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Europeias 2019

Verdes e eurocéticos sobem. Extrema-direita vence em França e Itália

26 mai, 2019 - 19:12 • Filipe d'Avillez

Não foi só Portugal que foi às urnas. Veja os resultados nos outros 27 Estados-membros da União.
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O Parlamento Europeu anunciou que 50.5% dos europeus votaram nas eleições europeias, que se realizaram ao longo dos últimos dias em toda a União.

Apesar de baixo, este número representa uma melhoria em relação a 2014, nas últimas eleições, em que a afluência foi de apenas 42,61%. Apesar de apenas cerca de metade dos cidadãos europeus ter ido às urnas, os resultados não deixam de ser uma vitória para a União Europeia, pois a última vez que a abstenção ficou abaixo dos 50% foi em 1994.

Em cinco Estados-membros - Bélgica, Bulgária, Chipre, Grécia e Luxemburgo - o voto é obrigatório.

Com grande parte dos votos contabilizados em todos os Estados-membros, há duas grandes conclusões a retirar desta ida às urnas: os centristas, quer de esquerda quer de direita, perderam assentos e a histórica maioria que detinham até agora no Parlamento Europeu.

No sentido oposto, os partidos eurocéticos subiram mais do que nunca, a par dos Verdes, que poderão ajudar a formar uma abrangente coligação pró-UE que detenha a maioria nesta legislatura.

Veja abaixo os resultados das eleições nos 28 Estados que compõem a União Europeia.

Alemanha

O partido da ainda chanceler Angela Merkel (CDU) foi o mais votado, obtendo 28,7% dos votos. Em segundo lugar ficaram Os Verdes com 20,7%, que assim duplicaram os seus votos. Em terceiro surge o SPD, com 15,6%, seguido da Alternativa para a Alemanha (AfD, extrema-direita), com 10,8%.

Áustria

O ÖVP (Partido Popular), do atual chanceler Sebastian Kurz, conquistou 34,9% dos votos, seguido do SPÖ (sociais-democratas) com 23,4% e do FPÖ (Partido da Liberdade, extrema-direita), com 17,2%.

Bélgica

Os belgas votaram hoje para eleições europeias, legislativas e regionais. Na corrida ao Parlamento Europeu, a Nova Aliança Flamenga ficou em primeiro, com 13,49%, seguida da extrema-direita da Flandres (Vlaams Belang) com 11,44% e do Partido Socialista, com 10,5%.

Bulgária

O partido do primeiro-ministro Boyko Borissov, a União Democrática Croata, ganhou as eleições com 30,64% dos votos. O Partido Social Democrata, principal da oposição, conquistou 26,42% dos votos, seguido dos centristas do Movimento pelos Direitos e Liberdades, com 12,33%.

Chipre

Vitória para a Aliança Democrática cipriota, com 29,02% dos votos. Em segundo lugar ficou o Partido Progressista, com 27,49% dos votos, seguido do Partido Democrático, no Governo, com 13,8%. *Os eurodeputados cipriotas deverão dividir-se irmamente entre o Partido Popular Europeu, os Socialistas e Democratas e o Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde. Os números oficiais mostram que a afluência foi de 42,8%.

Croácia

A União dos Cristãos Democratas vencem por boa margem as eleições na Croácia, com 22,72%, seguido dos Social Democratas com 18,71% e da coligação de conservadores com 8,51%.

Dinamarca

Resultados renhidos na Dinamarca, com o Partido Liberal a contrariar as sondagens à boca das urnas e a vencer as eleições com 23,5%. As primeiras projeções tinham dado vitória ao aos Social Democratas, mas estes acabaram por ficar em segundo lugar, com 21,5%. O Partido Socialista surge em terceiro lugar, com 13,2%.

Eslováquia

O recém-criado partido Juntos – Democracia Cívica (conservadores liberais) venceu as eleições com 20,11% dos votos. Segue-se o partido de centro-direita Somos Família, com 15,72%. Em terceiro lugar o Partido Popular – Nossa Eslováquia (extrema-direita), com 12,07%

Eslovénia

Na verdade não houve vencedores claros nas eleições na Eslovénia, uma vez que na prática os oito eurodeputados eleitos para o Parlamento Europeu vêm de oito partidos diferentes.

