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E ​Deus Nisso Tudo

Leonor Beleza: “Não sou capaz de explicar o que seria sem Deus”

06 jun, 2019 - 23:19 • Ana Catarina André

A presidente da Fundação Champalimaud revela que se tornou ministra “para, realmente, satisfazer as necessidades das pessoas” e conta que, por se sentir privilegiada, sempre sentiu necessidade de pôr os talentos a render.
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Leonor Beleza no ciclo de conversas E Deus Nisso Tudo - 06/06/2019
Leonor Beleza no ciclo de conversas E Deus Nisso Tudo - 06/06/2019

Leonor Beleza estava em casa – provavelmente a fazer a cama –, quando António Champalimaud lhe telefonou. “Disse-me que ia fazer o testamento, que ia criar uma fundação para fazer investigação na área da saúde e queria saber se eu aceitava ser presidente”, contou no âmbito do ciclo ‘E Deus Nisso Tudo’, conduzidas por Maria João Avillez.

Na conversa que decorreu na Igreja do Campo Grande, em Lisboa, Leonor Beleza confessou: “eu que tinha jurado que nunca mais tratava da saúde de ninguém, exceto da minha e da minha família, [Beleza foi ministra da Saúde entre 1985 e 1990], percebi, em poucas centésimas de segundo, que me estava a acontecer uma coisa extraordinária. A única coisa que tinha para dizer era sim”.

Na altura, ainda pediu ao milionário que lhe desse mais instruções sobre o projeto, mas o desejo nunca chegou a concretizar-se.

“Quando foi aberto o testamento [Champalimaud morreu em 2004], percebi a vastidão do que ele me estava a propor”, disse a atual presidente da Fundação Champalimaud, que é também conselheira de Estado.

Instruções, porém, sobre os destinos da organização não havia. “Aquilo que sempre fiz – e faço com a minha equipa – é imaginar o que Champalimaud faria. É difícil porque só o vi uma vez”, afirmou, acrescentando que recorreu a escritos e testemunhos sobre o mentor da Fundação para conhecê-lo melhor.

Ao longo de uma hora, Leonor Beleza – última convidada deste ciclo de conversas – contou que a sua relação com Deus foi pautando a sua vida.

“Aquilo em que acredito obriga a que me comporte de acordo com os valores que tenho. A pertença a uma comunidade como é a Igreja Católica tem nisso um papel fundamental”, disse.

“Pela comunidade onde vivo, pelos valores que tenho, tenho em mim uma espécie de ordem interior que me conduz.”

A jurista, que além de ministra, foi secretária de Estado e vice-presidente do Parlamento, não concebe a sua existência sem o transcendente. “Não sou capaz de explicar muito bem o que seria sem Deus”, sublinhou, depois de referir que Deus tanto a acolhe “na tristeza como na alegria”.

Servir no ministério

Nasceu privilegiada pela família – reiterou – não só pela família que teve, mas também que pelo que “exigiram de si”, pelos sítios onde esteve, pela época em que viveu, pelas oportunidades que teve.

“Acredito que tenho obrigação de devolver o que me foi dado. É a história dos talentos”, disse.

“Se me tornei ministra era para usar de todos os meios que tinha, nomeadamente o poder que isso significativa, para realmente satisfazer as necessidades das pessoas. Era para isso que estava lá. Não era para aparecer na televisão, nem para os outros falarem de mim. Há uma palavra muita adequada neste lugar: servir.”

Foi a primeira mulher a ser convidada para assistente na Faculdade de Direito, da Universidade de Lisboa. A política, porém, acabou por se sobrepor.

“O facto de ter uma determinada idade quando o país mudou [tinha 25 anos no 25 de Abril] fez com que muita gente, muita mais nova, tivesse acesso a um conjunto coisas que normalmente acontecem mais tarde.”

Aos 33 anos, tornou-se membro do Governo, pela primeira vez. Seguiram-se outros cargos públicos.

“Acredito que não precisamos de nos despir como cristãos para tratar todos de uma maneira igual”, conclui Leonor Beleza.

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  • Eduardo Costa
    07 jun, 2019 17:08
    O(a) único(a) político (a) que me merece respeito!