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Recuperado relicário de Bartolomeu dos Mártires. Paróquia anuncia segurança reforçada

14 jun, 2019 - 13:25 • Lusa

Presumível responsável pelo furto foi detido. Paróquia de Monserrate ainda não sabe quando voltará a ficar na posse da relíquia.
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O pároco de Monserrate disse esta sexta-feira que o relicário com os restos mortais de Frei Bartolomeu dos Mártires recuperado pela Polícia Judiciária vai voltar a ficar exposto na igreja de São Domingos, mas de "uma forma mais segura".

"É uma peça de culto religioso que tem de ficar exposta para veneração dos fiéis, mas vamos ter de encontrar formas mais seguras para proteger a relíquia", afirmou Vasco Gonçalves.

Contactado pela agência Lusa, na sequência do anúncio da recuperação do relicário com uma ossada do beato e da detenção de um homem de 25 anos, suspeito de fruto qualificado daquela peça de arte sacra, o sacerdote disse estar "muito feliz".

"É uma alegria muito grande. Costumo dizer aos paroquianos que o relicário de frei Bartolomeu dos Mártires é a nossa pérola. O nosso tesouro é o túmulo com os restos mortais de frei Bartolomeu dos Mártires que se encontra na igreja de São Domingos", referiu.

Questionado pela Lusa, Vasco Gonçalves não soube especificar quando será devolvida à paróquia a peça, atualmente na posse da PJ de Braga, que deteve o suspeito do furto e recuperou o relicário.

"Fomos informados de que, nos próximos dias, teremos de nos deslocar a Braga para identificar o relicário", explicou.

O pároco disse estar convencido que o roubo do relicário, na terça-feira, "não se enquadrar num ato de profanação religiosa, mas antes de desconhecimento do valor da peça, em metal dourado, que guarda os restos mortais de frei Bartolomeu dos Mártires".

Em comunicado, a PJ de Braga adiantou que a peça de arte sacra "subtraída e já recuperada continha uma vértebra que se reputa pertencer ao arcebispo frei Bartolomeu dos Mártires, relíquia considerada de grande valor sentimental e objeto de grande devoção religiosa na diocese de Viana do Castelo".

O homem, de 25 anos, "presumível autor de um furto qualificado de obra arte sacra foi detido ao final da tarde de quinta-feira e vai ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação tidas por adequadas".

A PJ acrescentou que "o furto ocorreu durante a tarde" de terça-feira, na igreja de São Domingos, na freguesia de Monserrate, em Viana do Castelo.

O alerta para o desaparecimento da relíquia foi comunicado à PSP local na terça-feira, cerca das 16h30. Por envolver uma peça de arte sacra, o caso foi comunicado à PJ de Braga.

Em 2016, o Papa Francisco autorizou a canonização do beato Bartolomeu dos Mártires sem a atribuição de um milagre, processo que ainda não culminou.

Bartolomeu dos Mártires foi declarado venerável, a 23 de março de 1845, pelo Papa Gregório XVI e beato, a 04 de novembro de 2001, por João Paulo II.

O beato nasceu em Lisboa, em maio de 1514, e entrou na Ordem Dominicana em 11 de novembro de 1528, tendo sido eleito arcebispo de Braga em 1559. Morreu em Viana do Castelo a 16 de julho de 1590.

Em Viana do Castelo ficou conhecido por ter mandado construir o Convento de Santa Cruz - depois designado de São Domingos, tal como a igreja contígua -, mas sobretudo pela sua dedicação aos pobres. Renunciou como arcebispo em 23 de fevereiro de 1582 e recolheu-se no convento que mandou construir em Viana do Castelo, onde morreu a 16 de julho de 1590.

Bartolomeu dos Mártires foi sempre apelidado pelo povo como o "arcebispo santo, pai dos pobres e dos enfermos" e insistiu, em vida, na deposição dos seus restos mortais naquele convento, numa altura em que a diocese local ainda não existia, sendo liderada por Braga.

Na segunda-feira, a mesma igreja foi alvo de uma tentativa de assalto, tendo a imagem de Nossa Senhora das Dores, "muito antiga", sido "danificada".

Na tentativa de assalto de segunda-feira, uma das sete espadas da imagem de Nossa Senhora das Dores foi arrancada para ser utilizada na abertura da caixa das esmolas e dos lampadários e acabou partida, obrigando ao seu restauro.


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