Espanha

Vitória para o PSOE, o partido socialista espanhol, que deverá eleger 18 eurodeputados, tendo obtido 32,84% dos votos. Em segundo lugar veio o Partido Popular, que desce em relação às últimas eleições europeias e regista o seu pior resultado de sempre em plebiscitos para o Parlamento Europeu, com 20,13%.

O Cidadãos conquistou 12,18% dos votos, seguido do Podemos com 10% e do Vox, a extrema-direita, que com 6,2% de votos conquistados deverá entrar de rompante no PE com entre quatro e cinco eurodeputados.

Estónia

O Partido Reformista conseguiu 26,2% dos votos, tornando-se o vencedor das eleições no país. Em segundo lugar ficou o Partido Social-Democrata, com 23,3%, seguido do Partido Centrista, com 14,4%.

Finlândia

O Partido da Coligação Nacional (conservadores liberais) conquistou 20,8% dos votos, seguido da Aliança Os Verdes com 16%, que assim conseguiu empurrar para terceiro lugar o Partido Social-Democrata, que conquistou 14,6% dos votos.

França

Em França a vitória é reclamada pela extrema direita. O partido Rassemblement National, como se chama agora a antiga Frente Nacional de Marine Le Pen, conseguiu 23,53% dos votos, acima dos 22,47% do partido de Emmanuel Macron. Os Verdes conquistaram o terceiro lugar com 13,13%.

“Tendo em conta a censura democrática que foi feita ao partido do Governo esta noite, o Presidente terá de retirar consequências”, disse Le Pen, pedindo que Macron dissolva a Assembleia Nacional e convoque eleições antecipadas.

Le Pen. “Macron não tem escolha senão dissolver a Assembleia Nacional”
Le Pen. “Macron não tem escolha senão dissolver a Assembleia Nacional”

Grécia

Os conservadores da Nova Democracia conseguiram o primeiro lugar, com 33,27% dos votos, seguidos da Coligação da Esquerda Radical (que inclui o partido do Governo, o Syriza), com 23,85%. Face à derrota, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, cedeu às exigências do vencedor e decidiu convocar eleições antecipadas.

Holanda

Resultados bastante próximos na Holanda, com o Partido Trabalhista a cantar vitória, mas apenas com 19%, correspondendo a 6 assentos, e o Partido Popular para a Liberdade e Democracia em segundo, com 14,6%. Seguem-se os Cristãos-Democratas com 12,1% e a Esquerda Verde e o Fórum para a Democracia, empatados em quarto com 10,9% de votos cada. Os números oficiais mostram que a afluência às urnas foi de 41,2%

Hungria

O partido do Governo, Fidesz, venceu as eleições europeias com 52,33%. O partido de Viktor Órban ficou muito à frente dos dois partidos seguintes, que conquistaram apenas cerca de 10% cada: a Coligação Democrática (liberal), do antigo primeiro-ministro Ferenc Gyucsány, conseguiu o segundo lugar, com 16,19% dos votos.

O recém-lançado Momentum, que integra o grupo político europeu ALDE, entra pela primeira vez no Parlamento Europeu com 9,89%. Os socialistas terão alcançado 6,66% dos votos. O Jobbik (extrema-direita) é o grande derrotado da noite eleitoral na Hungria, tendo conquistado 6,41% dos votos, não elegendo qualquer eurodeputado.

Irlanda

O Fine Gael, da Irlanda, obteve 29% dos votos. Os dois partidos seguintes, o Finna Fáil (Partido Republicano) e o partido Os Verdes, têm um empate técnico, com 15% cada. A afluência oficial foi de 49,3%.

