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“Um dia em São Miguel”. Vinho, petiscos e música servidos no Alentejo

24 mai, 2019 - 07:38 • Rosário Silva

Este é um convite à festa em família. A iniciativa é da Casa Relvas, a empresa que começou a aventura dos vinhos há 15 anos e já produz, anualmente, seis milhões de garrafas.
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Do pai recebeu o nome e a missão de dar continuidade ao projeto familiar que nasceu nos anos 90, no Alentejo, no seio de uma família há muito ligada à terra. Aos 36 anos, com o pai na retaguarda, afastado da política e noutras lides empresariais, o filho Alexandre Relvas assume-se como o rosto da Casa Relvas, um dos maiores produtores de vinho, privados, da região.

“O meu pai nasceu em Angola, é retornado, e fazia-lhe confusão não ter um sitio, em Portugal, com o qual se identificasse com as suas raízes”, conta à Renascença, Alexandre Relvas. “Apaixonou-se pela Herdade de São Miguel, no Redondo (distrito de Évora), adquiriu-a, e aí começou a aventura dos vinhos”.

Os primeiros 10 hectares de vinha foram plantados em 2001 e em 2003 instalada a adega. “A primeira colheita foi lançada no mercado em novembro de 2004 e foram 26 mil garrafas”, recorda o empresário que, mais tarde, juntou-se ao pai depois de estudar enologia e viticultura em França.

A interioridade não assusta o filho do antigo governante do tempo de Cavaco Silva, convicto de que no Alentejo “há uma série de oportunidades de trabalho e de investimento para os jovens”, atendendo também ao papel de Alqueva que, na sua opinião, “tem trazido muitos investimentos e dinamizado a região.”

A empresa familiar é, hoje em dia, um dos exemplos de sucesso da região e os números existem para o comprovar: “Na Casa Relvas trabalham 85 pessoas. Produzimos seis milhões de garrafas por ano, temos 250 hectares de vinha e exportamos para cerca de 30 países”.

Alexandre Relvas explica que a exportação aconteceu “numa altura em que Portugal estava bastante saturado” e com a crise de 2008, foi necessário “voltarmo-nos para a exportação num caminho que aconteceu naturalmente e não fruto de grandes estratégias ou estudos de mercado.”

Ainda em termos de exportação, a Rússia, a Bélgica e o Brasil constituem o Top 3 da empresa, mas o principal mercado é o português. “É onde temos a maior equipa alocada e com uma elevada presença nas grandes redes de supermercados, embora mantenhamos uma presença regional muito forte”, alude.

“O nosso objetivo é fazer vinho de enorme qualidade a um preço justo o que nos tem feito crescer ano após ano e é o reconhecimento do trabalho feito nas nossas herdades (S. Miguel e Pimenta)”, assenta o empresário.

A Casa Relvas produz diferentes gamas de vinho. Desde há 6 anos concebe, também vinho biológico. “Vendemos tudo o que produzimos e temos cerca de 5% das nossas vinhas em modo biológico”, assegura Alexandre Relvas que destaca, ainda, o vinho de talha como “produto de nicho produzido, igualmente, desde há quatro colheitas”.

Para o futuro, o foco centra-se no investimento que está a ser realizado para aumentar “a capacidade de engarrafamento e armazenagem”, assim como o aumento da área de vinha: “Acabamos de plantar 25 hectares, e para o ano vamos plantar mais 30, ficando no total com a área completa dos 250 hectares”, revela.

Certo de que o mercado vai continuar a crescer, Alexandre Relvas revela que a estratégia de comercialização, passa por “continuar a fazer bons produtos, numa boa relação preço-qualidade.”

Uma tarde nos campos do Alentejo

É um programa acolhedor, divertido e a pensar nas famílias. “Um dia em São Miguel” convida a passar uma tarde diferente, no sábado, dia 25, entre as 14h00 e as 20h00. A Herdade de São Miguel abre os portões para receber os visitantes que, entretanto, se inscreveram.

“Eu venho de uma família numerosa e este é um valor que deve ser preservado, daí a importância de trazer a família, pais e filhos nomeadamente, para passarem um dia diferente no campo, com muitas atividades”, assegura Alexandre Relvas.

E, na verdade, o programa não engana: às provas de vinho e gastronomia, associam-se outros produtos regionais, as artes e ofícios característicos da região, o artesanato e até a musica.

“A Casa Relvas é o anfitrião”, acrescenta o empresário, “mas é uma parceria com os nossos produtores regionais que trazem desde o presunto, aos queijos, aos enchidos, mas também o artesanato como o barro ou a mobília alentejana e tudo para mostrarmos o que de melhor se faz no Redondo e no geral no Alentejo.”

Numa componente mais formativa, os participantes vão poder conhecer a história da Herdade de São Miguel, a sua evolução, destacando-se, ainda, a prova “O Alentejo e as suas Talhas”, que vai abarcar não só os vinhos de talha da Casa Relvas, mas também outros exemplos desta forma ancestral de fazer vinho.

E se há coisa que rima com vinho é, seguramente, o Cante Alentejano. Os “Trovadores de Redondo” marcam presença, abrindo o espaço à musica, dando, depois, lugar aos “Seven Dixie”, uma banda de jazz de improviso. Segue-se a dupla musical “Os 2” de Miguel Costa e João Maria Baio. A fechar o programa musical, Tim, o vocalista dos Xutos & Pontapés, vai subir ao palco para um concerto acústico que encerra, também, uma festiva tarde.

“Vai ser um dia de celebração, não só de vinhos, mas da cultura do Alentejo”, acredita Alexandre Relvas.


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