morsi foi acusado formalmente de uma variedade de crimes, desde a fuga da prisão durante a Primavera Árabe até ao incitamento à morte dos seus opositores e espionagem. Chegou a ser condenado à morte, mas a sentença foi entretanto comutada. Cumpria pena de prisão enquanto aguardava o desenrolar de outros processos.

Segundo a televisão estatal egípcia, Morsi morreu enquanto falava com o Presidente do Tribunal. Não são conhecidas as causas da morte.

Da prisão para a Presidência

A carreira política de Mohamed Morsi começou em 2000, quando foi eleito para o Parlamento. Uma vez que a Irmandade Muçulmana era uma organização proscrita no Egito, candidatou-se oficialmente como independente. Serviu no Parlamento como deputado até 2005.

Membro ativo da Irmandade, uma organização que nasceu no Egito e tem servido de inspiração para incontáveis organizações jihadistas e fundamentalistas islâmicas, foi detido em janeiro de 2011, no auge dos protestos contra o regime de Mubarak, na Primavera Árabe.

Apenas dois dias mais tarde, Morsi e mais de uma centena de outros detidos foram libertados da prisão por um bando de homens armados. Menos de quinze dias mais tarde Hosni Mubarak foi oficialmente deposto.

Morsi tomou parte ativa na reorganização política do Egito e foi eleito Presidente do país em 2012, com pouco mais de 50% dos votos.

A sua deposição pelos militares, em 30 de junho de 2013, deu-se depois de protestos contra a islamização do país e das instituições em que participaram milhões de pessoas. A ação das Forças Armadas foi saudada por grande parte do país como se tratasse de uma libertação. Os apoiantes de Morsi e da Irmandade não se conformaram e ao longo de protestos que duraram dias levaram a cabo a maior sequência de perseguições aos cristãos egípcios da história recente daquele país, matando vários e incendiando mais de uma centena de locais de culto e património da Igreja Copta.

[Notícia atualizada às 17h33]

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