Itália

O partido de extrema-direita italiano Liga, do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, venceu as eleições europeias naquele país, com 33,64% dos votos. Em segundo e terceiro lugares ficaram o Partido Democrático, coligado com a Liga no Governo, e o Movimento Cinco Estrelas; o primeiro obteve 23,52%, o Movimento 16,65%. O partido de Berlusconi, Força Itália, ficou em quarto lugar com 7,81%.

Letónia

Uma noite para lembrar para o partido Nova Unidade, na Letónia, que apesar de ser apenas a sétima força política no país conseguiu 26,4% dos votos. Em segundo lugar ficou a Aliança Nacional, de extrema-direita, com 17,45%, seguido do partido Desenvolvimento/Para!, com 16,4%.

Lituânia

A União da Pátria - Democratas-Cristãos venceu as eleições com 19,28% dos votos, seguido pelo Partido Social Democrata com 16,14%. A União dos Camponeses e Verdes Lituanos ficou em terceiro lugar, com 12,86%, seguida do Partido Trabalhista com 9,2% de votos.

Luxemburgo

O Partido Democrata (PD) e o Partido Popular Cristão Social (CSV), que é social democrata, tiveram quase o mesmo resultado nas eleições europeias, com 21,44% e 21,1%, respetivamente. O resultado representa uma grande derrota para o CSV, contudo, uma vez que perdeu mais de 16 pontos percentuais desde as últimas eleições, vendo o PD subir cerca de 6 pontos percentuais. Em terceiro lugar, com uma subida importante e confirmando a tendência no resto da Europa, ficaram Os Verdes, com 18,91%.

Malta

Vitória convincente para o Partido Trabalhista em Malta, de tendência social-democrata, com 55,9% dos votos. Seguem-se os conservadores do Partido Nacionalista, com 36,2%. A afluência oficial às urnas foi de 72,6%. Assim, os Trabalhistas elegem quatro eurodeputados e o Partido Nacionalista elege dois.

Polónia

O Partido Direito e Justiça, no Governo, alcançou 43,1% dos votos. Em segundo lugar ficou a Coligação Europeia, com 39,4%, seguida do partido Primavera (Sociais Democratas) com 6,7%. A grande vencedora foi, contudo, a abstenção, tendo-se registado uma afluência de apenas 32,51%

Portugal

Segundo a sondagem da RTP o PS vence estas eleições europeias com 30-34% dos votos, seguido do PSD, a cerca de 10 pontos percentuais, entre os 20 e os 24%. O grande derrotado é o CDS, que fica com apenas 5-7% dos votos, devendo assim eleger apenas um ou dois deputados e ficando atrás tanto do Bloco de Esquerda como da CDU. Surpresa é ainda o PAN, que pode eleger um deputado, registando 4-6% dos votos nesta sondagem à boca das urnas.

Reino Unido

A poucos meses da nova data de saída dos britânicos, marcada para 31 de outubro, foi esmagadora a vitória do Partido do Brexit, liderado por Nigel Farage, que abandonou o UKIP para fundar este novo partido e que, com ele, terá conquistado quase 32% dos votos.

A ele seguir-se-ão os Liberais Democratas (18,55%), o Partido Trabalhista (14,05%) e os Verdes em quarto, com 11,09% dos votos. Os resultados totais só deverão ser anunciados na segunda-feira.

República Checa

O partido populista ANO 2011 conseguiu 21,18% dos votos na República Checa. Em segundo lugar, com 14,54%, ficou o Partido Democrático Cívico (ODS), seguido de perto pelo Partido Pirata Checo, com 13,95%.

Roménia

Os centristas do Partido Nacional Liberal obtiveram 27,86% dos votos, seguidos dos Sociais Democratas com 24,84%. Em terceiro ficou a coligação Salvem a Roménia, com 18,11% dos votos.

Suécia

Os Sociais Democratas foram os grandes vencedores na Suécia, com 23,6% dos votos, seguidos do Partido Moderado (conservadores liberais), que conseguiu 16,8%. Em terceiro lugar ficaram os Democratas Suecos (nacionalistas eurocéticos) com 15,4%. Juntando o Partido Moderado e os Democratas Suecos, há uma vantagem da direita naquele país escandinavo.


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